Cultura

Fundação Clóvis Salgado lança catálogo da mostra Aquarelas Recentes, de José Alberto Nemer

Lançamento na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard conta com visita guiada do artista; encontro também marca a doação de uma obra da mostra ao Acervo da Fundação Clóvis Salgado

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A Fundação Clóvis Salgado lança nesta quinta-feira (26), às 19h, o catálogo da exposição Nemer – aquarelas recentes. O lançamento conta com uma visita guiada do artista pela mostra, exibida na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard. A distribuição do catálogo será feita de forma gratuita, dentro da galeria, ao público presente. O evento ainda marca, com grande satisfação, a generosa doação de uma das obras do artista para o Acervo da Fundação Clóvis Salgado.

Nemer – aquarelas recentes
 A mostra, que permanece no Palácio das Artes até 5 de junho de 2022, recebe as formas orgânicas e geométricas do artista mineiro, expressadas por meio de uma coleção de telas criadas durante dois anos de trabalho, a maior parte durante o período de isolamento social. Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra itinerante reúne trabalhos inéditos – 30 obras em dimensões médias e grandes, e uma série de 23 conjuntos, intitulada Geometria Residual, que reúne aquarelas pequenas e fotografias.

Pertencente à geração dos chamados Desenhistas Mineiros, que se afirmou no cenário da arte brasileira, a partir da década de 1970, Nemer ocupa mais uma vez a Grande Galeria com uma individual. Além de apresentar um trabalho virtuoso, a exposição reafirma a importância de uma mostra que dá vazão exclusiva à expressão artística da aquarela, a qual Nemer mostra brilhante domínio.

Para Agnaldo Farias, os trabalhos de Nemer propiciam um intermitente confronto entre uma orientação construtiva e um impulso orgânico. Diluídos na água, seus pigmentos correm pela folha, adivinhando suas minúsculas fissuras e revelando o acidentado da topografia do papel. Produzidas sobre papel francês, as aquarelas revelam quadrados, retângulos, grelhas, hachuras, círculos, trapézios, elipses, cruzes e arcos, que se entrelaçam em diferentes formatos e configurações. Nemer – aquarelas recentes consolida a bem-sucedida iniciativa de estimular e divulgar as artes visuais mineiras, campo no qual Minas Gerais alcança destaque histórico no país.

Da ideia até a concepção, a exposição a ser apresentada na Grande Galeria é resultado de uma curadoria atenta, feita por Agnaldo Farias, também responsável por organizar a última exposição de Nemer, em 2019. “A exposição reúne dois anos de trabalho, a maior parte produzida durante a pandemia. Foi um momento solitário e altamente reflexivo”, conta o artista. “A mostra atual reúne trabalhos inéditos, cerca de 30 obras em dimensões médias, de 100 por 100 centímetros, e grandes, de 150 por 200 centímetros. Inclui ainda a série Geometria Residual, 23 conjuntos com um diálogo entre aquarelas pequenas, de 10 por 7 centímetros, e fotos”, explica o artista.

O trabalho de Nemer é construído a partir de um olhar gestual, que une a geometria às manchas, o previsível ao imprevisível. “Às vezes eu começo construindo uma geometria, que na metade acaba se desconstruindo; é quando você reconhece que a aquarela é indomável, escorre até onde ela quer escorrer e o pigmento se concentra onde sequer imaginávamos. Todos os deslizes, todos os ‘erros’ são incorporados e fazem parte do processo não só da aquarela, mas da arte como um todo”, diz Nemer.

O público é apresentado a uma exposição que se desvela em seus mistérios e sutilezas. A expografia da Grande Galeria foi pensada com o intuito de cumprir esse papel. “A exposição tem uma atmosfera intimista, de câmera, e não de orquestra grandiloquente. A produção do espaço, com pessoas sensíveis, tem sido muito atenta a esse detalhe. Experiências anteriores me mostraram o quanto os visitantes se sensibilizam quando veem algo em surdina. Elas até falam baixo, se envolvem com aquilo que está sendo mostrado. Esta é uma recompensa para o artista, o fato de mostrar a obra e sentir que ela é vista como se deve”, conta Nemer.

Por fim, como artista visual mineiro, Nemer destaca a importância da gestão cultural pública, essencial na consolidação do percurso profissional dos artistas. “O panorama da cultura brasileira é muito rico, mas as políticas públicas, no geral, têm dificuldade de acompanhar. Esse é um desafio constante que todo artista brasileiro tem”, conta o artista. Dentre os caminhos que percorreu, a mostra Nemer – aquarelas recentes contribui de forma significativa em sua trajetória. “A exposição que chega agora ao Palácio das Artes, depois de passar pelo Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e pela Fundação Iberê, em Porto Alegre, é um exemplo positivo de acolhida por parte das instituições. Todos os três espaços fazem um trabalho sério e dinâmico e que devem servir de parâmetro quando se fala em gestão cultural”, comenta.

Nemer
José Alberto Nemer é artista plástico e doutor em Artes Plásticas pela Université de Paris VIII. Lecionou em universidades brasileiras e estrangeiras, como a UFMG (1974 a 1998) e a Université de Paris III-Sorbonne (1974 a 1979). Pertencente a geração dos chamados desenhistas mineiros, que se afirmou no cenário da arte brasileira a partir da década de 1970, Nemer participa de salões e bienais no Brasil e no exterior. Sua obra obteve, entre outros, o Prêmio Museu de Arte Contemporânea da USP (1969), Prêmios Museu de Arte de Belo Horizonte (1970 e 1982), Prêmios Museu de Arte Contemporânea do Paraná na Mostra do Desenho Brasileiro, (1974 e 1982), Grande Prêmio de Viagem à Europa no Salão Global (1973), Prêmio Museu de Arte Moderna de São Paulo no Panorama da Arte Brasileira (1980), entre outros.

Ministério do Turismo, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam o lançamento do catálogo da exposição Nemer – aquarelas recentes, que tem correalização da APPA – Arte e Cultura, patrocínio máster da Cemig, ArcellorMittal, Instituto Unimed-BH, AngloGold Ashanti e Usiminas,  e patrocínio prata da Vivo, por meio das Leis Estadual e Federal de Incentivo à Cultura. Tem apoio cultural do Instituto Hermes Pardini.

A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo.

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/