Sociedade

Parceria entre TJMG e Senac viabiliza capacitação de mulheres

Ação da Comsiv e do GMF possibilita valorização e profissionalização de vítimas de violência

A desembargadora Ana Paula Caixeta reafirmou o impacto positivo da capacitação na vida das mulheres vítimas de violência (Crédito: Divulgação TJMG)

Mais de 100 mulheres vítimas de violência doméstica que vivem em situação de vulnerabilidade social, em Belo Horizonte, se formaram, na quarta-feira (29/6), em cursos de capacitação oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). O evento é resultado de cooperação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais — por meio da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica (Comsiv) e do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e das Medidas Socioeducativas (GMF) — com o Senac.

A formatura, na Unidade Tupinambás do Senac, Centro da capital, contou com a participação da 3ª vice-presidente eleita do TJMG para o biênio 2022-2024 e superintendente da Comsiv, desembargadora Ana Paula Nannetti Caixeta. A Associação Sarah Vida, organização não governamental que atua no combate à violência contra a mulher e pela defesa de direitos sociais, também participou do convênio.

Participaram ainda do evento a responsável pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), delegada Renata Ribeiro Fagundes; a psicóloga Claudia Natividade, gerente do Centro Risoleta Neves de Atendimento às Mulheres (Cerna); a advogada Isabel Araújo, coordenadora de Políticas de Prevenção à Violência Doméstica da Comissão Estadual da Mulher Advogada na OAB/MG; o subsecretário de Trabalho e Emprego da Prefeitura de Belo Horizonte, Luiz Otávio Fonseca; a coordenadora da Comsiv, Sandra Ferreira Nunes; a supervisora pedagógica do Senac, Fabiola Batista Martineli; a especialista em relacionamento institucional do Senac, Ana Roberta da Cruz; a presidente da Associação Sarah Vida, Sarah Rossa Courinos.

A formanda Míriam agradeceu pela oportunidade e pela transformação que o curso realizou em sua vida (Crédito: Divulgação TJMG)

O projeto Transformando o Futuro é uma das várias iniciativas que integram a grade de atuação da Comsiv no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra mulheres. O projeto tem como curador o juiz Marcelo Gonçalves de Paula, titular do 2º Juizado de Violência Doméstica de Belo Horizonte.

O objetivo da parceria é a capacitação de mulheres em situação de hipervulnerabilidade social, contribuindo para sua emancipação econômica em relação aos agressores e para o fortalecimento de sua autonomia, e promovendo o crescimento econômico sustentado, inclusivo e com emprego pleno e produtivo.

Transformação

Segundo a superintendente da Comsiv, desembargadora Ana Paula Caixeta, a ideia por trás da oferta dos cursos é possibilitar a abertura de novos caminhos pessoais e profissionais e impulsionar o resgate da cidadania dessas mulheres. Ao aprenderem um ofício, elas passam a ter a chance de gerar renda, o que lhes traz dignidade. Entre as áreas exploradas nos cursos estão arte, beleza, moda e saúde, gastronomia e hospitalidade, gestão e informática. As aulas são gratuitas para o público beneficiado, graças à destinação de verbas pecuniárias do Programa Novos Rumos e do GMF.

“Gostaria de ressaltar o profundo significado desse gesto na vida dessas pessoas e de suas famílias. É enorme a importância de a mulher dar o primeiro passo em direção à sua capacitação emocional e profissional, pois isso permitirá, muitas vezes, romper o ciclo da violência doméstica e recomeçar trajetórias. Sabemos que é preciso pedir ajuda, mas limitações de caráter múltiplo, entre elas a falta de independência financeira e de apoio, podem dificultar ou impedir que as vítimas se libertem de situações abusivas”, disse a desembargadora Ana Paula Caixeta.

A superintendente da Comsiv comentou ainda que, nessa turma, os cursos mais procurados foram os da área de gastronomia, e que a Associação Sarah Vida trouxe retornos positivos dos depoimentos das mulheres beneficiadas com o projeto.

Aprendizado para a vida

Mulheres se capacitaram em cursos de saúde, moda, beleza, culinária e gestão, entre outros (Crédito: Divulgação TJMG)

A aluna Míriam, há seis anos afastada do mercado de trabalho, agradeceu pela oportunidade e pela riqueza da experiência, que permitiu a ela se reinventar. “Esse aprendizado eu levarei para a minha vida. Passar as tardes ali no Senac, aprendendo, foi muito bom. Fiz novas amizades, vi que a vida pode ser mais doce, salgada e leve. Falo isso porque aprendemos a fazer coisas de sal e doces, e levarei o que vivi para a minha jornada”, disse.

Ela afirmou que, apesar dos problemas de saúde e dos traumas, vislumbrou novas possibilidades e recuperou o sentido da palavra “sonho” em sua vida. “Mesmo com dor, a mulher pode ser útil. Frágeis e sensíveis, também somos capazes de ser fortes e guerreiras. A ONG Sarah Vida e os outros parceiros que estão envolvidos neste projeto me fizeram acreditar que eu posso ser alguém melhor, posso realizar meus sonhos. Quero um dia abrir minha lojinha e vender os doces que eu amo fazer”, ressaltou.

Segundo Míriam, as tardes e noites ficaram mais saborosas e, se os desabafos acabavam interrompendo momentaneamente as aulas, isso trouxe uma conscientização importante para todas. “Cada uma que fez o curso leva consigo uma bagagem, uma energia e um sofrimento. No meio de tantas mulheres, pude enxergar que a vida pode ser mais colorida. Não sou só eu que tenho dores… Posso sorrir, pois o que eu passo ou passei de violência não é menor ou maior do que o que minhas amigas passaram. Ter esse conhecimento foi maravilhoso”, afirmou.

Para a aluna, as instituições devem atentar para a visão de que existem mulheres que, por não terem condições de pagar capacitações e estarem sendo violentadas ou terem sofrido demais, perderam a confiança. “Esse projeto acredita no nosso potencial e nos deu a chance de cuidar do lar, ser independentes e ter renda própria. Se nos esforçarmos, lutando sem nunca desistir, podemos chegar ao topo. Sou pequena, mas tenho muita vontade de conquistar o impossível e ser uma vencedora. Sozinha não consigo, mas, se continuarem me dando oportunidade de aprender, eu irei avante”, finalizou.
 

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