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Tecnologia

Juiz-forana de apenas 15 anos descobre oito asteroides

Integrante de projeto da Nasa, estudante analisou imagens inéditas captadas por um telescópio no Havaí

Rafaella Bovaretto passou um mês observando imagens do espaço vindas do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí (Foto: Fernando Priamo)

Depois de um mês analisando, diariamente, imagens do espaço vindas do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí, a estudante Rafaella Bovaretto, de apenas 15 anos, descobriu oito asteroides que ainda não tinham sido detectados. Ela participou do último programa “Caçador de Asteroides”, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), que é realizado no Brasil em parceria com o International Astronomical Search Collaboration (IASC/NASA). A conquista foi mais um incentivo para a adolescente que sonha em espalhar, de forma simples, o conhecimento científico.

Durante o programa, semanalmente, ela recebia pela internet pacotes de imagens da Nasa que eram analisados em um software disponibilizado para os participantes. Após muita observação, foi possível perceber alguns objetos que se movimentavam no espaço. “O que não é asteroide fica parado, mas quando você identifica ele, você vê um pontinho que se move, ele fica pulando”, explica Rafaella. Assim que o participante detecta, inicialmente, o asteroide, ele deve nomeá-lo com as letras iniciais do próprio nome e enviar um relatório descrevendo os dados que possibilitaram a identificação. Procedimento que a Rafaela fez oito vezes. Após essa primeira análise, o programa libera uma lista preliminar com aqueles asteroides que foram considerados inéditos.

Quem conseguir descobrir novos asteroides têm a oportunidade de nomeá-los como quiser, mas a análise feita pela Nasa para que isso aconteça, de forma definitiva, pode demorar até 10 anos. Mesmo diante dessa espera, a estudante já tem pensado em quais nomes vai querer dar para as oito descobertas. “Quero dar o nome do meu pai, da minha mãe, da minha irmã, das minhas cachorras e também de um cientista que sempre me inspirou muito que é o Carl Sagan.”

Um sonho antigo

Desde os 6 anos, Rafaella se interessa por Astronomia e está sempre estudando sobre a área para adquirir novos conhecimentos. Para fazer com que esse conhecimento não se restrinja apenas ao meio científico, ela criou um perfil no Instagram onde faz divulgação de curiosidades sobre astronomia, cientistas, teorias espaciais, além de compartilhar sua rotina de estudo. “Um sonho meu é fazer divulgação científica, dar palestras, dar aulas sobre astronomia e trabalhar na área de pesquisa que eu acho incrível, estudar sobre isso.”

Por isso, a descoberta foi tão importante, já que, além de ter conquistado uma realização pessoal, a estudante com apenas 15 anos conseguiu contribuir também com o meio científico. “Eu penso que eu posso ter participado desse programa e achado alguns pedacinhos do céu que podem ser meus. Mas essa descoberta também vai conseguir ajudar a determinar onde estão esses asteroides, se existe algum risco de colidir com a terra.”

O Caça Asteroides

O Caça Asteroides MCTI é um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, em parceria com o International Astronomical Search Collaboration (Iasc/Nasa). As atividades desenvolvidas buscam popularizar a ciência entre cidadãos voluntários. Não é necessário que o participante tenha conhecimento prévio para participar da campanha, já que receberá informações e treinamento on-line necessários para a realização das atividades. Ao final do período, os inscritos recebem certificado internacional, e as equipes que se destacaram poderão receber medalhas.

O programa é de abrangência nacional e internacional e permite que os novos cientistas cidadãos façam descobertas astronômicas originais e participem da astronomia prática. Ele conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência vinculada ao MCTI, Instituto Brasileiro de Informações em Ciência e Tecnologia (IBICT), unidade de pesquisa vinculada ao MCTI e a Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso (SEDUC).

Fonte: https://tribunademinas.com.br/