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Esporte

Chama Olímpica em São João Del Rei, Barbacena e Juiz de Fora

Segundo a mitologia grega, Zeus tirou o fogo dos seres humanos e Prometheu o roubou devolvendo-o aos mortais, essa seria a origem da chama olímpica. É importante lembrar que o domínio do fogo foi fundamental na antiguidade, reforçando lendas sobre seu controle. A tocha é um dos principais símbolos das olimpíadas, seu itinerário se tornou clássico e com o advento da tecnologia cada vez mais abrangente. Neste domingo (15), o revezamento da chama “Rio 2016” percorreu São João Del Rei, Barbacena e Juiz de Fora. Tal roteiro pode levantou diferentes pontos de vista.

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A primeira impressão está clara, é associada à visibilidade e ao legado olímpico. Quem não gostaria de ver passar um ícone tão importante nas ruas de sua cidade? O mundo inteiro pode estar olhando para sua rua, “o centro do universo pode estar no seu umbigo”! Sem contar o registro histórico da participação de sua região nesse revezamento mundial, imagine quando vai haver outra oportunidade de dizer aos filhos e netos que presenciou a história sendo feita? Imagine por quantos anos isso vai ser dito? Possivelmente, se os seres humanos não destruírem o planeta Terra, os próximos jogos olímpicos disputados no Brasil podem ser daqui a dezenas ou centenas de anos. Lembre que essa é a trigésima primeira edição moderna das olimpíadas e apenas a primeira disputada na América do Sul.

Entretanto, cuidado com a visão simplista dos fatos, não se deixe levar pelas assombrações do ego. De fato, é um momento marcante para a narrativa do Brasil, mas qual é o preço de um espaço nos livros de história? E qual será a verdadeira sensação ao término dos jogos? Ficarão marcados como especiais para a nação ou como mais um passo para a crise econômica, como foi na Grécia (2004). Há sete anos ficamos sabendo que sediaríamos as Olimpíadas em 2016, e os gastos chegam a quase 39 bilhões de reais, números assustadores para um país que se diz em colapso econômico. Não é admissível gastar tanto dinheiro com entretenimento, quando a educação, a saúde e outras áreas básicas estão relegadas. Os organizadores dizem que os gastos são para a infraestrutura, pura demagogia, onde está o resultado do projeto que revitalizaria a Baía de Guanabara se ela continua poluída? Onde está o legado esportivo se o investimento permanece apenas no esporte de alto rendimento? Onde está o legado turístico se o Brasil continua ameaçando estrangeiros com sua violência urbana? Qual o sentido de gastar tanto com apenas um entre 5.570 municípios brasileiros?

Outra informação importante que tange as cidades percorridas pela chama olímpica é o gasto médio de R$ 180.000,00 (cento e oitenta mil reais) para receber a tocha. Por esse motivo, as cidades mineiras Betim e Ipatinga desistiram de recebê-la.  Assim sendo, para combater a alienação política é essencial questionar a visão única do acontecimento. Um dos princípios básicos da história está ligado a uma verdade multifacetada, o mesmo evento pode ter diversos espectros, normalmente, baseados no contexto de cada um. Quem não quiser correr o risco de ser alienado deve investigar o máximo de versões possíveis.

 

Texto: Luigi Zanetti