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Cidades

Conheça Manhuaçu – MG

Emancipado em 5 de novembro 1877, Manhuaçu só passou à condição de cidade alguns anos depois. Nesse período, perdeu uma área territorial que originou mais de 70 municípios da porção leste do estado de Minas Gerais. O primeiro distrito a se emancipar foi Caratinga, em 1890, e os últimos, Reduto e Luisburgo, em 1995. Hoje o município tem 622 km² e continua sendo o maior da micro-região, além de ser pólo-econômico ,de prestação de serviços e oferecer a melhor infra-estrutura hoteleira para turismo da região Vertente do Caparaó. Atualmente, além da sede, os distritos são: Dom Corrêa, São Sebastião do Sacramento, Vila Nova, Realeza, Ponte do Silva, São Pedro do Avaí, Palmeiras do Manhuaçu e Santo Amaro de Minas, com as vilas de Palmeirinhas, Bom Jesus de Realeza.

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O nome do município é originado da palavra indígena mayguaçu, que significa rio grande, numa designação dos índios, os primeiros habitantes, ao rio local.

A ocupação e o povoamento da Zona da Mata, onde está Manhuaçu, tem muita relação com os povos indígenas, mas o desenvolvimento do café, sua principal riqueza, aconteceu com grande destaque durante o Ciclo do Ouro, no Brasil Colônia. Enquanto as regiões de Ouro Preto, São João Del Rei, Mariana e Congonhas se baseavam na extração mineral, a Zona da Mata se dedicava aos produtos agrícolas, justamente para suprir a demanda dos mineradores.

Os primeiros grupos de sertanistas que chegaram às partes dos rios Pomba, Muriaé e Manhuaçu tinham como objetivo a captura dos índios para trabalharem como escravos nas fazendas da Capitania do Rio de Janeiro, além de buscas de riquezas minerais e medicinais (como a planta chamada poaia ou ipecacuanha) e, posteriormente, com a intenção de criar fazendas férteis na região.

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No início do século XIX, o comércio de poaia se estabeleceu em Manhuaçu, através de Domingos Fernandes Lana que, junto com os índios, abriu caminhos para diferentes locais da área recebendo o título de desbravador do Manhuaçu.

Alguns anos mais tarde, o Guarda-Mór Luís Nunes de Carvalho e o Alferes José Rodrigues da Siqueira Bueno, vindos de Ponte Nova e Abre Campo (Manhuaçu pertenceu a Ponte Nova até 1877), implantaram as primeiras unidades de exploração agrícola, usando da mão de obra indígena.

O declínio do ciclo do Ouro intensificou o processo de ocupação da Zona da Mata. Em 1830, a pecuária começou a desdobrar-se para o interior do estado e o café foi expandindo-se. Manhuaçu foi influenciado e, já nesse período, adotou o produto como sua principal cultura. A população deixou a região aurífera e foi para as lavouras de café. Entre 1822 e 1880, a região viu seu número de habitantes saltar de 20 para 430 mil pessoas.

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O café já se tornara, em 1830, o principal produto de exportação de Minas Gerais, sendo a Zona da Mata a maior produtora. Começou pela fronteira com o Rio de Janeiro e depois foi se interiorizando em Minas Gerais:

Na área que hoje corresponde a Manhuaçu, e como forma de pacificar os indígenas que lutavam bravamente contra os invasores brancos, em 1843 foi fundado um aldeamento pelo curador Nicácio Brum da Silveira, no local que hoje é o bairro Ponte da Aldeia.

Diversas fazendas foram surgindo, aumentando desta maneira o número de povoadores, que começaram a trazer suas famílias, criando gado bovino e suíno e iniciando o plantio de café. Em 1846, autorizado pelo curador do município, Antônio Dutra de Carvalho alugou alguns índios para a abertura da primeira estrada.

Três foram os fatores decisivos para a rápida expansão cafeeira: a fácil obtenção de terras adequadas ao cultivo; a abundância de escravos, dispensados da mineração; e os altos preços do café no mercado externo.

Contudo, o transporte era um grande obstáculo e aumentava os custos do café. A solução do problema veio em pouco tempo. As estradas de ferro Leopoldina Railway e Dom Pedro II alcançaram os centros comerciais da região e a produção começou a ser escoada mais rápida e facilmente.

O café criou uma enorme dependência, inclusive uma ligação maior com o Rio de Janeiro, já que era o caminho da exportação, mas foi ele também que impulsionou o crescimento urbano na segunda metade do século XIX. Nesse período foram elevados a município: Mar de Espanha (1851), Juiz de Fora e Ubá (1853), Leopoldina (1854), Muriaé (1855), Cataguases (1875), Manhuaçu (1877) e Carangola (1878).

Imagens do Município de Manhuaçu
Cafeicultor do Trevo – Estátua símbolo de Manhuaçu, homenageando os cafeicultores

Conforme o Diagnóstico Municipal de Manhuaçu (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais – Sebrae, 1996:14): “A parte que corresponde a Manhuaçu, entre 1860 e 1874, também foi influenciada com a chegada de imigrantes alemães, suíços e franceses, vindos da Colônia de Nova Friburgo (RJ) e do Vale do Canaã (ES)”. Na mesma época, havia três povoados, que nucleavam a população residente nas fazendas do atual Manhuaçu: Santa Margarida, São Simão e São Lourenço. Foi neste último que surgiram, em 1872, as primeiras manifestações em prol da emancipação político-administrativa. A freguesia de Manhuaçu foi criada em 1875 e instituída em 1878, enquanto o município foi criado em 5 de novembro de 1877. Sua sede inicialmente foi em São Simão (hoje Simonésia) e transferida para a Vila de São Lourenço em 1881.

Em 1905, a produção cafeeira da Zona da Mata era significativa, sendo Muriaé o maior produtor, com 1,5 milhão de arrobas. Contudo o Rio de Janeiro ainda era o maior produtor nacional, até que a hegemonia fluminense entrou em decadência e foi superada por São Paulo, que antes estava atrás de Minas Gerais. Entre os anos de 1880 e 1930, o café ganhou força na região mineira, foi nesse período em que se desenvolveu a produção de Manhuaçu:

No entanto, em 1896, a disputa pelo poder local entre dois coronéis, Serafim Tibúrcio da Costa e Frederico Antônio Dolabela, teria provocado conseqüências negativas na economia.

Após perder as eleições de modo considerado fraudulento, o Coronel Serafim Tibúrcio pegou em armas, proclamando a República de Manhuaçu, inclusive emitindo títulos de crédito em nome da Fábrica de Pilação de Café e nomeando autoridades. A polícia estadual não conseguiu superar o coronel Tibúrcio e seus homens. Com o apoio das forças federais, o levante foi derrubado e os revoltosos fugiram pelo vale do Manhuaçu até o estado do Espírito Santo.

Castelo do Café – Manhuaçu

Apesar das disputas políticas e dificuldades, no final do século XIX e início do XX, a população de Manhuaçu já dispunha do jornal O Manhuaçu (criado em 1890), da Estrada de Ferro Leopoldina (1915), da Companhia Força e Luz de Manhuaçu (1918) e do Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais (1920). Ainda hoje, vários casarões dessa fase estão de pé e abrigam famílias, empresas e entidades, no trecho antigo da cidade.

Durante o último século famílias italianas e das comunidades árabes se mudaram para Manhuaçu, ampliando a diversidade iniciada com a vinda suíços, franceses e alemães.

Pedra Furada

Pedra Furada

Localizado na zona rural do município de Manhuaçu, o ZM-MH-01 é um Sítio a céu aberto, situado em uma pequena elevação, com declividade média. Os vestígios cerâmicos encontrados apresentam dimensões e formas variadas, que pelo nível de desgaste não é possível perceber a presença de pintura. A área atual do sítio é utilizada para plantio de eucalipto no topo e café no entorno, sendo um dos fatores de destruição, juntamente com construções de uma estrada e de moradias.

Rampa do Testa – Foto: @rampadotesta.manhuacu

Casa de Cultura

Casa de Cultura

Prédio tombado pelo patrimônio histórico municipal que já foi sede da delegacia de policia, e que hoje é sede da Academia Manhuaçuense de Letras, além de abrigar relíquias que fizeram parte da historia do Município de Manhuaçu.

Fonte: https://cdls.org.br/ , https://www.minasgerais.com.br/

Economia

CAFÉ FAZENDA CARMELITO – CAFÉS ESPECIAIS

DAS TERRAS CAFEEIRAS DE MINAS GERAIS ATÉ A SUA MESA!

Rosângela Moura Alves, conhecida popularmente como Rosinha, reside em Santa Margarida – cidade interiorana localizada na região sudoeste de Minas Gerais. Nascida em berço cafeicultor, segue representando a família na arte de produzir café. Sua trajetória iniciou-se em 1999, quando seu pai, José Alves, transferiu um talhão de café para que ela pudesse cuidar.

Em 2005, Rosângela se casou com Eliéser Carmelito e juntos, o casal prosseguiu com o trabalho na cafeicultura, jovens e com pouca experiência não obtiveram êxito nos primeiros anos e pensaram em desistir. No entanto, receberam em sua propriedade um técnico da fundação Hanns Neumann, que explicava sobre as melhorias para a vida do pequeno produtor e também orientava como obter um retorno de qualidade do café.

Por estarem localizados a uma altitude de 1300 metros, descobriram que a topografia dessa lavoura seria ótima para um café especial. Os anos foram passando e a dedicação aumentando até que em 2014, descobriram a pedra filosofal do universo cafeeiro e que, desde então, tem trazido grandes frutos para a família Carmelito.


As mulheres também têm um papel importante na produção, participando da colheita, da secagem, anotações e na separação final, que fazem manualmente, para entregar um bom café.

Com o avanço tecnológico e a facilidade informativa, a comunidade despertou o interesse em participar dos estudos de aperfeiçoamento na qualidade do café, com o objetivo de valorizar cada dia mais os cafés das Matas de Minas.

PLANTAÇÕES DE 20 MIL PÉS DE CAFÉS DA FAMÍLIA EM ALTITUDE ACIMA DE 1.200 METROS

Assim, fundou-se a Cooperativa COOPERFÉLIX na área rural da cidade, localizada no córrego São Félix.

“Hoje temos um café bem selecionado colhido no momento certo e trabalhado na secagem da forma correta. Como resultado desse processo, o plantio trouxe uma colheita de alta qualidade e competitividade, sendo destaques em concursos realizados na região”, diz Rosângela.

PRÊMIOS ALCANÇADOS PELO CONCURSO “FORÇA CAFÉ”


PREMIAÇÕES
2014 – 3° Lugar Municipal Emater
2° Lugar regional Emater


2015 – 2° Lugar Coocafé
•Finalista Regional Emater

2016 – 3° Lugar Força Café
•Finalista Regional Emater


2017 – 1° Lugar municipal Emater
4° lugar Força Café
•Finalistas Regional da Emater
3° Lugar Coocafé

2018 – 1° Lugar Força Café natural
2° Lugar municipal da Emater
•Finalistas Florada Premiada


2019 – 1° Lugar Força Café
•Finalista Florada Premiada
•Finalistas Regional Emater


2020 -11° Lugar no COFFEE OF THE YEAR BRASIL

Fotos: Rosângela Moura

Texto: Mariana Rocha Soares Dutra – Cursando ciências biológicas, formação de mestrado em terapia reikiana alternativa.  Instagram: @marianarocha_226
Contato: (31)9.8338-0188