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Cultura

Memorial Vale comemora 10 anos com o retorno de exposição presencial que homenageia Alberto da Veiga Guignard
Arquivo CircuitoLiberdade

Até o dia 3 de abril de 2022 o público pode conferir, no Memorial Minas Gerais Vale, a exposição “Imaginante de Minas, século 20”, que marca o retorno das exposições presenciais e faz parte das comemorações dos 10 anos de atividade do espaço cultural. Com curadoria de Júlio Martins e Maria Angélica Melendi, foram reunidos mais de 30 artistas para traçar uma visão diversa das experiências em artes visuais desenvolvidas nas terras mineiras ao longo do século 20. O título se inspira em uma série de pinturas de Alberto da Veiga Guignard, marco importante, mas não único da modernidade artística mineira, e aponta para desdobramentos improváveis nas poéticas dos artistas das décadas de 1960 a 1990.

O público pode ver seis obras de Guignard, três pinturas e três desenhos, e obras de Adalgisa Martins, Amílcar de Castro, Arlindo Daibert, Assis Horta, Beatriz Dantas e Paulo Emílio Lemos, Cao Guimarães, Celso Renato, Farnese de Andrade, Franz Weissmann, Genesco Murta, George Helt, G.T.O., Inimá de Paula, Jeanne Milde, Lorenzato, Lótus Lobo, Manfredo Souzaneto, Marco Sampaio, Marco Paulo Rolla, Marcos Benjamin, Marta Neves, Maria Lira Marques, Mary Vieira, Maurino de Araújo, Raymundo Colares, Renato de Lima, Roberto Vieira, Rosângela Rennó, Solange Pessoa e Zina Aita.

“Esta exposição foi pensada para celebrar os 10 anos do Memorial Minas Gerais Vale. Resgata uma memória da arte mineira do século 20 trazendo luz a obras importantes para o entendimento na nossa história”, observa o gestor do Memorial Vale, Wagner Tameirão.

Imaginante de Minas, século 20

O curador da exposição, Júlio Martins, explica que a intenção foi dar uma visão das artes plásticas do século 20 em Minas Gerais quando se implementa a modernidade em meados do século passado. “Buscamos em nossa curadoria colocar artistas que, de um lado, não têm uma descendência direta com Guignard, pouco estudados e pouco vistos nas narrativas oficiais, e de outro lado artistas que apontam grande inventividade nos seus processos para além daquilo que poderíamos esperar dentro da própria obra do Guignard”, detalha.

Sobre as obras de Guignard escolhidas, Júlio comenta que “é um Guignard surrealista, um Guignard que foi pouco visto, que nos surpreende, e é esse Guignard pouco conhecido que quisemos trazer para a exposição”.

Em fins dos anos 1940, Alberto da Veiga Guignard produziu algumas fotomontagens nas quais reiterava seu interesse pelo surrealismo, abordado em sua produção pictórica anterior à chegada em Belo Horizonte. Escassamente estudadas, essas e outras obras pouco conhecidas de Guignard impulsionaram a busca de outros rumos para além da configuração tradicional da paisagem como território imaginário.

O particípio presente “imaginante”, recolhido de uma série de pinturas intitulada “Paisagem imaginante de Minas”, aponta àquele que imagina, que inventa mundos. “A hipótese curatorial entende que o surrealismo escamoteado do mestre ajudou a diluir outras manifestações, deixou deslizar até o esquecimento alguns relatos, se desentendeu de outros…”, reflete Júlio Martins.

Artistas de várias décadas e gerações foram julgados na medida do seu pertencimento à descendência guignardiana. Grande parte da produção experimental das décadas de 1960 e 1970 pode ser interpretada como alternativa de resistência a essa referência. O mesmo pode-se dizer dos anos 1980 e 1990, quando a internacionalização da arte de Minas promoveu, novamente, a migração de muitos artistas aos grandes centros, como é recorrente em terras mineiras. Há ainda artistas como Zina Aita, Jeanne Milde e Renato de Lima que produziram dentro da esfera do modernismo no estado antes da chegada do mestre.

O que se entende como modernidade em Minas Gerais foi um movimento tardio, tutelado e conciliador. Guignard e Niemeyer são marcos únicos da historiografia oficial. O objetivo desta exposição reside em atravessar os relatos da história da arte mineira com um possível contrarrelato que não segue as trilhas já perseguidas, mas que explora outras, desviantes, abandonadas ou mesmo não percorridas, na hora de estabelecer os caminhos a seguir.

“Pretendemos trazer à luz obras que foram esquecidas nas reservas técnicas por décadas, que foram pouco expostas e muito pouco vistas. A propósito, nestes escuros tempos de pandemia a tarefa foi difícil, com acervos institucionais fechados e tempo escasso para a pesquisa, pelo que consideramos esta exposição um avanço, apenas, de um processo de investigação mais longo e apurado de reescrita das modernidades e não modernidades locais”, conclui a curadora Maria Angélica Melendi.

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/

Cultura

‘Pãozin de Cará: entre o porto e as montanhas’ reúne histórias mágicas sobre migração e exílio

Primeira publicação do multiartista Raphael Morone narra imaginações e observações sobre as cidades de Santos (SP), sua terra natal, e Belo Horizonte (MG), onde reside atualmente; narrativa é construída a partir de prosas livres, poemas e pinturas reunidas em 200 páginas de diário 

Pãozin de Cará 1 – Foto Thyana Hacla-Ateliê Phonte 88

Mais do que os destinos, importa mesmo são as travessias, como ensina o sertão indivisível de Guimarães Rosa. É assim que um sonho pode viver até no vazio do nosso espírito, se tomarmos a lição de Roberto Bolaño no grau de possibilidades que talvez precisemos inventar para existir no mundo. Cercado de referências do realismo fantástico, da poesia, da pintura e de uma imaginação efervescente, o multiartista Raphael Morone, de 34 anos, apresenta seu primeiro livro, “Pãozin de Cará: entre o porto e as montanhas” (Margem Edições). Para além de narrar uma epopeia particular do artista que decidiu trocar, na cara e coragem, a paisagem natal do porto de Santos (SP) pelas intimistas e expansivas montanhas de Belo Horizonte, o robusto livro de 200 páginas registra, em formato investigativo de diário de bordo emoldurado por quadros vibrantes, um relicário de aventuras sobre os signos da migração.
Nascido e criado em Santos, cercado pela paisagem litorânea, Raphael Morone decidiu se mudar para Belo Horizonte por paixão, sonho e trabalho, uma tríade que parece mover os destinos que o próprio artista tece para si mesmo. Na inevitável condição de rapaz latino-americano, “sem dinheiro no bolso”, o artista também vislumbrava a prometida cartela de oportunidades restritas do competitivo mercado de trabalho e, por que não, um certo gosto de sol, como reza o sonho do Clube da Esquina sobre indistinguíveis desejos de viver.

“Em 2013, muito frustrado com a profissão de designer, depois de deixar o emprego que tinha numa franquia dos Correios, peguei a grana do acerto e, junto com um amigo, viajamos para o Uruguai. Lá, conheci uma pessoa, ficamos amigos e adivinha de onde ela era? De Belo Horizonte! Ela me convidou pra conhecer a cidade no mesmo ano e eu me apaixonei. A imagem que mais me marcou foi um domingo de manhã no Parque Municipal: vi famílias de todo tipo fazendo piquenique nos gramados e aquilo mexeu muito comigo. Ao redor, as árvores, os pedalinhos, o lago, o parquinho com brinquedos velhos lá dentro, os fotógrafos lambe-lambe, aquilo tudo me criou um imaginário muito bonito na cabeça. Eu pensei: preciso vir morar aqui. Em 2015, decidi mudar para Belo Horizonte, buscando um novo caminho”, resume Morone. 

Entre as aulas de Artes Visuais, que abriram o leque de criação para a pintura,  gravura, desenho e técnicas com canetas marcadoras e pastel oleoso, por exemplo, concomitantemente a trabalhos assinados junto à cena mineira, como as ilustrações para o disco de estreia de Marcelo Veronez, Raphael Morone começou a registrar  impressões diárias em cores, textos, prosa livre e poemas. O livro nasceu de suas escrutinações cotidianas sobre as duas cidades que o compõem e o divisam.

“Passeio pelas ruas do bairro Santo André com a mesma curiosidade que eu explorava as ruas do Jaraguá, quando cheguei na capital mineira. O livro é um processo contínuo de observação, de descoberta, de encantamento com o novo e mesmo com o que já se tornou rotineiro. Nosso olhar tem essa capacidade de ‘re-encantar’ as coisas, de tornar mercearias lugares mágicos com bugigangas infinitas, de transformar ruas arborizadas em bosques e olhar para as montanhas como entes queridos. É a perspectiva que encontrei para me entender em minha nova morada”, diz o artista.

O livro

Pãozin de Cará 2 – Foto Thyana Hacla-Ateliê Phonte 88

“Pãozin de Cará” carrega no nome uma síntese entre as peculiaridades de Beagá e Santos. O tradicional pão consumido pelos moradores da cidade santista — equivalente ao pão de queijo de Minas — ganhou a pronúncia mineirinha para amarrar, de certo modo, as fruições das duas cidades. “Num passado distante, nosso pãozinho era de fato feito de cará, mas diversas lendas urbanas dizem que o cará, em certa feita, ficou caro e os padeiros da cidade deixaram de utilizá-lo, mas o nome ficou até hoje. A gente come um pão de cará sem cará. Eu digo que esse é o realismo mágico do nosso dia a dia, um faz de conta que todo mundo brinca”, destrincha Morone.

As duas centenas de páginas da publicação carregam desde essas observações, que envolvem o cotidiano de mercearias, parques, comidas, hábitos e particularidades dos ventos das montanhas mineiras, até histórias mágicas de barqueiros navegando por canais de Santos, e imaginações improváveis sobre o bairro Calafate, por exemplo, e seu significado náutico, em um processo criativo que vislumbra um lugar com praças-portos nos quais é possível haver navios em uma terra privada de oceanos.

“O caderno, em seu todo, é uma poética sobre a viagem, sobre o passar do tempo, sobre deslocamento e exílio. Mas ele também é um diário de bordo, porque o conteúdo dele também tem isso, embora não de forma estrita. Eu arrisco dizer que ele cai num território da arte contemporânea em que se torna muitos mini-mundos numa coisa só”, explica o artista.

Os cadernos originais de Raphael Morone, compostos à mão através de andanças pelas duas cidades, foram transformados em uma caprichada edição de capa dura, confeccionada em tecido marrom, em reverência aos buritizeiros e às áreas úmidas do cerrado mineiro. O trabalho de editoração é da Margem Edições, capitaneado pela editora Íris Ladislau, com diagramação de Ana Cláudia Rufino e revisão de Caroline Lima. A cuidadosa encadernação foi elaborada pelo Ateliê Phonte 88, estúdio de Thayana Hacla e Circe Clingert, especializado em projetos editoriais de artistas.

O livro está em pré-venda pela Margem Edições (para comprar, acesse este link), com pedidos feitos sob demanda, até o dia 19 de dezembro, pelo preço promocional de R$ 210 — após essa data, as unidades saem por R$ 300, cada, com entregas realizadas a partir do mês de janeiro.

A partir de uma linguagem artística múltipla e de uma narrativa não-linear, que parece revelar a importância dos percursos, muitas vezes ausentes de mapas e outros traçados didáticos, Morone propõe ao leitor, de certo modo, movimentar a criação das próprias aventuras. “O geógrafo Milton Santos diz algo sobre a necessidade de nós, migrantes, criarmos uma outra via para gente se entender num lugar novo, deixando a memória do lugar de origem para trás, já que a nova realidade nos obriga a novas rotinas e experiências. E esse processo, como um caranguejo largando a velha carcaça, é muito doloroso, difícil. Minha experiência com Belo Horizonte é muito isso, uma forma de criar minhas próprias aventuras, minha outra via de entendimento, com seus amores e suas dores”, completa Morone.

O artista

Raphael Morone – Autorretrato

Raphael Morone é formado em Design Gráfico pelo Centro Universitário São Judas Tadeu – UNIMONTE e em Licenciatura em Artes Visuais pela UEMG. Em 2008, co-fundou, em Santos, o coletivoACTION (2008-2013), veículo no qual escreveu sobre música negra e artes gráficas. Iniciou sua trajetória nas artes visuais com a produção de cartazes para o coletivoACTION, a partir de técnicas da computação gráfica, com forte pesquisa sobre o patrimônio cultural e histórico de Santos. Em 2015, mudou-se para Belo Horizonte, lugar que escolheu para continuar seus estudos, motivado pela continuidade da sua produção artística e das relações entre artes visuais e educação.

Participou de exposições no Sesc Santos, na exposição “Varal Design” (2013), e no Espaço do Conhecimento da UFMG, na mostra “O Comum e as Cidades” (2014). É autor das ilustrações e pinturas do disco “Narciso Deu um Grito” (2017), estreia do cantor e compositor mineiro Marcelo Veronez no mercado fonográfico. Tem poemas publicados na Revista Chama, de Belo Horizonte, e também na coletânea “Estados Líquidos”, da Margem Edições.

Atualmente, Raphael Morone utiliza a pintura como suporte artístico e foca sua pesquisa em reflexões sobre fronteiras, a partir de sua condição de migrante, incluindo investigações e abstrações sobre os vestígios da presença humana, da materialidade e da temporalidade das coisas nas paisagens.

Serviço: “Pãozin de Cará: entre o porto e as montanhas”
Pré-venda até 19/12 pelo link www.margemedicoes.com/loja 
Autor: Raphael Morone
Editora: Margem Edições
200 páginas | capa dura | encadernação artesanal
Valor promocional: R$ 210

Cultura

Museu Mineiro inaugura exposição coletiva ““Poder sair, poder chegar, poder viver””
4 11 2021 minimuseumineiro
Imagem: João Castilho 

O Museu Mineiro inaugura nesta sexta-feira, 05 de novembro, às 19 horas, a exposição temporária coletiva “Poder sair, poder chegar, poder viver”, que reúne obras de 14 artistas em diferentes linguagens, como pintura, escultura, fotografia e audiovisual.

Inspirada na canção “Terra Prometida”, do cantor e compositor brasileiro Vinicius de Moraes, a mostra tem por intuito falar do direito mais primordial dos seres: ir e vir, sair e chegar.

“A reabertura dos museus e espaços culturais é o sintoma mais cândido de melhora das condições massacrantes impostas pela pandemia do Sars-Covid-2”, comenta Rafael Perpétuo, coordenador do Museu Mineiro e curador da exposição. “O que buscamos é uma prometida terra, sem doenças, misérias, corrupção. É o que o povo merece depois de mais de ano sofrendo as consequências de um mundo desequilibrado”, complementa.

Para a exposição foram convidados artistas contemporâneos e selecionadas obras do acervo do próprio Museu Mineiro que, juntas, conversam entre si, em narrativas que abordam caminhadas, chegadas e partidas, novos começos e perspectivas de futuro.

Obras de Paulo Nazareth a Tarsila do Amaral

Dentre os trabalhos expostos destaca-se a série de vídeos do consagrado artista Paulo Nazareth. Produzidos entre os anos de 2012 e 2013, “Cine África”, “Árvore do Esquecimento”, “Ipê Amarelo” e “Cine Brazil” falam sobre o tempo e têm como pano de fundo locais muito reconhecíveis da cidade de Belo Horizonte. Outro destaque é a série de gravuras da artista Tarsila do Amaral, o conjunto, que pertence ao acervo do Museu Mineiro, rememora a pureza do contato humano com a natureza, espaço no qual, por um período, tivemos de ficar afastados durante a pandemia, assim como dos museus.

Para Rafael Perpétuo, “a arte tem dessas coisas, de mostrar novos caminhos, novas possibilidades, instigar as reflexões. Esta exposição tem a intenção de renovar esperanças e ampliar o olhar do público, especialmente porque apresentamos diálogos entre artistas jovens e obras de nosso acervo, demonstrando os aspectos atemporais da arte”. E completa: “os museus, de longe, são os espaços culturais mais seguros, antes mesmo da pandemia, já tínhamos protocolos bastante rígidos: limite de público, acessibilidade, cuidados com o espaço e obras. Logo, é importante entender como um sinal de que há uma vida por se renovar nesse momento”.

A exposição ficará em cartaz até 28 de novembro de 2021, e a entrada é gratuita.

Relação de artistas e obras:

Bárbara Schall: “Platea” – video, 2021
Bruno Rios: “Monuments of Paquetá” – fotografia, texto e matérias de jornal, 2017
Clarice Steinmüller: “Faço Carreto” – vídeo, 2016
Irma Renault: “O ano todo acontecem concursos, festivais” – desenho, 1985
João Castilho – Paisagem Submersa – fotografia, 2006
José Alberto Bahia: “A Dança do Tempo” – texto autoral, 2021
Lucas Dupin: Sem título (pedagogia) – vídeo, 2018
Noemi Assumpção: “Condição Atual” – vídeo, 2020/2021
Paulo Amaral: “Colégio Marista” – pintura, 1980
Paulo Nazareth: “Cine África”, “Árvore do Esquecimento”, “Ipê Amarelo”, “Cine Brazil” – vídeo, 2012/2013
Renato de Lima: “Flagrante”; “Vista do Interior” – pintura, séc. XX e 1932
Shima:  “Agora” – vídeo, 2020
Simone Pazzini: “Utopia Scoth Bar” – video e escultura, 2020
Tarsila do Amaral: Série “Natureza” – gravura, séc. XX

Serviço: 
Exposição temporária “Poder sair, poder chegar, poder viver”
Período: 06 a 28 de novembro de 2021
Horário: terça a sexta das 12h às 19h, sábado e domingo das 11h às 17h
Local: Museu Mineiro
Av. João Pinheiro, 342 – Centro – BH/MG
E-mail: museumineiro@secult.mg.gov.br 
Facebook: https://www.facebook.com/museumineiro.mg/
Instagram: https://www.instagram.com/museumineiro/
Site: http://www.museumineiro.mg.gov.br/

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/