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Cultura

Descobertas culturais marcam primeira edição do Festival Brasil-Luxemburgo

Programação conta com documentário e exposição interativa que permitem a participação do público

Os cem anos de atividade siderúrgica em Minas Gerais no século XX são o ponto de partida para a primeira edição do Festival Brasil-Luxemburgo, evento lançado no sábado (26/2), durante solenidade no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. A festividade celebra as relações entre Minas Gerais e Luxemburgo, revelando características culturais e outros aspectos surgidos a partir dos laços criados entre os dois territórios. 

Promovido pelo Consulado Honorário de Luxemburgo em Minas Gerais, com apoio da Embaixada de Luxemburgo e da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), o Festival integra a parceria firmada a partir da assinatura de protocolo de intenções Secult e a Embaixada de Luxemburgo, em reunião realizada pelo secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, e o embaixador de Luxemburgo no Brasil, Carlo Krieger, em novembro de 2021. 

De acordo com o secretário Leônidas Oliveira, a primeira edição do Festival Brasil-Luxemburgo celebra, para além dos laços construídos pelos dois países em um século, as relações sociais proporcionadas pelo encontro de duas culturas distintas. Para o titular da Secult, o evento propõe descobertas, encontros e reflexões capazes de conectar, ainda mais, as duas nações. 

“A tradição mineradora vem transformando Minas Gerais. Mas muito mais do que isso, temos um legado surpreendente com a mineração. Os maiores sítios barrocos estão aqui e são, também, patrimônio histórico da humanidade. O legado cultural entre montanhas se forma a partir do mineiro, quando nos denominamos assim, nos colocamos como filhos da mineração. Uma atividade que trouxe e traz, obviamente, questões, dilemas e desafios em relação à sustentabilidade e ao meio ambiente, e proporciona reflexões sobre o mundo em que estamos vivendo”, apontou. 

O secretário também destaca a importância do turismo para a diversificação da atividade econômica em Minas Gerais. “O turismo é pujante em Minas. No ano passado movimentou R$ 8,5 bilhões na economia mineira e, em sete meses, desde o lançamento do Reviva Turismo, foram 27 mil empregos gerados graças às atividades no setor. O turismo torna-se, assim, junto com a mineração, uma alternativa importante ao usar esse legado para continuar a construção de um crescimento econômico sustentável em Minas Gerais”, disse. 

História

O festival multicultural Brasil-Luxemburgo é baseado na histórica relação entre os dois países, criada a partir de atividades mineradoras e siderúrgicas. O evento aborda múltiplos conceitos relacionados à memória do povo mineiro e da população brasileira, a partir das lembranças dos moradores mais antigos do bairro Luxemburgo, um dos mais centrais e tradicionais de Belo Horizonte. 

A proposta do festival é valorizar a produção cultural e artística mineiras e favorecer a ascensão de produtores culturais e artistas brasileiros na Europa e a divulgação de aspectos ainda desconhecidos da história da relação entre os países. Totalmente gratuito, o evento terá apresentações musicais, exibição de filmes e fotografias. Destaque para o documentário “A Colônia Luxemburguesa”, de Dominique Santana, sobre a relação entre os dois países. 

O embaixador luxemburguês no Brasil, Carlo Kireger, lembrou que a produção cultural é aspecto relevante para narrar as histórias surgidas a partir das relações firmadas entre os povos. “O documentário de Dominique Santana nos mostra os laços de dois países que trabalham juntos, e a indústria siderúrgica mineira está presente em Esch-Alzette 2022, a capital cultural da Europa, contando tudo o que foi criado a partir do trabalho dos nossos países”, pontuou. 

Programação

A partir de 4 de março, o público de todo Brasil pode viajar pela história cultural e comercial das relações entre Minas e Luxemburgo pela plataforma digital (www.colonia.lu). Um dia antes, em 3 de março, com exclusividade, os mineiros têm acesso a esse percurso, por meio de um quiosque de aço instalado no jardim do Palácio da Liberdade. 

O espaço intitulado [L]AÇO – referência à siderurgia, ao afeto e à memória – abrigará na data, de 9h às 16h, uma exposição transmídia gratuita (ingressos no Sympla), com iPads que conectam, de maneira interativa, ao documentário “A Colônia Luxemburguesa”. O filme foi dirigido pela historiadora Dominique Santana (LUX) e produzido pela Samsa Film – maior produtora cinematográfica de Luxemburgo.

E o Festival continua de 9 de março até outubro de 2022, em João Monlevade (MG) – símbolo da siderurgia em Minas, com grande influência luxemburguesa. A localidade recebe exposição de fotografias históricas sob curadoria de Clarice Fonseca, que também assina a produção do evento. A artista plástica brasileira-luxemburguesa Joanna Scharlé expõe, na Prefeitura da cidade, uma série inédita com recorte na sua produção mais recente, mesclando pintura em acrílica, nanquim e telas produzidas com técnica mista. 

O quiosque de aço que carrega a exposição transmídia também será montado na Praça do Povo, em João Monlevade (MG). Ao lado da estrutura, uma padaria produzirá, durante o Festival Brasil-Luxemburgo, o bolinho de carnaval – típico quitute da culinária luxemburguesa, com receita exclusiva desenvolvida pela embaixatriz Nicole Krieger.
Além de trechos do documentário, é possível visitar também pela plataforma, um mapa interativo e animado de João Monlevade da década de 1950, com fotografias, filmes históricos, e ter acesso ainda a micro-histórias de alguns personagens que resgatam as memórias da colônia luxemburguesa, em Minas. 

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/