Cultura

Participantes do Rampa 3 apresentam nova versão da peça ‘À Tardinha no Ocidente’

Artistas selecionados se debruçaram sobre o texto da atriz e diretora Marina Viana, cuja peça foi aos palcos em 2014; nova versão do espetáculo será apresentada sábado e domingo, 23 e 24/7, no Parque Municipal

Rampa – Foto Paloma Parentoni

Utopia, Anarquia, Monarquia, República e Ditadura. Caricaturas de períodos, formas de pensamento e organização política que, postas num jogo, se implicam, se completam e se contrastam. É a partir dessa perspectiva que se desdobra a peça “À Tardinha no Ocidente”, linha-guia da terceira edição do treinamento cênico Rampa. Além de experienciarem a formação e a montagem teatral na prática, os selecionados trabalharam a atualização dos assuntos do texto – uma vez que a última apresentação da peça aconteceu em 2014, com a Primeira Campainha. A nova versão de “À Tardinha no Ocidente” será apresentada nos dias 23 e 24 de julho, sábado e domingo, às 15h, no Parque Municipal Américo Renné Gianetti. A entrada é franca, mas é necessário retirar ingressos pela Sympla neste link

Orientados pela atriz e diretora Marina Viana, autora do texto original, e pelo ator, cantor e idealizador do Rampa, Marcelo Veronez, os dez artistas participantes se debruçaram por três meses sobre a narrativa da peça. O texto original de “À Tardinha no Ocidente” percorre alguns momentos históricos do Brasil, da Velha à Nova República, da morte de Getúlio em 54 à promulgação da constituição de 88, do AI 5 em 68 ao confisco das poupanças em 90. Para dar conta dos meandros desse panorama histórico, o espetáculo se vale de jogos e brincadeiras de rua – queimada, mestre mandou, pique cola, tico tico fuzilado, polícia e ladrão, futebol, pique e esconde.

Marina Viana explica que o espetáculo não foi remontado na íntegra, mas que o texto foi usado como inspiração para o processo formativo dos artistas do Rampa 3. “A intenção era avançar na história. O espetáculo original terminava nas jornadas de junho e queríamos chegar até os dias de hoje. Desse exercício, de pensar e discutir sobre tudo o que temos vivenciado nos últimos anos, surgiram um samba-enredo, várias paródias e várias cenas criadas pelos próprios artistas, o que confere ao trabalho a personalidade deste coletivo”, reflete, ressaltando a participação dos artistas Suely Machado e Ernani Maletta, que ministraram oficinas transversais para a turma. “Eles atuaram como trampolins. É muito impressionante como a presença desses dois mestres muda a forma de os alunos encararem os desafios do processo. Saímos das aulas de Suely e Ernani transformados, cheios de energia e ideias para prosseguir”.

Neste ano, participaram do Rampa como selecionados os artistas Davi Almeida, Heleno Augusto, Hugo Zschaber, Italo Roque, Morgs Rodriguez, Paloma Parentoni, Samira Ávila, Sofia, Thanya Canela e Thiago Mello. “A turma é incrível. Gerações diferentes, práticas e estilos musicais diferentes. É interessante perceber como cada um recebeu os enunciados e procedimentos que propomos e absorveu a lógica coletiva e tantas vezes errática que o teatro proporciona”, assinala Viana. “Na música existe a coletividade, mas no teatro ela é indispensável. Isso exige de cada artista uma outra disposição para o trabalho. É bonito ver quando o artista percebe que o próprio trabalho influencia diretamente o trabalho do outro, e que cada um tem responsabilidade perante o outro e ao resultado”.

Músico e instrumentista, Heleno Augusto celebra a aprimoração da performance e o processo de criação artística coletiva propiciados pelo Rampa. “É uma oportunidade de construir coletivamente com artistas incríveis, experimentar possibilidades, trocar ideias e conhecimentos expandindo o entendimento sobre os lugares no palco. Saber que é muito mais importante estar disponível para a cena do que estar com tudo decorado”, pontua. Outra integrante do casting do Rampa em 2022, a produtora cultural e artista visual Paloma Parentoni faz coro. “Eu percebo que vou sair do Rampa outra pessoa. Conectada com meu corpo, fazendo um resgate artístico que eu queria há muito tempo e aperfeiçoando conexões entre as linguagens. Acho que o resultado vai ser muito bonito e tem sido incrível ver as coisas se encaixarem dentro de todos os exercícios que foram propostos nesses dois meses”, diz.

Sobre a apresentação do espetáculo, que nesta edição é a mostra final do Rampa, Veronez também destaca o poder criativo da coletividade. “É um estudo sobre onde pode chegar um grupo de pessoas que não se conhece e se encontra três vezes por semana para estudar as relações entre teatro e música. Em tempos de individualidades tão realçadas, acredito que o mais interessante dessa produção é o fator encontro. É a linguagem resultante da junção de teatro, música, performance, análise social, pensamento coletivo”, afirma. “O espetáculo tem um pouco de cabaré, teatro de revista e teatro de rua, intercalados por música e performance. Eu acho que as pessoas vão se divertir e refletir um pouco. Ou debochar junto com a gente. O importante é comemorarmos a possibilidade de estarmos na rua, artistas e público, fazendo arte”.

O Rampa 3 é um projeto viabilizado pelo Edital 01/2021 da Lei Aldir Blanc, no âmbito do estado de Minas Gerais.

Serviço: Mostra final Rampa 3 – Espetáculo “Á Tardinha no Ocidente”

Quando. Sábado e domingo, 23 e 24/7, às 15h
Onde. Parque Municipal Américo Renné Gianetti (Av. Afonso Pena, 1.377 – Centro)
Quanto. Entrada franca. Retirada de ingressos pela Sympla neste link
Mais informações. instagram.com/treinamentorampa

Assessoria de Imprensa