Cultura

Filarmônica de Minas Gerais abre a Temporada 2022 com homenagem ao centenário da Semana de Arte Moderna

Com regência do maestro Fabio Mechetti, Orquestra recebe o violonista Fabio Zanon, faz homenagem a Villa-Lobos e Francisco Mignone e interpreta aberturas de Carlos Gomes

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Imagem: Eugênio Sávio

A Temporada 2022 da Filarmônica de Minas Gerais se inicia nos dias 10 e 11 de fevereiro, às 20h30, na Sala Minas Gerais, com a celebração dos 100 anos da Semana de Arte Moderna, quando novos paradigmas artísticos se revelaram. Villa-Lobos, um dos “influenciadores” daquele importante evento, está no primeiro programa do ano, com uma de suas mais belas obras para um instrumento que lhe era muito querido: o violão. Além de ser solista na obra de Villa-Lobos, o violonista brasileiro Fabio Zanon também nos auxilia na homenagem aos 125 anos de nascimento de Francisco Mignone ao interpretar o Concerto para violão do compositor. Este repertório totalmente brasileiro se encerra com várias das mais importantes aberturas de Carlos Gomes. A regência é do maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais.

Os ingressos estão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala Minas Gerais, a partir do dia 7/02. O concerto do dia 10 (quinta-feira) terá transmissão ao vivo aberta a todo o público pelo canal da Filarmônica no YouTube.

“A comemoração dos 100 anos da Semana de Arte Moderna, com obras de Villa-Lobos, Mignone e Carlos Gomes, marca o início de nossa temporada. Construímos uma programação que valoriza a troca de experiências entre a geração de jovens solistas e nomes consagrados nacionais e internacionais, além de nossos talentosos músicos e musicistas. Vários projetos artísticos, incluindo gravações, serão retomados ao longo de 2022, dentre eles, obras de Lorenzo Fernandez, na celebração de seus 125 anos de nascimento, e Carlos Gomes, assim como registro de algumas obras de D. Pedro I, em celebração dos 200 anos de nossa Independência”, destaca o maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais.

Em decorrência do novo decreto da Prefeitura de Belo Horizonte, publicado no dia 1º de fevereiro de 2022, com orientações sobre a prevenção da covid-19 em casas de espetáculo, torna-se obrigatória a apresentação do comprovante de vacinação com duas doses da vacina contra a covid-19 para o acesso à Sala Minas Gerais. É possível apresentar o documento original em papel ou na sua versão digital, que pode ser obtida na plataforma Conecte SUS. A medida passa a valer no primeiro concerto da Temporada 2022, dia 10 de fevereiro. O uso permanente de máscara no espaço segue obrigatório e o Café da Sala estará provisoriamente fechado no período de vigência da determinação.

Ainda segundo o novo decreto, a Sala Minas Gerais passa a receber público de até 500 pessoas em suas apresentações (a capacidade total da Sala é de 1.493 lugares). O acesso à sala de concertos será encerrado cinco minutos antes do horário da apresentação; assim, as portas serão fechadas às 20h25.

Este projeto é apresentado pelo Ministério do Turismo, Governo de Minas Gerais e Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Secretaria Estadual de Cultura e Turismo de MG, Governo do Estado de Minas Gerais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Maestro Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular
Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro.

Ao ser convidado, em 2014, para o cargo de Regente Principal da Orquestra Filarmônica da Malásia, Fabio Mechetti tornou-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática. Depois de quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville, Estados Unidos, atualmente é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular da Sinfônica de Syracuse e da Sinfônica de Spokane. Desta última é, agora, Regente Emérito.

Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Da Orquestra Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente.

Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Orquestra Sinfônica de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É convidado frequente dos festivais de verão nos Estados Unidos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige regularmente na Escandinávia, particularmente a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a de Helsingborg, Suécia. Na Finlândia, dirigiu a Filarmônica de Tampere; na Itália, a Orquestra Sinfônica de Roma e a Orquestra do Ateneo em Milão; e na Dinamarca, a Filarmônica de Odense.

No Brasil, foi convidado a dirigir a Sinfônica Brasileira, a Estadual de São Paulo, as orquestras de Porto Alegre e Brasília e as municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Trabalhou com artistas como Alicia de Larrocha, Thomas Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori, Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros.

Em 2022 fará sua estreia com as orquestras Filarmônica do Teatro Colón, em Buenos Aires, e a Orquestra Sinfônica da Colômbia, em Bogotá.

Fabio Zanon, violão
Uma das figuras centrais no cenário internacional de violão clássico, como solista ou camerista, Fabio Zanon tem se apresentado por toda a Europa, Américas, Austrália e Oriente Médio. É também convidado regular de teatros como o Royal Festival Hall, Wigmore Hall, Philharmonie (Berlim), Carnegie Hall, Tchaikovsky Hall (Moscou) e Sala Filarmônica de São Petersburgo, Beux Arts Centre (Bruxelas), Les Invalides (Paris), Concertgebouw (Amsterdã), Sala Verdi (Milão), Sala da Filarmônica de Varsóvia, Musikhalle de Hamburgo, Ateneu de Madri, KKR em Lucerna e todas as mais importantes casas do Brasil. Venceu por unanimidade o 30° Concurso Francisco Tarrega (1996), na Espanha, e o 14° Concurso da Fundação Americana de Violão (GFA), nos Estados Unidos. A essas vitórias seguiu-se uma turnê de 56 concertos nos EUA e Canadá e o lançamento de seus primeiros álbuns. Sua gravação da obra completa de Villa-Lobos, pelo selo Music Masters, é considerada uma referência, e o álbum Guitar Recital (Naxos) foi escolhido pela revista Gramophone como o melhor de 1998. Desde 2009, Zanon é professor visitante da Royal Academy of Music de Londres. Em 2014, assumiu a coordenação artística e pedagógica do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

Repertório 

Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, Brasil, 1887 – 1959) e a obra Introdução aos Choros (1929)
Se os anos 1930 foram os anos das Bachianas, a década de 1920 foi a dos Choros para Heitor Villa-Lobos. Enquanto as Bachianas evidenciavam a intenção de redescoberta da forma clássica, os Choros apertam o laço do compositor brasileiro com a Europa. Em uma inventividade absoluta, a inclusão de instrumentos considerados populares ou exóticos não se expressa somente com uma intenção pitoresca, mas como um reino de ideias livres onde, em cada obra, amplia-se a exploração de timbres. Ao ciclo, foi introduzido em 1929 uma entrada monumental para violão e orquestra. Imaginada como uma abertura para a performance do ciclo completo, a Introdução aos Choros é, nas palavras do próprio compositor, “uma espécie de abertura sinfônica, orquestrada para todos os instrumentos envolvidos no restante dos trabalhos da série Choros”. De fato, demonstrando a função clássica da abertura sinfônica, inúmeras referências às outras peças do ciclo podem ser ouvidas. Desde a abertura Forte, uma transfiguração da melodia da flauta ouvida no início dos Choros nº 6, até o solo de corne inglês no finale que antecipa as primeiras notas dos Choros nº 1, a Introdução demonstra ao ouvinte a importância da série como uma entidade única. Nas palavras de Pierre Vidal: “Os Choros criam sua própria lógica. Com sua diversidade de conteúdos, sua originalidade harmônica, sua variedade de ritmos e virtuosidade instrumental, eles são representativos de um Villa-Lobos no auge de seu arrojo nos anos 1920, e têm sido considerados a mais importante contribuição brasileira para a música do século XX”.

Francisco Mignone (São Paulo, Brasil, 1897 – Rio de Janeiro, Brasil, 1986) e a obra Concerto para violão (1975)
É inegável a contribuição de Francisco Mignone para o amadurecimento do repertório brasileiro do violão. Sua rica produção musical, de destacada importância para a música brasileira do século XX, passeou por diversos instrumentos, estilos e gêneros. Graças ao incentivo de violonistas e seu próprio interesse em criar para o instrumento, que pouco dominava, sua colaboração para o repertório para violão tem nos Doze estudos para violão solo e nas Doze valsas para violão solo, ambos de 1970, importantes emblemas. Criado em 1975, o Concerto para violão foi dedicado a Antônio Carlos Barbosa Lima, amigo e violonista que o estreou dois anos depois em Washington (EUA). Ponto alto de seu amadurecimento com o violão, é possível ouvir no Concerto sua criatividade e experiência transcritas em uma obra de grande relevo.

Antônio Carlos Gomes (Campinas, Brasil, 1836 – Belém, Brasil, 1896) e a obra Salvator Rosa: Sinfonia (1874)
Depois de O Guarani (1870) e Fosca (1873), Carlos Gomes deixou de lado a amizade e os laços com a Casa Lucca e entregou seu próximo trabalho aos cuidados de Giulio Ricordi. Aplaudida pela crítica milanesa, a Fosca não foi sucesso de público nas poucas récitas que recebeu em Milão e Modena. Logo após sua criação, em 1873, o compositor percebeu que se fazia necessária uma guinada em direção à ópera italiana, abandonando os esquemas franceses ou alemães. O resultado desta guinada é Salvator Rosa, estreada em Gênova em 1874, seu segundo maior sucesso na Itália e a ópera que mais lhe rendeu dinheiro. A partir de então, Carlos Gomes estaria estreitamente ligado à Casa Ricordi. O contrato firmado com os Ricordi para Salvator Rosa era muito mais vantajoso para Carlos Gomes, o que se refletiu em mais liberdade e uma leveza elaborada, o que não se nota em seus trabalhos anteriores.

Antônio Carlos Gomes (Campinas, Brasil, 1836 – Belém, Brasil, 1896) e a obra A noite do castelo: Prelúdio (1861)
Em 20 de junho de 1859, Carlos Gomes tomou o navio em Santos que o levaria à Corte. Já no Rio de Janeiro, matriculou-se no Conservatório de Música, onde frequentaria aulas de contraponto com Gioacchino Giannini e despertaria o entusiasmo do diretor e professor Francisco Manuel da Silva. Em 1860, torna-se ensaiador no Teatro Lírico Nacional, cargo que lhe permite conviver com musicistas, produtores e cantores de companhias de ópera italianas. O contato diário com a obra de Rossini, Bellini, Donizetti e Verdi exerceu profunda influência sobre o compositor. Em 4 de setembro do ano seguinte, Francisco Manuel da Silva regeu a estreia de sua primeira ópera, A noite do castelo. A partir daí, recebeu de D. Pedro II o título de cavaleiro da Ordem da Rosa, marcando a admiração mútua entre imperador e compositor. Dois anos depois, em 15 de setembro de 1863, Gomes estreou no Teatro Lírico Nacional sua segunda ópera, Joana de Flandres, e logo depois partiu para a Europa por ter sido o aluno medalha de ouro de 1863 do Conservatório, com bolsa que a escola concedia uma vez a cada cinco anos.

Antônio Carlos Gomes (Campinas, Brasil, 1836 – Belém, Brasil, 1896) e a obra Fosca: Sinfonia (1873)
Depois de uma temporada no Rio de Janeiro, onde foi recebido como herói e apresentou a estreia brasileira de O Guarani, Carlos Gomes retornou a Milão e casou-se com a pianista italiana Adelina Peri, de quem havia sido colega no conservatório. No mesmo ano, em 1871, começou a compor Fosca, ópera com libreto de Antonio Ghilarzoni. Estreada em 16 de fevereiro de 1873 no Teatro Scala de Milão, a obra foi inicialmente mal recebida, muito em razão de uma disputa entre reformadores wagnerianos e os defensores do bel canto italiano. Anos mais tarde, novas montagens dariam à ópera um considerável sucesso. A mais italiana de suas óperas, Fosca é considerada por Mário de Andrade o maior feito musical de Carlos Gomes. No Sul global, a Fosca foi bem recebida em Buenos Aires e no Rio de Janeiro, onde estreou em 25 de julho de 1877, no Teatro Dom Pedro II.

Antônio Carlos Gomes (Campinas, Brasil, 1836 – Belém, Brasil, 1896) e a obra O Guarani: Protofonia (1871)
Carlos Gomes se inspirou no romance indianista O Guarani, de José de Alencar, para compor sua ópera de mesmo nome. A obra em quatro atos, com libreto em italiano de Antônio Sclavini e Carlo D’Orneville, trata da história de amor de Ceci e Peri. A montagem estreou com grande sucesso em 19 de março de 1870 no Teatro Scala de Milão – a estreia brasileira só veio em dezembro do mesmo ano, no Rio de Janeiro. A Protofonia, ou Abertura, é sem dúvida o tema mais conhecido dessa criação de Carlos Gomes.

Programa
Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Série Allegro
10 de fevereiro – 20h30
Sala Minas Gerais

Série Vivace
11 de fevereiro – 20h30
Sala Minas Gerais

Fabio Mechetti, regente
Fabio Zanon, violão

VILLA-LOBOS        Introdução aos Choros

MIGNONE            Concerto para violão

GOMES                 Salvator Rosa: Sinfonia

GOMES                 A noite do castelo: Prelúdio

GOMES                 Fosca: Sinfonia

GOMES                 O Guarani: Protofonia

Ingressos:
R$ 50 (Coro), R$ 50 (Terraço), R$ 50 (Mezanino), R$ 65 (Balcão Palco), R$ 86 (Balcão Lateral), R$ 113 (Plateia Central), R$ 146 (Balcão Principal) e R$ 167 (Camarote)
Ingressos para Coro e Terraço serão comercializados somente após a venda dos demais setores
Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br 

Funcionamento da bilheteria:

Bilheteria da Sala Minas Gerais
Sem concerto
Terça a sexta – 12h às 20h
Sábado – 12h às 18h

Com concerto
Terça a sexta – 12h às 22h
Sábado – 12h às 20h
Domingo – 9h às 13h 

Cartões e vale aceitos:

Cartões das bandeiras American Express, Elo, Hipercard, Mastercard e Visa, Vale-cultura das bandeiras Ticket e Sodexo

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/