Cultura

Secretaria de Estado de Cultura e Turismo lança o programa Afromineiridades

Ação conjunta com o Iepha vai proteger a cultura afro no estado e evidenciar a importância do povo negro para a formação cultural de Minas Gerais

28 3 2022 miniafromineiridades

Parte fundamental da identidade cultural de Minas Gerais, o povo negro será celebrado durante o “Afromineiridades – Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais”. Iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), o programa será apresentado ao público na terça-feira (29/3), às 9h, no Palácio da Liberdade, e vai contar com a presença de representantes das comunidades quilombolas, guardas de congado e povos de terreiro de Minas. O evento será transmitido ao vivo pelo Canal de YouTube da Secult.

A solenidade de lançamento do “Afromineiridades – Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais” vai contar com a presença do secretário de estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, do presidente do Iepha, Felipe Pires, além de outros convidados, como Pedrina Santos (Capitã de Massambike de Oliveira – MG), Nila Rodrigues (historiadora e mestre em Estudos Étnicos e Africanos) e Rubens Silva (antropólogo e professor da UFMG). A solenidade de lançamento será transmitida ao vivo pelo canal de YouTube da Secult.

Para o secretário Leônidas Oliveira, o lançamento do “Afromineiridades – Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais” representa uma das diretrizes da Secult, que consiste em assegurar maior democratização das políticas públicas da cultura, celebrando, assim, a rica diversidade no estado. Segundo o titular da pasta, a iniciativa evidencia toda a importância das tradições e dos costumes dos povos negros ao manter viva a memória dessa comunidade.

“Os povos negros têm uma importância gigantesca na formação da identidade cultural do Brasil e, em Minas Gerais, cuja população é, em sua maioria, de pessoas negras, essa assinatura é ainda mais evidente. Nosso objetivo é proteger as raízes afro do estado, garantindo visibilidade para a cultura negra em suas inúmeras formas de expressão. Tanto no olhar para o passado, celebrando as festas populares e a ancestralidade, quanto no presente, com ações concretas que promovam a democratização e a diversidade artística, a proposta da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo é consolidar esse programa como um mecanismo de proteção à memória das tradições negras em nosso estado”, destaca.

Para o presidente do Iepha, Felipe Pires, “mesmo invisibilizadas ao longo dos tempos, a contribuição das diversas culturas africanas para a formação da identidade da população mineira é inquestionável. Pela impressionante capacidade de resistência e de adaptação, a cultura vinda com a população africana se transmutou e se recriou com elementos das Minas Gerais. O Iepha, em sua trajetória, já reconheceu algumas delas. Em 2022, a Instituição soma esforços na criação e execução de um programa capaz de ampliar e evidenciar o reconhecimento, dando a importância que essas tradições merecem”, pontua.

Visibilidade e reconhecimento
O Afromineiridades é uma importante iniciativa para compreender e reconhecer a complexidade das contribuições dos grupos de matriz africana que formam as culturas mineiras. A partir do Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais, a Secult e o Iepha propõem uma série de eventos, debates e interações com lideranças políticas, intelectuais negros, comunidades quilombolas e povos de terreiro visando criar caminhos para melhor entendimento dos conhecimentos afromineiros que trazem especificidades em relação aos saberes especializados, manifestações culturais, cosmovisões e modos de vida específicos.

Tendo como tema central a Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais, o Programa se divide nos eixos temáticos: o inventário dos povos de terreiro de Minas Gerais e o reconhecimento dos congados e dos quilombos em contexto urbano como Patrimônio Cultural do Estado. As discussões e reflexões se desdobrarão em quatro ações que ocorrerão entre os meses de março e junho deste ano. Trata-se de um momento singular para escuta e diálogo com mestres e mestras das culturas provenientes da ancestralidade africana de modo a balizar e criar novos caminhos para as ações de reconhecimento e salvaguarda do patrimônio cultural de Minas Gerais.

Uma extensa programação vai aprofundar a reflexão sobre a contribuição dos grupos negros na formação sociocultural em Minas. As ações que envolvem o Afromineiridades estão divididas em: Lançamento do Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais – Afromineiridades;  Seminário sobre a proposta de Registro dos Congados e Reinados de Minas Gerais como Patrimônio Cultural Imaterial;  Seminário sobre a proposta de Registro das Comunidades Quilombolas em contexto urbano de Minas Gerais como Patrimônio Cultural Imaterial; e Seminário sobre a proposta de Mapeamento dos Povos e Comunidades de Terreiro de Minas Gerais.

Cada uma dessas ações contará com eventos específicos, organizados no modelo de “Fórum de escuta”, metodologia que permite a identificação das principais demandas e necessidades dos representantes de cada segmento identitário. Além do Fórum, uma mesa de debate permitirá uma escuta e reflexão qualificada com a proposta de aprofundar a discussão sobre o conceito que atravessa a proposta como um todo: as afromineiridades.

A fim de contribuir com o debate, o tema a ser abordado durante a abertura do evento, no dia 29/3, às 10h30, vai tratar das contribuições do pensamento e práticas tradicionais negras na formação da cultura mineira. Participam da mesa temática, Pedrina Santos (Capitã de Massambike de Oliveira – MG), Nila Rodrigues (historiadora e mestre em Estudos Étnicos e Africanos) e Rubens Silva (antropólogo e professor da UFMG).

Já no dia 30/3, entre 14h e 16h30, acontece o Fórum de Discussão “As afromineiridades: extensões e limites de uma categoria em construção”. Será um espaço no qual integrantes dos segmentos identitários de todo o estado poderão contribuir com a reflexão e entendimento do que vem a ser “as afromineiridades” a partir de uma perspectiva mais aprofundada a respeito da diversidade na comunidade negra do estado. Os interessados em participar do fórum devem realizar inscrição prévia neste link.

Afromineiridades – Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais Programação

Data: 29 e 30 de março

Local:  YouTube Secult

29 de março

9h às 13h – Lançamento do Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais – Afromineiridades

9h – Recepção dos convidados e café

9h15 – Cerimônia de abertura com Pai Ricardo de Moura e Aline Calixto

9h30 – Mesa institucional

10h15 – Apresentação da proposta do Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais pela equipe do IEPHA-MG

10h30 – Mesa temática “Contribuições do pensamento e das práticas tradicionais negras na formação da cultura mineira”

Convidados:

-Pedrina Santos (capitã de Massambike de Oliveira – MG)

-Nila Rodrigues (historiadora e mestre em Estudos Étnicos e Africanos)

-Rubens Alves da Silva (antropólogo e professor – UFMG)

30 de março

9h às 11h – Reunião interna do GT do Programa de Proteção da Cultura Afro em Minas Gerais

Local: plataforma virtual

14h às 16h30 – Fórum de discussão “Afromineiridades: extensões e limites de uma categoria em construção”

Local: atividade virtual – canal do Iepha no YouTube: inscrições até o dia 29/03 pelo link https://linktr.ee/appaarteecultura.

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/