Tag Archives: 325 anos

Turismo & Lazer

Conheça um pouco da História de Mariana: A primeira cidade de Minas

Ouro, fé, arte e pioneirismo marcam os três séculos da histórica Mariana

Primeira capital, primeira vila, sede do primeiro bispado e primeira cidade a ser projetada em Minas Gerais. A história de Mariana, que tem como cenário um período de descobertas, religiosidade, projeção artística e busca pelo ouro, é marcada também pelo pioneirismo de uma região que há três séculos guarda riquezas que nos remetem ao tempo do Brasil Colônia. 

Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas liderados por Salvador Fernandes Furtado de Mendonça encontraram ouro em um rio batizado de Ribeirão Nossa Senhora do Carmo. Às suas margens nasceu o arraial de Nossa Senhora do Carmo, que logo assumiria uma função estratégica no jogo de poder determinado pelo ouro. O local se transformou em um dos principais fornecedores deste minério para Portugal e, pouco tempo depois, tornou-se a primeira vila criada na então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Lá foi estabelecida também a primeira capital. 

Em 1711 o arraial de Nossa Senhora do Carmo foi elevado à Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo. Em 1745 o rei de Portugual, Dom João V, elevou a vila a categoria de cidade, nomeada como Mariana, uma homenagem à rainha Maria Ana D’Austria, sua esposa. Transformando-se no centro religioso do Estado, nesta mesma época a cidade passou a ser sede do primeiro bispado mineiro. Para isso, foi enviado, do Maranhão, o bispo D. Frei Manoel da Cruz. Sua trajetória realizada por terra durou um ano e dois meses e foi considerada um feito bastante representativo no Brasil Colônia. Um projeto urbanístico se fez necessário, sendo elaborado pelo engenheiro portugues militar José Fernandes Pinto de Alpoim. Ruas em linha reta e praças retangulares são características da primeira cidade planejada de Minas e uma das primeiras do Brasil.  

Além de guardar relíquias e casarios coloniais que contam parte da história do país, em Mariana nasceram personagens representativos da cultura brasileira. Entre eles estão o poeta e inconfidente Cláudio Manuel da Costa, o pintor sacro Manuel da Costa Ataíde e Frei Santa Rita Durão, autor do poema “Caramuru”. 

Pioneira em comunicação, nas suas terras foi instalada a primeira agência dos Correios no Estado, em 1730. Na época conhecida como “Correio Ambulante”, ela estabelecia a comunicação entre Rio de Janeiro, São Paulo e a capital mineira.

Em 1945, Mariana recebe do presidente Getúlio Vargas o título de Monumento Nacional por seu “significativo patrimônio histórico, religioso e cultural” e ativa participação na vida cívica e política do país, contribuindo na Independência, no Império e na República, para a formação da nacionalidade brasileira. 

Todo ano, em 16 de julho, Dia de Minas, o Governo do Estado de Minas Gerais instala-se na cidade, realizando cerimônia alusiva na Praça Minas Gerais que, pela harmonia e beleza plástica de seus monumentos, é um expressivo conjunto urbano da Minas colonial. 

A extração do minério de ferro é a principal atividade industrial do município, forte geradora de empregos e receita pública. Seus distritos desenvolvem atividades agropecuárias e apresentam artesanato variado, expressando a diversidade cultural de Minas Gerais. 

Tudo isso faz da “primeira de Minas” um dos municípios mais importantes do Circuito do Ouro e parte integrante da Trilha dos Inconfidentes e do Circuito Estrada Real. Uma cidade tombada em 1945 como Monumento Nacional e repleta de riquezas do período em que começou a ser traçada a história de Minas Gerais.

Os atrativos da charmosa cidade são vários, mas merecem destaque a Igreja São Francisco de Assis e a Igreja Nossa Senhora do Carmo, localizadas na Praça Minas Gerais e conhecidas como igrejas gêmeas. Já a Igreja São Pedro dos Clérigos é admirada pelo seu visual diferenciado, que confere uma beleza especial a mesma e a destaca em meio a paisagem.

Igreja Nossa Senhora do Carmo

Igreja Nossa Senhora do Carmo

Com sua forma retangular, a charmosa igreja apresenta inovações trazidas pela terceira fase do Barroco Mineiro, o estilo Rococó como uma belíssima portada ornamentada com o brasão da irmandade esculpida em pedra-sabão. O templo foi restaurado após um incêndio e hoje exibe grande parte das obras que lhe conferiram fama. Curiosamente, o altar-mor não foi consumido pelas chamas, o que reforça a crença na santidade do templo.

Igreja São Francisco de Assis

Igreja São Francisco de Assis

Um dos mais interessantes templos de Mariana. Uma igreja que causa arrepios, tanto por sua fantástica arquitetura quanto pelas 95 sepulturas presentes em seu interior. Uma delas, inclusive, é do renomado escultor Mestre Ataíde, que produziu os painéis nos forros da nave, representando o dilúvio, e da sacristia, adornado com uma caveira que simboliza a morte e parece mover-se, por ilusão de ótica. Imperdível para quem gosta de história e curiosidades.

Igreja São Pedro dos Clérigos

Igreja São Pedro dos Clérigos

Exuberante pela sua localização, nela o visitante pode desfrutar de uma bela vista da cidade. O risco da igreja é de Antônio Pereira de Souza. É uma das três únicas igrejas barrocas de Minas com plano em redondo, característica revolucionária para a época. Seu principal construtor foi José Pereira Arouca. A construção é de 1752, mas a obra encontra-se inacabada. O altar-mor, talhado em cedro, e do teto do presbitério, provam que o templo seria majestoso se estivesse concluído. A torre da esquerda é original e de pedra e a da direita de tijolos, pois já caiu duas vezes. O telhado lembra um casco de tartaruga, enquanto o fundo um navio.

Praça Minas Gerais

Praça Minas Gerais
Foto: Acervo Setur MG | Sérgio Mourão O Centro Histórico de Mariana.

Toda cidade do interior conta com uma bela praça central, mas em Mariana, sua Praça Minas Gerais é o ponto onde se concentra o maior Patrimônio Histórico da cidade. Em torno dela estão as igrejas de São Francisco, de Nossa Senhora do Carmo, a antiga cadeia da cidade, onde hoje funciona a Câmara Municipal, e o Pelourinho, antigo local de castigos dos negros escravos na época colonial e imperial. Um lugar onde a vida do arraial se movimentava e que hoje conta essa história para você.

Catedral Nossa Senhora da Assunção (Sé)

Catedral Nossa Senhora da Assunção (Sé)

Foi trabalhada por dois grandes vultos da arte barroca: José Pereira Arouca e Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho. No batistério há uma tela do pintor Atayde, com retábulos da primeira fase do barroco. Na pia batismal e no tapa vento, que é o mais belo da região, nota-se a presença surpreendente de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. No altar-mor, a imagem de Nossa Senhora do Carmo, com o manto bordado a ouro, autenticamente português. A catedral da Sé de Mariana guarda um precioso tesouro musical: um órgão construído na primeira década do século XVIII em Hamburgo, Alemanha, por Arp Schnitger (1648-1719), um dos maiores construtores de órgãos de todos os tempos. Enviado inicialmente a uma Igreja Franciscana em Portugal, o instrumento chegou ao Brasil em 1753, como presente da Coroa Portuguesa ao primeiro Bispo de Mariana. Faz parte do acervo da Arquidiocese de Mariana, tombado pelo Patrimônio Histórico, e é o único exemplar da manufatura Schnitger que se encontra fora da Europa.

Mina de Ouro da Passagem

Mina de Ouro da Passagem
Foto: Acervo Setur MG | Sérgio Mourão Onde os sonhos eram contabilizados em forma de pepitas.

Por meio de um trolley, que chega a 315m de extensão e 120m de profundidade, o visitante desce até os subterrâneos da terra. Dentro da mina, o cenário é impressionante, com direito até a um maravilhoso lago natural. Desde a fundação da Mina da Passagem, no início do século XVIII, foram retiradas dali aproximadamente 35 toneladas de ouro. É a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo. Visitá-la é como viajar na história, vivenciando a saga perigosa dos homens que procuravam seus sonhos nos veios das montanhas mineiras. Imperdível.

Fonte: https://www.mariana.mg.gov.br/ e https://www.minasgerais.com.br/