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Prefeitura anuncia hoje criação de novo parque municipal em Juiz de Fora

No dia do aniversário da cidade, também haverá inauguração de estação elevatória que integra projeto de despoluição do Paraibuna

Câmara Municipal de Juiz de Fora
Câmara Municipal de Juiz de Fora

Juiz de Fora completa 172 anos nesta terça-feira, 31. Em comemoração à data, a Prefeitura prepara o anúncio de algumas novidades. Uma delas é a criação de um novo parque municipal, que funcionará no entorno da Represa de São Pedro, que fica no bairro homônimo, na Cidade Alta. Outra é a inauguração de uma nova estação elevatória que integra o projeto de despoluição do Rio Paraibuna. As duas informações foram confirmadas pela prefeita Margarida Salomão (PT) na manhã desta segunda-feira, em visita à sede da Rede Tribuna de Comunicação. Perguntada sobre as questões envolvendo o sistema de transporte coletivo urbano, que deve ser remodelado pela atual Administração, Margarida foi taxativa ao afirmar que, assim como aconteceu em 2021, a tarifa de ônibus não será reajustada em 2022. “Esse ano não tem aumento de tarifa. Isso é uma decisão nossa. É uma decisão política do comitê gestor.”

Os detalhes sobre o novo parque municipal a ser instalado nas áreas adjacentes à Represa de São Pedro devem ser conhecidos nesta terça-feira, quando o projeto será anunciado pela Prefeitura. “Vamos lançar mais um parque em Juiz de Fora: o Parque São Pedro. O espaço será constituído pela região adjacente à represa. A Prefeitura está adquirindo aquela área, que hoje pertence a um empreendedor privado. Vamos adquiri-la mediante uma transação que está sendo feita para que aquela área possa ser um parque municipal. Não só uma área de reserva, mas também uma área em que as pessoas vão poder conviver”, adiantou a prefeita. O novo espaço público vai funcionar em uma área de 680 mil metros quadrados.

Parque São Pedro vai funcionar no entorno da represa (Foto: Fernando Priamo/Arquivo)

Sobre a inauguração de uma nova estação elevatória de esgoto, no cruzamento da Avenida Brasil com a Rua da Bahia, no Centro, também nesta terça, Margarida considera que a despoluição do Rio Paraibuna segue a todo vapor. “Com essa elevatória que a gente vai inaugurar, chegamos a 30% do esgoto da cidade tratado. Hoje são 7%. Daqui a um mês, nós chegaremos a 42%. Até o fim do ano, a 52%. Na verdade, no ano que vem, vamos avançar muito. Estamos iniciando a obra de coleta de esgoto no Bairro Santa Luzia, o que vai ajudar na questão das enchentes. Neste momento, também estamos fazendo a obra do Córrego da Tapera. A gente espera, até o fim da nossa gestão, em 2024, estar perto de 80% do esgoto da cidade tratado”, afirma a prefeita

Museu Mariano Procópio
A prefeita Margarida Salomão também voltou a pontuar a intenção de reabrir o acervo do Museu Mariano Procópio para visitação ainda em 2022. “Vai reabrir no segundo semestre para o bicentenário da Independência”, resume. Margarida ainda classificou como uma lástima o fechamento do museu, o que aconteceu em 2008.

Sistema pode receber novo subsídio municipal

Ainda durante entrevista à Rede Tribuna de Comunicação, a prefeita sinalizou que o Município deve voltar a conceder um subsídio municipal ao sistema de transporte coletivo urbano. Na prática, a iniciativa pode resultar no repasse de valores financeiros dos cofres municipais às concessionárias que operam o sistema, por meio de uma subvenção social para financiar o valor da tarifa em R$ 3,75, preço que está em vigência desde 2019. O modelo já foi usado no ano passado, quando a transferência municipal para os consórcios, a título de subsídio, foi de R$ 11,9 milhões. “Vamos continuar a subsidiar para que a tarifa de Juiz de Fora continue a ser uma das mais baratas do Brasil. Aliás, nós queremos que o preço de Juiz de Fora continue a ser um dos menores do Brasil, com um serviço de qualidade”, diz Margarida.

Em seu segundo ano à frente da Prefeitura e às vésperas do aniversário da cidade, Margarida Salomão colocou a equação de problemas observados no sistema de transporte coletivo urbano de Juiz de Fora como prioridade de sua gestão, após um primeiro ano em que a Administração teve que lidar com os reflexos causados pela pandemia da Covid-19. “Ano passado, o maior problema era a pandemia. Nós enfrentamos a pandemia. Conseguimos mais segurança e mais tranquilidade. Agora, estamos enfrentando o problema do transporte. É complicado. Temos um contrato em andamento e em execução, que foi firmado ao fim da famosa licitação de 2016. É um contrato muito ruim. Tanto as concessionárias dizem isso, como os usuários”, avalia.

Próximos passos
Neste sentido, Margarida sinalizou para o segundo semestre as primeiras soluções a serem apresentadas em busca de melhorias no sistema de transporte coletivo urbano. A prefeita, todavia, não detalhou quais caminhos devem ser seguidos e afirmou, por exemplo, que ainda aguarda um parecer final da comissão processante que avalia o processo administrativo que pode decretar a caducidade do contrato firmado com uma das duas concessionárias que operam o sistema, o Consórcio Manchester. Ainda a ser tomada, a decisão pode significar uma ruptura do contrato firmado em 2016.

“Nós estamos, nesse momento, com o processo administrativo em andamento. É desafio e compromisso nosso, já no segundo semestre deste ano, dar uma resposta. Contratamos um estudo da UFJF para fazer uma revisão geral do sistema. A gente quer poder oferecer ao cidadão de Juiz de Fora um transporte público à altura de suas expectativas. A comissão processante está tomando todos os cuidados imagináveis. Imagine qualquer decisão que seja tomada e gere uma nova disputa jurídica? Então nós estamos sendo muito cuidadosos”, diz a prefeita.

Tarifa congelada
Sobre a manutenção da tarifa do transporte coletivo urbano de Juiz de Fora congelada por mais um ano, a prefeita Margarida Salomão afirma que dois fatores em específico pesam para a decisão: a atual qualidade da prestação do serviço e também o atual momento econômico que atinge boa parte dos usuários do sistema. “Não há como proceder o aumento de tarifa de um serviço que, como eu mesma estou dizendo, é muito ruim. Nós o estamos subsidiando porque a situação econômica das pessoas é péssima. As pessoas estão passando fome. Então, nesse momento, você não tem como aumentar a tarifa do transporte coletivo. Nós temos que dar um jeito no transporte da cidade. A pessoa quer o quê? Quer o ônibus passando na hora; que não esteja cheio; que não quebre; que o motorista esteja em boas condições de trabalho. Enfim, é isso que nós vamos garantir”, explica a prefeita.

Braspell pode iniciar operação em 2023

Durante sua visita à sede da Rede Tribuna de Comunicação, a prefeita avaliou que a cidade vive um novo ciclo de desenvolvimento econômico. A percepção é justificada pelos anúncios da instalação de duas fábricas da multinacional Ardagh Group na cidade, que pode resultar em investimentos da ordem de R$ 2 bilhões, confirmada na semana passada; e da chegada à cidade da Braspell Bioenergia, que assinou protocolo de intenções para se estabelecer em Juiz de Fora em dezembro do ano passado.

“Estive com o pessoal da Braspell recentemente. Eles vão acelerar a instalação na cidade e vão operar no ano que vem, por conta da guerra na Ucrânia e por conta da demanda internacional por energia renovável. A Ardagh vai começar já. A ideia é que a instalação seja iniciada em setembro”, disse a prefeita.

Margarida Salomão ainda externou a expectativa de que a cidade contabilize cerca de 800 novas contratações para o preenchimento de vagas de trabalho que estavam disponíveis em mutirão realizado pela Prefeitura no último sábado, que, segundo a prefeita, reuniu cinco mil candidatos. “A expectativa é de que, em 15 dias, nós teremos 800 pessoas empregadas, por conta desse arranjo que nós construímos com as empresas e com as entidades representativas das empresas, com o Sebrae, a Fiemg e o Sesc. Foi um grande esforço de articulação.”

“Estamos festejando a inauguração de um novo ciclo de desenvolvimento econômico. Há quantos anos que Juiz de Fora não recebe um empreendimento como a Ardagh ou mesmo como a Braspell, são grandes empresas mundiais. Investimentos, que eu diria, são do porte da Mercedes-Benz, que chegou à cidade na década de 1990 do século passado. Então, nós estamos voltando à cena dos grandes empreendimentos e gerando empregos de muita qualidade”, avaliou a prefeita.

Desenvolvimento social

Da mesma forma, Margarida ressaltou que a Administração tem preocupação em especial com o desenvolvimento social da cidade. “Zerar a fila de creche em Juiz de Fora não é pouca coisa. Principalmente para nós, que entendemos o impacto da educação infantil na formação geral, inclusive no acesso à universidade. Nós tínhamos, no fim do ano passado, cerca de mil crianças não contempladas. Nós abrimos uma creche nova no Centro e organizamos as outras creches existentes. Até o fim do ano, vamos inaugurar pelo menos mais uma creche, em Nova Benfica.”

Neste sentido, Margarida afirmou que, nesta segunda-feira, a Prefeitura lançou o Escritório Público de Arquitetura e Engenharia, “para ajudar as pessoas que, neste momento, precisam de um projeto para resolver seus problemas de moradia e até mesmo regularizar o imóvel”. O escritório terá como objetivo prestar assistência técnica para melhorias habitacionais nos imóveis da população de baixa renda do município, e efetivar a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (Athis), de forma a promover a redução do déficit de imóveis construídos de forma inadequada.

Meta de mitigar problemas históricos

Prefeita falou com exclusividade à Tribuna após entrevista na Rádio Transamérica nesta quinta-feira (Foto: Cris Hubner)

A prefeita disse ainda que vários investimentos em infraestrutura urbana estão sendo desenvolvidos para resolver problemas diversos da cidade, como questões históricas relacionadas à drenagem. “A cidade estava com a sua infraestrutura esgotada. Uma série de investimentos estão sendo feitos para resolver problemas históricos,
como são os casos da drenagem da Várzea de Benfica, do Bairro Industrial e do Mariano Procópio. Nós vamos operar para mitigar essa situação para o início do ano que vem.”

Segundo Margarida, os trabalhos de revitalização da realidade urbana desenvolvidos no momento contam com investimento da ordem de R$ 140 milhões. “Por exemplo, no caso das obras do Bairro Industrial, são décadas de inundações sem remédio. Nós vamos, agora, ter uma solução holandesa, sofisticada, que vai resolver o problema. A empresa já está trabalhando lá. Como está trabalhando na Várzea de Benfica. São coisas absolutamente inéditas, que nunca foram feitas”, afirma Margarida.

Novo planejamento para circulação de veículos de carga

A prefeita ainda comentou sobre um problema que tem afligido os cidadãos de Juiz de Fora nos últimos anos, a deterioração da pavimentação asfáltica das vias. “Estamos fazendo um esforço muito grande de tapa-buraco. Isso é um paliativo necessário e indispensável”, pontua Margarida. Segundo ela, para atacar o problema, o Município vai desenvolver três medidas estruturais.

Em algumas vias, a opção deve ser o recapeamento. Outra estratégia é a criação de um grupo de trabalho envolvendo prestadoras de serviço na cidade, como a Cemig, a Cesama, a Gasmig, a Net e outras que, por conta de suas atividades, precisam fazer intervenções nas vias de Juiz de Fora. O objetivo é padronizar a recomposição de estruturas possivelmente comprometidas por estes trabalhos. Vamos organizar”, diz a chefe do Executivo.

Por fim, Margarida ainda sinalizou que a Prefeitura irá avançar na construção de um plano diretor municipal para tratar do transporte de carga na cidade, direcionando o fluxo para vias adequadas, que receberão um tratamento específico e diferenciado em relação às demais vias de trânsito regional. “Não tem pavimentação que aguente trânsito de estrada nas ruas”, afirma a prefeita. Assim, o Município pode até mesmo estudar opções ao asfalto, como a adoção de pisos intertravados em ruas de menor fluxo de veículos.

Fonte: https://tribunademinas.com.br/