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Cultura

CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais recebe a exposição Cosmopolíticas

Mostra reúne imagens que integraram a programação do Foto em Pauta – 11º Festival de Fotografia de Tiradentes 

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Imagem: Breno Rotatori 

A Fundação Clóvis Salgado recebe, a partir do dia 1º de junho de 2022 (quarta-feira), imagens que compuseram o Festival de Fotografia de Tiradentes, um dos mais importantes eventos de difusão da arte fotográfica no país. A mostra Foto em Pauta – Cosmopolíticas, que fez parte da 11ª edição do Festival, ocupará a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais até 13 de agosto de 2022 (sábado). A exposição, assinada pelos curadores Pedro David e João Castilho, juntos de Eugênio Sávio, curador geral do Festival, reúne obras de 12 artistas brasileiros que trabalham com a fotografia em torno de uma política da natureza que ocorre através dos corpos, das ausências e dos territórios.

A mostra apresenta obras dos fotógrafos Araquém Alcântara, Bárbara Lissa e Maria Vaz (Duo Paisagens Móveis), Breno Rotatori, Denilson Baniwa, Eustáquio Neves, Francilins, Gilvan Barreto, Julia Baumfeld, Luisa Dörr, Paulo Nazareth e Tuane Eggers. O eixo temático Cosmopolíticas, que une as imagens como um fio condutor, foi cunhado pela filósofa e historiadora belga Isabelle Stengers.

A ideia de Cosmopolítica se dá como uma tentativa de politizar o fazer científico, dando espaço a teorias que por vezes foram desconsideradas pelos estudos tradicionais. A desqualificação de diferentes formas de abranger a natureza – como a magia, por exemplo – é confrontada. No pensamento cosmopolítico, deve-se levar a sério, discutir e, acima de tudo, problematizar a própria ciência moderna, reconhecendo a existência de diferentes formas de se enxergar o mundo.

A mostra reafirma a importância da itinerância do Festival de Fotografia de Tiradentes, que ocupa a CâmeraSete – espaço de referência na capital mineira, tanto para a difusão do próprio trabalho dos fotógrafos selecionados, quanto para a manutenção desse espaço tão necessário, dedicado exclusivamente à fotografia.

Novos caminhos
A mostra Cosmopolíticas surge a partir de um processo curatorial que encerra a trilogia de caravanas realizadas pelos curadores nos últimos anos, seguindo um novo rumo de pesquisa e escolha das obras. O projeto Foto em Pauta na Estrada, motivado pela vontade e necessidade de explorar outras regiões brasileiras fora do eixo Rio-São Paulo, apresentou mostras com obras de artistas das regiões Norte, Centro-Oeste e Sul do Brasil. As exposições Luz Do Norte (10ª Edição), Vento Sul (9ª Edição), e Transoeste (8ª Edição), ocuparam a CâmeraSete com imagens potentes e reveladoras, difundindo a arte de diversos fotógrafos do país.

Segundo João Castilho, a metodologia curatorial foi repensada após o encerramento da trilogia. “O projeto Foto em Pauta na Estrada se encerrou, e a partir daí, discutimos o que fazer. Propus a ideia de ‘Cosmopolítica’, a partir dos estudos de Isabelle Stengers, que desenvolveu essa ideia no final dos anos 1990. A lógica é compreender uma política da terra, que leve em consideração menos a política tradicional dos homens, colocando outros elementos em foco, sejam eles humanos ou não humanos”, explica Castilho.

Cosmopolíticas traz para discussão – e para dentro da fotografia – formas de ouvir através do tempo do outro. Com uma curadoria abrangente, a mostra busca elucidar uma política efetiva, não importada de cima para baixo, decolonial. “A partir dessa proposição, buscamos obras que trabalham dentro de uma perspectiva da paisagem, da composição de um território. Observamos também as cosmopolíticas dos ‘fantasmas’, aqueles que não possuem voz política, como desaparecidos que retornam – as obras buscam trazer esses entes, a essas sombras. A temática das obras também envolve a presença dos corpos, com imagens em retrato. Todas as fotografias passam pela lógica de um respiro, de lugares que precisam ser escutados. Elas se dissolvem nesse conceito, que as permeia”, diz Castilho.

Diferentes formas de reivindicar o mundo
Para Pedro David, a inédita Cosmopolíticas surge com uma lógica de curadoria “tradicional”, realizada a partir de uma busca por trabalhos que dialogaram com a temática proposta. “Nós, que nos consideramos mais artistas que curadores, temos muito carinho pelo Festival. Uma vez que nos propomos realizar uma curadoria sem a provocação que os artistas nos oferecem, o primeiro passo foi discutir a tese central”.

“A Cosmopolítica é uma questão muito contemporânea, e que tem muita relação com a própria proposição artística. Lendo sobre, encontrei o que acredito ser o papel do artista, que tem uma maneira particular, própria de lidar com o mundo: de fazer política, de se expressar, de se colocar, de sobreviver, de tentar mudar o mundo e de trabalhar. O artista traz a forma de reivindicar a realidade de uma maneira diferente, com outras linguagens, outros assuntos”. Para David, uma exposição coletiva é como uma escrita textual: é preciso encadear os parágrafos em uma ordem que faça sentido e que corrobore com o fio condutor.

A mostra traz um recorte do que os curadores identificaram, entre obras de artistas de todos o país, como possível para a ideia da Cosmopolítica. “No próprio Festival observamos muitos trabalhos. Isso é muito importante nas nossas curadorias, pois é um festival inclusivo e com muita adesão de fotógrafos com material para expor. Há oportunidade de leitura de portfólio, de forma muito aberta, com muita conversa e encontro. Isso vai para dentro da nossa curadoria também”, conta David.

O curador destaca que a mostra não é apenas uma reunião de bons trabalhos, mas de obras diversas que formam uma unidade contundente. “Reunimos obras de amigos, colegas de trabalho, e pessoas que vimos dentro do Festival. Até mesmo artistas que não conhecíamos, mas nos propusemos a convidar. Dentro desses doze artistas, temos referências desde quando começamos a fotografar, até pessoas que partiram de um portfólio recente. Essa diversidade é muito importante: convidamos ídolos e colegas, pessoas que vieram a nós em diversos momentos. O curador tem uma importância grande para que os artistas tenham esse acesso. Por isso essa mistura: trabalhos de quem está começando e trabalhos já antigos e estabelecidos”.

Sobre a própria criação artística e seus desdobramentos, Pedro David destaca que o objetivo se difere das produções comuns que servem a uma lógica do capital. “O produto que criamos é inútil: não é um produto comum, não é para um cliente específico, não possui uma utilidade específica. A utilidade é discutir, clarear, trazer questionamentos. Produzimos diferente e vivemos diferente, por causa dessa ideia. A própria arte é uma cosmopolítica”, conclui David.

Foto em Pauta
Com o objetivo de trazer para Belo Horizonte as figuras mais relevantes da produção fotográfica brasileira, o Foto em Pauta é uma iniciativa que acontece na capital mineira desde 2004 e fomenta o diálogo entre público e autores. Nos encontros, o público tem a chance não só de conhecer as obras de grandes fotógrafos, mas também conversar com os artistas, em debates abertos ao público. Depois de oito anos de sucesso do projeto Foto em Pauta, foi criado o Festival de Fotografia na cidade de Tiradentes, que acontece no primeiro semestre do ano, entre o Carnaval e a Semana Santa, e conta com atividades ministradas por grandes nomes da fotografia no Brasil e no mundo.

Ministério do Turismo, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam a exposição Foto em Pauta – Cosmopolíticas, que tem correalização da APPA – Arte e Cultura e do Foto em Pauta – Festival de Fotografia de Tiradentes, patrocínio máster da Cemig, ArcellorMittal, Instituto Unimed-BH, AngloGold Ashanti e Usiminas, e patrocínio prata da Vivo, por meio das Leis Estadual e Federal de Incentivo à Cultura. Tem apoio cultural da CBMM e do Itaú.

A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo.

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/

Cultura

Câmerasete recebe exposições do Prêmio Décio Noviello
FCS Decio Noviello
Galerias Genesco Murta e Arlinda Corrêa Lima também recebem mostras

A Fundação Clóvis Salgado inaugura duas exposições do 2º Prêmio Décio Noviello de Fotografia, que ocuparão a CâmeraSete – Casa de Fotografia de Minas Gerais. As mostras estarão abertas a visitações de 20 de janeiro a 11 de março. Foram contemplados os artistas visuais Chris Tigra (MG) e Matheus Dias (PE), com as exposições “Recostura” e “Campo de Passagem”, respectivamente. Com propostas criativas que reforçam o poder da arte, a nova edição do Prêmio Décio Noviello de Fotografia destaca as lacunas entre passado e presente em que os artistas constroem novas narrativas.

Em Recostura, Chris Tigra expõe em grande escala imagens de mulheres negras escravizadas, trazendo à tona uma memória escravocrata, por vezes renegada, e estruturalmente reproduzida até os dias atuais. Nas fotografias, a artista costura manualmente cordas e ataduras, reconstruindo elos e propondo uma nova forma de enxergar essa realidade.

Já nas fotocolagens de Matheus Dias, estão retratados sua trajetória pessoal e os enfrentamentos e lutas antirracistas e decoloniais, provocando reflexões sobre corpos dissidentes. Campo de Passagem reúne imagens fotográficas recortadas, coladas, sobrepostas, queimadas, unidas a elementos diversos: por meio da intervenção, uma nova realidade é proposta.

Para Eliane Parreiras, presidente da Fundação Clóvis Salgado, a realização do 2º Prêmio Décio Noviello de Fotografia dá continuidade a um programa que valoriza e difunde o trabalho de artistas de todo o Brasil. “Neste ano, consolidamos por meio dessas exposições um dos editais de fomento mais importantes para as Artes Visuais no país. Para nós, é extremamente relevante fomentar a arte fotográfica e estimular a ocupação da Casa de Fotografia de Minas Gerais, espaço essencial dedicado exclusivamente a essa prática”, destaca.

A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

Galerias Genesco Murta e Arlinda Corrêa Lima

A FCS inaugura outras duas exposições do 2º Prêmio Décio Noviello de Artes Visuais, que estarão em cartaz nas galerias Genesco Murta e Arlinda Corrêa Lima. As obras estarão em exibição entre 25 de janeiro a 12 de março de 2022.

Do que fomos feitos e o que deixamos 3

Foram contemplados os artistas visuais João Angelini (DF) e Erre Erre (MG), com as exposições “Do que fomos feitos e o que deixamos” e “Quero dançar sobre as ruínas dos reinos da escuridão”, respectivamente. Construídas a partir de múltiplos suportes, as mostras contarão com pinturas, desenhos, colagens, gravuras, objetos, apropriações artísticas, site specific, instalações, holografias e fotografias. A nova edição do Prêmio Décio Noviello de Arte Visuais busca refletir, a partir dessa diversidade de suportes, sobre o próprio gesto de se construir arte, investigando linguagens e a potência da materialidade enquanto conteúdo ativo que traz significado por si só.

Em Do que fomos feitos e o que deixamos, João Angelini explora os processos manuais e laborais de criação artística, confrontando-os com os labores dos trabalhadores da nossa sociedade, trazendo discussões sobre ocupação territorial, geopolítica e economia. Já Erre Erre constrói suas ruínas a partir da união de diversos fragmentos artísticos que fizeram parte de toda temporalidade de sua carreira. Quero dançar sobre as ruínas dos reinos da escuridão cria narrativas que se reformulam, a partir das mãos do próprio artista, com o tempo.

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/