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Cultura

Festival Artes Vertentes celebra uma década de reflexões por meio da arte

O H₂O e o centenário da Semana de Arte Moderna formam os meandros da programação do evento

10 2 2022 minifestival

Tendo se consolidado como um dos mais importantes festivais de artes integradas do país, o Festival Artes Vertentes – Festival Internacional de Artes de Tiradentes está completando a sua primeira década. A décima edição apresenta, de 10 a 20 de fevereiro, uma intensa programação em torno do elemento Água – mote curatorial da 10ª edição do Festival Artes Vertentes – abrangendo as diversas linguagens artísticas que tradicionalmente integram a programação do festival: música, literatura, cinema, artes visuais e artes cênicas.

Desde 2012, ininterruptamente, o Festival Artes Vertentes vem apresentando uma programação artística que estimula diálogos entre as mais diversas linguagens artísticas e propõe, por meio da arte, reflexões sobre temas de relevância para a sociedade contemporânea. Nas últimas edições, cerca de 250 artistas de 33 países diferentes fizeram parte desta história. Além disso, anualmente, o Artes Vertentes homenageia artistas e personalidades de relevância para a história brasileira – Bárbara Freitag e Sérgio Paulo Rouanet são os homenageados da 10ª edição do Artes Vertentes, dando continuidade a uma série de homenageados que incluem o pianista Nelson Freire (2012), a atriz e bailarina Dorothy Lenner (2019) e até mesmo uma homenagem póstuma à psicóloga Nise da Silveira (2016).

Na sua décima edição, o Festival retoma o formato presencial e continua a trabalhar o mote curatorial Água, iniciado na sua 9ª edição, em 2020. “A água conta a nossa história, passagem entre o reino da vida e da morte, do Velho ao Novo Mundo, território que permite infinita exploração, muitas vezes carregando em si a origem da vida e podendo penetrar os mais inóspitos territórios. Nós somos água.” A edição 2020, que também já abordou o tema, permanece disponível para o público através do canal YouTUbe do festival: www.youtube.com/artesvertentes.

Artes Visuais
Por meio de diferentes linguagens visuais, tais como a ilustração, o desenho, a fotografia e a instalação três exposições gratuitas promovem uma reflexão sobre a água:

A exposição Benjamina, de Nelson Cruz, tem como ponto de partida as árvores centenárias Ficus Benjamina, as quais foram ceifadas da paisagem belorizontina. A exposição apresenta as obras originais que deram origem ao livro homônimo, lançado em 2019 pela Editora Miguilim. O artista visual mineiro, indicado pelo Brasil para o prêmio Hans Cristian Andersen e vencedor do Prêmio Jabuti com o livro Sagatrisuinorana, utiliza papelão como suporte para as obras, promovendo também uma importante discussão sobre a reciclagem de materiais e o papel importante que a arte pode ter nesta cadeia.

A segunda exposição apresenta uma instalação in situ a partir do universo de Cobra Norato, personagem folclórico que habita o imaginário dos povos dos rios brasileiros. Realizada pela ilustradora brasileira Marilda Castanha, o processo criativo envolveu também as crianças, adolescentes e adultos que participam da Ação Cultura Artes Vertentes, projeto sociocultural desenvolvido pelo Festival Artes Vertentes ao longo do ano no município. Falar sobre água através do mito de Cobra Norato é uma maneira de se dar visibilidade à riqueza da sabedoria popular e proporcionar reflexões a preservação da água.

A terceira exposição Entre costas duplicadas desce um rio, apresenta obras de Demóstenes Vargas, François Andes, Guilherme Gontijo Flores, Laura Belém, Mari Mael, Marlon de Paula, Nelson Ramirez de Arellano, Pedro Motta e Rick Rodrigues. Tendo a Água como fio condutor e abordando também as relações mantidas entre o homem e a natureza, a exposição apresenta também o resultado das residências artísticas promovidas pelo Festival Artes Vertentes em 2020 e 2021. A mostra ocupa três prédios históricos do centro de Tiradentes – Sobrado Quatro Cantos (Campus Cultural UFMG), Sobrado Ramalho (IPHAN) e Museu Casa Padre Toledo, além de integrar espaços diretamente ligados ao elemento água em Tiradentes, tais como o Rio das Mortes, o Ribeiro Santo Antônio e o Chafariz São José.

Literatura
A vertente literatura conta com três lançamentos literários, além de leituras, performances e uma série de 7 debates em torno da Água.

O escritor e líder indígena Daniel Munduruku abre a programação numa conversa sobre a Água e sua percepção em diversas cosmovisões, no dia 10, às 18h30. Tendo a água como fio condutor, ele participará ainda da conversa Um mergulho no rio da (minha) memória e outras histórias molhadas, realizada no Centro Cultural Yves Alves, no sábado (12), às 16h.

Daniela Arbex é outro destaque da programação: a escritora e jornalista falará sobre os desastres causados pela mineração em Minas Gerais a partir do seu último livro Arrastados. Daniela Arbex foi a campo para reconstituir em detalhes as primeiras 96 horas após o colapso da Mina do Córrego do Feijão, Em Brumadinho. Ela entrevistou sobreviventes, familiares das vítimas, bombeiros, médicos-legistas, policiais e moradores das áreas atingidas. Arbex retornou à região para acompanhar o impacto das indenizações e contrapartidas institucionais para a reparação dos danos materiais. O livro, publicado pela Intrínseca,  também será lançado no Artes Vertentes.

Já no dia 18, às 18h, o Ciclo Pororoca recebe a jornalista Eliane Brum  para uma mesa-redonda com o tema “A água como ponto de conflito no Brasil contemporâneo”, com a participação também de Ailton Krenak.  Ativista indígena dos direitos humanos nascido em 1953, no Vale do rio Doce, Minas Gerais, e pertencente à etnia Krenak, Ailton Krenak também estará presente na última conversa do ciclo, no domingo (20), às 16h, junto com Marília Melo, Secretária do Meio Ambiente de Minas Gerais

O livro “Entre costas duplicadas desce um rio” – apresenta o resultado da residência artística do poeta e escritor Guilherme Gontijo Flores, realizada em Tiradentes a convite do Festival Artes Vertentes, em novembro de 2020. Nesta ocasião, inspirado pela presença da água no município de Tiradentes e na região, da rica biodiversidade ligada a este elemento, do Rio das Mortes e do simbolismo deste curso fluvial na história de Minas Gerais, o poeta trabalhou na criação de textos inéditos, realizando um trabalho em diálogo com desenhos de autoria do artista visual francês François Andes. A obra bilíngue (editora Ars et Vita), apresenta 13 poemas inéditos de Gontijo Flores, vencedor do prêmio Jabuti e APCA, e uma série de desenhos realizados por François Andes, nos quais o rio é o elemento predominante.  “A ideia é fomentar a criação de um trabalho inédito, levando em consideração todos os aspectos geográficos, históricos e simbólicos do rio, assim como a presença da água no entorno de Tiradentes. Do importante papel que este curso fluvial exerceu durante a Guerra dos Emboabas à importante biodiversidade de libélulas existente em Tiradentes”, aponta o curador do festival. 

Música
O conjunto de Canções de Villa-Lobos, interpretado pelo soprano Eliane Coelho, já presta a primeira homenagem ao repertório executado durante a Semana de Arte Moderna de 1922. O concerto de abertura marca também a estreia de André Mehmari, no Artes Vertentes. O pianista e compositor paulista será o compositor em residência da 10ª edição do festival. Além da Suíte Brasileira, transcrita pelo compositor para fagote e piano, o público poderá ouvir, nos concertos, a Música Noturna e Aurora, o Choro Breve, a Viagem de Verão, a Sonata para viola e as Variações Villa-Lobos de Mehmari. O artista também realizará o encerramento do Festival Artes Vertentes, no dia 20 de fevereiro, ao lado da cantora Mônica Salmaso.

No âmbito das comemorações do centenário da Semana de Arte Moderna, o Festival Artes Vertentes apresenta, ainda, a integral das Sonatas para violino e piano de Heitor Villa-Lobos, interpretadas pelos violinistas Ara Harutyunyan e Stepan Yakovitch e pelos pianistas Jacob Katsnelson, Cristian Budu e Gustavo Carvalho.

Já o elemento H₂O esculpe os meandros da programação musical em diversos concertos. No sábado, 12/02, um programa completo é concebido em torno da Ilha. “Ao lado de obras clássicas do repertório, como L’isleJoyeuse, de Debussy, o público poderá descobrir o universo musical da renomada compositora sul-coreana Yong hi Pagh-Paan, através da obra A ilha nada”, ressalta o curador. No concerto, Eliane Coelho apresenta também as Chansons madécassesI, de Maurice Ravel, ao lado da flautista Cássia Lima e do violoncelista Julian Arp. No domingo, 13/02, um concerto dedicado ao público infantil apresenta o Carnaval dos Animais, incitando a uma reflexão sobre as relações mantidas entre o homem e a natureza, por meio da música. Para isso, um texto, que acompanhará a obra do compositor francês, foi encomendado pelo Festival Artes Vertentes para a escritora premiada Maria Valéria Rezende. Vox Balanae, de Georges Crumb completa o programa musical.

Outros destaques da programação musical incluem a obra “O naufrágio do Titanic”, do compositor britânico Gavin Bryars, e o Quinteto “A Truta”, de Franz Schubert, com a participação de Cristian Budu, Stepan Yakovitch, Razvan Popovici e Augusto Andrade.

Os recitais acontecem de 10 a 20 de fevereiro, diariamente, nos seguintes locais: Matriz Santo Antônio, Igreja São João Evangelista e Museu Casa Padre Toledo, em horários variados (verificar os horários em www.artesvertentes.com). O Ingresso custa R$40,00 (inteira) e R$ 20 (meia) e pode ser adquirido pelo site www.artesvertentes.com.

Artes cênicas
Nas artes cênicas, destaque para o espetáculo “Velejando desertos remotos”, no Centro Cultural Yves Alves (Rua Direita, 168 – Centro – Tiradentes – MG), no dia 18 de fevereiro, sexta-feira, às 19h30. A peça é livremente inspirada no livro ‘As Cidades Invisíveis’, de Ítalo Calvino. “Velejando desertos remotos” se ancora numa atmosfera onírica de onde emergem seres, gestos, relações entre viajantes que caminham em última instância, sós, em busca de si mesmos. Seguindo os caminhos do grande viajante Marco Polo, personagem central da obra, a viagem e o deserto servem de metáforas para a descoberta da vastidão existente dentro de cada um, na cena ou fora dela. Ingresso: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

Cinema
8 filmes de ficção, não-ficção e animação enriquecem a reflexão em torno da Água na programação do Festival Artes Vertentes. Entre os destaques, figuram Lavra, de Lucas Bambozzi, e O adeus, da cineasta russa Larissa Shepitko, além de clássicos como Morte em Veneza, de Luchino Visconti e A lenda do pianista do mar, de Giuseppe Tornatore.

No dia 19 de fevereiro, às 20h, no Jardim do Museu Casa Padre Toledo, a programação do Artes Vertentes apresenta a performance Água que somos, reunindo uma performance literária dos poetas Ana Martins Marques e Guilherme Gontijo Flores e documentários do cineasta francês Jean Painlevé, um dos pioneiros do cinema submarino.

O Festival Artes Vertentes é realizado com o patrocínio da Copasa, Usiminas, Gasmig, Minasmáquinas Mercedes-Benz e BDMG Cultural.

Mais informações em www.artesvertentes.com

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/