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Cultura

Fundação Clóvis Salgado recebe a exposição “Luz do Norte”, com imagens exibidas no 10º Festival de Fotografia de Tiradentes

CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais recebe, a partir da próxima sexta-feira, fotografias de 33 artistas da região Norte do Brasil

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Imagem: Alberto Cesar Araujo

Na incessante busca pela força das imagens fotográficas, o Foto em Pauta na Estrada seguiu, após duas viagens – uma ao Centro-Oeste e outra ao Sul do Brasil – para a região Norte. A partir da passagem por Belém (PA), Manaus (AM), Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO), Eugênio Sávio, Curador Geral do Festival, junto com os fotógrafos João Castilho e Pedro David, curadores da exposição, se encontraram com mais de 100 artistas profissionais, intermediários e iniciantes. A viagem teve como resultado a mostra Luz do Norte, que integrou, em 2020, a programação do 10º Festival de Fotografia de Tiradentes. Agora, a partir de 1º de outubro de 2021 até o dia 4 de dezembro de 2021, Luz do Norte vai ocupar a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais, com obras de 33 artistas, inseridas em três eixos expográficos centrais: experimentalismo, atualidade e cotidiano da região amazônica.

Eugênio Sávio conta que a motivação para essa exposição continua partindo da vontade e necessidade de explorar outras regiões brasileiras fora do eixo Rio-São Paulo, e apresentar o projeto Foto em Pauta para os artistas locais. “Assim como foi feito na região Sul e Centro-Oeste, realizamos palestras em quatro capitais do Norte do país, apresentando o projeto e contando sobre nossa trajetória. Nos colocamos abertos para conhecer as obras dos fotógrafos locais que se dispuseram a participar, analisando os portfólios, sempre em um movimento de troca e escuta”, ressalta Sávio.

O curador também destaca a importância da itinerância do Festival, que ocupa a CâmeraSete ao final de cada ano. “É muito importante ocupar um espaço de referência na capital mineira, tanto para a difusão do próprio trabalho dos fotógrafos selecionados, quanto para a manutenção desse espaço tão necessário, dedicado exclusivamente à Fotografia”, ressalta.

A exposição Luz do Norte – Foto em Pauta é realizada pelo Governo de Minas Gerais, através da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, pela Fundação Clóvis Salgado, e correalizada pela Appa – Artes e Cultura. A mostra tem o patrocínio Master CemigUnimed-BH / Instituto Unimed-BH e AngloGold Ashanti, e patrocínio Prata da Vivo. Todos os incentivos são via Lei Federal e Lei Estadual de Incentivo à Cultura. A exposição também conta com o apoio da CBMM e do Itaú.

A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

A exposição: eixos curatoriais
A viagem até as quatro cidades do Norte do Brasil – Belém (PA), Manaus (AM), Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO) – foi realizada em janeiro de 2020, durante duas semanas. Segundo os curadores, dentre as obras apresentadas e selecionadas, foi possível estabelecer três eixos curatoriais que norteiam a exposição. O primeiro é o experimento feito na própria prática fotográfica, a manipulação imagética. Segundo o curador João Castilho, “o experimentalismo permite não ficar preso à realidade, mas buscar o delírio, uma espécie de realidade delirante. Uma fotografia de vanguarda”, explica.

Os acontecimentos e desdobramentos atuais sofridos pela fauna e flora amazônica configuram o segundo eixo expográfico – imagens que retratam queimadas, desmatamento e desertificação estão entre as selecionadas para a mostra. O terceiro eixo reúne fotografias que tratam do cotidiano e das tradições da população local. Segundo Castilho, ele é voltado para a abordagem do dia-a-dia ribeirinho, da arquitetura particular das comunidades nortistas e dos personagens que constroem a história do local.

Fazem parte da exposição 33 fotógrafos/coletivos, dentre eles sete fotógrafos amazonenses: Alberto César Araújo, Bruno Kelly, Felipe Fernandes, Juliana Pesqueira, Nico Ambrosio, Paulo Desana e Raphael Alves; 14 fotógrafos paraenses: Alberto Bitar, Alexandre Sequeira, Duda Santana, José Viana, Joyce Nabiça, Katja Hölldampf, Miguel Chikaoka, Nayara Jinknss, Nailana Thiely, Raio Verde, Rodrigo José Correia, Suzane Oliveira, Ursula Bahia e Walda Marques; sete artistas rondonienses: Beethoven Delano, Coletivo Madeirista, Marcela Bonfim, Natali Araújo, Renata Kelly da Silva, Saulo de Sousa, Ubiratan Surui; quatro fotógrafos acrianos, Danilo de S’Acre, Dhárcules Pinheiro, Fabiano Carvalho e Hannah Lydia; e a amapaense Andréa Bernardelli.

Na estrada: novos caminhos
Antes da viagem ao Norte do país, a equipe Foto em Pauta já havia realizado duas caravanas que seguiam a mesma metodologia de encontros. As viagens resultaram nas exposições Vento Sul, que compôs a programação do 9º Festival de Fotografia de Tiradentes e ocupou a CâmeraSete em 2019, e reuniu obras de artistas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, e Transoeste, parte da 8ª edição do Festival de Fotografia de Tiradentes, que aconteceu em 2018, e reuniu obras de artistas do Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, e Goiás. Segundo Pedro David, a viagem ao Norte do país seguiu a mesma lógica: em um processo curatorial intenso, inúmeros portfólios foram analisados, buscando fotografias de artistas locais com trabalhos de expressão pessoal livre.

“É um modelo que nos permite o encontro com as pessoas, a conversa com os artistas. Não é só a imagem, é a história por trás da imagem”, explica Pedro David. Segundo o curador, há uma constante busca pela diversidade de obras. “Buscamos trabalhos aprofundados, já feitos por artistas locais. Isso permite que a gente faça viagens rápidas, mas buscando trabalhos já feitos há tempos e, por isso, mais profundos”, complementa. Ambos os curadores são, na prática cotidiana, fotógrafos – o que apura a seleção e leva o olhar para o lado mais artístico.

João Castilho acrescenta ainda a importância de os curadores irem a campo, especialmente em tempos que as atividades são feitas incessantemente de forma on-line – a viagem, relembramos, foi realizada antes do período de isolamento social causado pela pandemia. “É importante ir aos lugares, sentir o clima, percorrer espaços, ter contato com os artistas no lugar deles. Hoje, a curadoria ir a campo é raro, na maioria das vezes isso é feito pela internet”, explica.

Foto em Pauta
Com o objetivo de trazer para Belo Horizonte as figuras mais relevantes da produção fotográfica brasileira, o Foto em Pauta é uma iniciativa que acontece na capital mineira desde 2004 e fomenta o diálogo entre público e autores. Nos encontros, o público tem a chance não só de conhecer as obras de grandes fotógrafos, mas também conversar com os artistas, em debates abertos ao público. Depois de oito anos de sucesso do projeto Foto em Pauta, foi criado o Festival de Fotografia na cidade de Tiradentes, que acontece no primeiro semestre do ano, entre o Carnaval e a Semana Santa, e conta com atividades ministradas por grandes nomes da fotografia no Brasil e no mundo.

Medidas de segurança
Para evitar aglomerações, a CâmeraSete – Casa de Fotografia de Minas Gerais contará com sinalização nas áreas externas e internas para garantir distanciamento entre as pessoas durante a visitação. O uso de máscaras – tanto para visitantes quanto funcionários – é obrigatório. Todos os ambientes da CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais são higienizados diariamente antes da abertura ao público e também são disponibilizados tapetes para a limpeza de calçados, assim como álcool em gel 70% para desinfecção das mãos.

O número de visitantes está reduzido para 7 pessoas por vez, e os visitantes deverão seguir recomendações como evitar conversar, manusear telefone celular, ou tocar no rosto durante a permanência no interior do Centro Cultural; cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar; realizar a higienização das mãos ao entrar e sair do espaço; seguir sempre as instruções dos funcionários e não frequentar a galeria caso apresente qualquer sintoma de resfriado ou gripe.

Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, Belo Horizonte – MG

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/