Economia

Embrapa, Mapa e FAO preparam Observatório das Mulheres Rurais do Brasil

O Observatório das Mulheres Rurais do Brasil, uma iniciativa voltada exclusivamente ao universo das mulheres que se dedicam ao agro no Brasil, está em fase final de preparação. A expectativa é de que seja lançado oficialmente até o final de abril, como parte das comemorações do Dia Internacional e do Dia Nacional da Mulher (30 de abril).

Resultado da parceria entre a Embrapa, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Observatório será a primeira plataforma destinada a reunir dados, estudos, artigos, publicações, eventos e conteúdos de interesse de um dos segmentos mais significativos do agro nacional, presente em todas as cadeias produtivas. 

Segundo a pesquisadora Cristina Arzabe, coordenadora do projeto, um dos principais objetivos é – a partir da compilação e reunião de informações relevantes em um único local – capturar e prospectar tendências e identificar futuros possíveis, elaborando cenários que permitam às mulheres do agro se preparar diante de potenciais desafios e oportunidades, conforme já vem sendo feito em outros observatórios temáticos e centros de inteligência do programa Agropensa, da Embrapa.

“Para isso, além de estarmos trabalhando de forma muito próxima com o Mapa e a FAO, também formamos uma rede interna de representantes nas unidades descentralizadas em todo o Brasil que irão contribuir com a estruturação e manutenção do observatório”, explica. “É um esforço conjunto que visa obter uma visão sistêmica das condições das mulheres rurais e periurbanas, uma vez que temos diferentes realidades no nosso país devido às suas dimensões continentais”.

“A Embrapa tem uma capacidade muito grande para contribuir com o cenário em que a mulher rural está inserida”, diz Rita Milagres, secretária de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire), da Embrapa. “A partir da formação da rede e da organização do observatório exclusivamente para isso, será possível antecipar demandas que beneficiem esse segmento tão importante e ainda com tão pouca visibilidade, se considerarmos a importância delas no contexto social, econômico e ambiental brasileiro”, completa.

“O futuro é coletivo”, diz líder de mulheres cafeicultoras

De acordo com o Censo Agropecuário 2017, 40,3 mil mulheres são dirigentes de estabelecimentos rurais de café, no Brasil. Cintia de Matos Mesquita é uma delas, e também representa o universo feminino rural de quase um milhão de mulheres dirigentes de estabelecimentos rurais, envolvidas nas mais diversas cadeias produtivas. Presidente da Associação de Mulheres do Café da Região das Matas de Minas, gestora de Fortalecimento da Coordenação Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores do Comércio Justo (CLAC) e eleita no ano passado pela Revista Forbes uma das “100 mulheres poderosas do agro brasileiro”, ela conhece muito bem a realidade do campo.

“Não é de hoje que a mulher tem importância no campo, em todas as formas, seja no cuidado com a família, com a própria agricultura, seja com a qualidade. Elas estão sempre inseridas”, diz. “A única coisa que temos que fazer hoje é enfrentar essa corrida para dar visibilidade ao papel que ela já exerce há muitos anos”, completa, ressaltando que o protagonismo apenas da mulher já não é suficiente para que conquistem o espaço que merecem – todos os gêneros precisam entender esse processo. “As mulheres se capacitam, se educam, sabem o seu real lugar, mas é necessário que todos percebam”, afirma.

Segundo ela, mesmo parecendo clichê, é fato que para que as mulheres sejam valorizadas e se sintam motivadas, a existência de políticas públicas é fundamental. “E isso o Brasil ainda não tem para a agricultura”, afirma. “A educação é necessária, porque a competência do campo depende de qualquer capacitação, qualquer treinamento, de apoio à pesquisa e mobilizadores, mas para que continue crescendo esse trabalho é preciso participação e união de todos os setores”.

Cintia defende que as mulheres têm que perder o medo, ouvir e ver mais, participar mais. “Isso não é cultural, não pode ser cultural – a cultura é a de que somos todos iguais e temos os mesmos direitos”, afirma. Para ela, ainda faltam mais mulheres líderes, incentivando outras mulheres, que realmente saibam o que querem. “Quem andar sozinho vai ficar pra trás, porque a independência tem que ser junto com os outros, com o exemplo dos outros”, conclui.

Fonte: https://www.portalcaparao.com.br/