Sociedade

O Dia da Mulher e a luta pelos direitos femininos

Nesta quinta, 08 de março, o mundo inteiro comemora o Dia Internacional da Mulher. Essa data é marcada desde o início pela luta das mulheres seja pela sua valorização, igualdade de gênero e seus direitos em geral. Foi em 08 de março de 1857, que 129 mulheres entraram em greve, em uma tecelagem em Nova York, exigindo melhores condições de trabalho e redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas diárias. Em 1910, um congresso na Dinamarca adotou a data para celebrar o Dia da Mulher, porém a escolha só foi oficializada em 1975, pela ONU.

Desde então, milhares de mulheres no mundo todo lutam por melhorias, seja nas condições de trabalho ou em reinvindicações sociais, que acabaram se tornando leis com o passar dos anos. Como no Brasil, onde o voto feminino foi aceito em 1932, a mulher casada deixou de ser considerada incapaz, a partir de 1962, e, em nossa história recente, a Lei Maria da Penha, de 2006, que defende a mulher da violência doméstica.

Foram muitas as vitórias conquistadas desde então e, ainda assim, a mulher continua a sua luta. A mulher moderna luta pela igualdade de gênero, luta pelo reconhecimento profissional, luta contra as pressões da sociedade.

As mulheres representam 52% de nossa população, cada vez mais mulheres alcançam graus de graduação e pós-graduação universitária, já são admitidas na enorme maioria das profissões, são empreendedoras e criativas, mas ainda assim, são raras as vezes que atingem os mais altos níveis da administração privada ou pública. Mais de 2 milhões de mulheres passaram a exercer a função de chefe de família no país, de acordo com levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). De acordo com o Sebrae, as mineiras já representam 46,8% dos microempreendedores individuais do estado. Apesar de tudo isso, uma pesquisa recente realizada pela Workana revelou que 90% das mulheres já sentiram menos respeitadas que os homens no trabalho.

dia-da-mulher-imagem-destaqueEm 2017, muito se falou sobre as adversidades sofridas pelas mulheres no âmbito profissional e a pesquisa confirmou que o ano foi decisivo para uma virada de comportamento. Diante de diversas manifestações, muitas delas vistas por todo o mundo em protestos e denúncias que tiveram grande repercussão nos segmentos artístico e esportivo, 69,7% das entrevistadas acreditam que as mulheres tiveram maior poder de decisão no último ano e 95,7% entendem que esse foi um passo importante para que o assunto fosse ainda mais discutido em 2018.

Em relação a questões salariais, enquanto na Islândia o início deste ano foi marcado pela implementação de uma lei que garante igualdade salarial entre os gêneros, no Brasil, 60,3% das entrevistadas afirmaram que ganham ou já ganharam menos do que um homem para executar um trabalho igual ou superior e 62,7% disseram ainda que em sua área de atuação não há igualdade de oportunidades.

Já sobre abuso psicológico, 67,6% afirmaram que já foram contrariadas no trabalho para se sentirem erradas mesmo estando certas, 68,3% já foram interrompidas por homens em reuniões e 58,7% afirmam que algum homem já levou crédito por algo que elas fizeram. Quando se fala da aparência, 52,6% já foram julgadas no ambiente de trabalho.

Quando o assunto é assédio, o Brasil apresenta números alarmantes: 48,4% das mulheres já se sentiram perseguidas por algum homem do trabalho, enquanto 28,8% deixaram de denunciar algum abuso sofrido por medo de serem demitidas. Questionadas sobre algumas situações desagradáveis no ambiente profissional, 40,3% das entrevistas afirmaram ter sofrido assédio ou abuso de uma autoridade, 38,3% notaram discriminação ou preconceito e 19% sofreram com assédio sexual. Além disso, 17% sentiram desconforto antes mesmo de começar no emprego: os casos foram logo na entrevista.

Grande parte das mulheres entrevistadas têm entre 21 e 40 anos (75%), são solteiras (54,7%), não têm filhos (76%) e possuem Ensino Superior completo (36,7%).
Flávia Siqueira
Publicitária | Jornalista
(32) 98479.2772

Foto : Guilherme Bandeira
Cartunista e Ilustrador
@guilherme_bandeira