Cultura

Documentário “Sinfônica da Presença” narra o reencontro da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais com o palco e o público, após 20 meses

Produção estreia nesta quinta-feira (31/03), contando histórias impactantes dos artistas da OSMG vividas na pandemia

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Imagem: Hanna Mussi

Foram 20 meses sem a experiência visceral do encontro presencial entre os músicos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) e o público, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes. Consequência da pandemia, esse hiato de tempo nunca havia acontecido nos 45 anos de história do corpo artístico gerido pela Fundação Clóvis Salgado (FCS). Durante esse período de distanciamento, a solução encontrada para continuar levando arte e emocionando o público foi a produção de vídeos inéditos gravados nas casas dos próprios músicos que, por meio do programa #PalácioEmSuaCompanhia, transformaram as redes sociais em palco. Paralelamente a isso, esses 20 meses também foram marcados por trajetórias de integrantes da Orquestra Sinfônica, repletas de emoção, saudade, superação e transformações profundas.

Para revelar todo o processo e os bastidores do aguardado reencontro da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais com o palco e o público, a Fundação Clóvis Salgado estreia o documentário “Sinfonia da Presença”, no dia 31 de março de 2022, às 10h, em seu canal do YouTube. Para quem não puder acompanhar o lançamento, a obra seguirá disponível na plataforma.

Com concepção de Luciana Salles, diretora artística da Fundação Clóvis Salgado, o filme é composto por depoimentos de diversos profissionais da Sinfônica, da presidente da Fundação Clóvis Salgado, Eliane Parreiras, além de conteúdos sobre música e imagens inéditas dos bastidores da retomada presencial da OSMG ocorrida em 15 de novembro de 2021, com a apresentação do concerto “Sinfônica Ao Vivo”, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes.

Na ocasião, para preservar a segurança e a saúde de todos, foram adotados protocolos sanitários, como a obrigatoriedade de os artistas usarem máscaras no palco e a utilização de chapas de acrílico entre os músicos dos instrumentos de sopro.

O Programa do Concerto, por sua vez, contou com a interpretação de uma obra inédita do maestro, compositor mineiro e integrante da OSMG Rogério Vieira, intitulada Sinfonieta Solene (para metais & percussão). Também fizeram parte do repertório as obras “Fanfare”, de Paul Dukas; “Fanfare for the Common Man”, de Aaron Copland; “Strophe”, de Johan Bartholdy; e a famosa “Sinfonia Inacabada”, de Franz Schubert.  

Para a presidente da Fundação Clóvis Salgado, Eliane Parreiras, o reencontro da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais com o público presencial foi um momento de grande emoção. “A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais é um patrimônio do Brasil, legitimado pela sociedade, pois nasceu de maneira orgânica. A sociedade reconheceu o papel e a importância da Orquestra e o Estado abraçou a ideia da criação deste corpo artístico. Por isso, foi muito especial assistir novamente a OSMG se apresentando no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, com a presença da plateia”, celebra Eliane Parreiras.

Segundo Silvio Viegas, regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, o desejo de produzir o documentário surgiu da diretoria artística da FCS e é uma oportunidade histórica de registar um período singular da humanidade. “O filme cumpre a função de preservação da memória da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, um corpo artístico democrático e plural. A OSMG não possui um perfil único de pessoas, uma vez que é formada por integrantes com conhecimentos, histórias e visões de mundo distintas. E essa diversidade é o que torna a Orquestra extremamente rica”, explica Silvio Viegas.   

Luta e superação
Durante o processo de criação de ‘Sinfonia da Presença’, definiu-se que o documentário seria construído a partir de uma perspectiva humana, dando voz aos artistas e relatando fatos vividos na pandemia por eles, que nem sempre são conhecidos do grande público.

O filme retrata, por exemplo, a história de Isadora Sodré, fagotista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, a única mulher trans integrante de uma orquestra brasileira. Ela ingressou na OSMG durante a pandemia, período em que também se assumiu como Isadora.

“Eu sempre fui a Isadora. Mas agora estou mostrando a Isadora para o mundo. Mostrando também a Isadora dentro da Orquestra e sendo abraçada por todos. Inclusive, estou muito feliz e espero que a Sinfônica alcance mais pessoas. Não apenas um tipo de pessoa de uma classe social, etnia, gênero ou de uma sexualidade determinada. E, sim, todas as pessoas, pois a música é para todo mundo”, revela a artista no documentário.

O vírus que nos últimos dois anos impactou de maneira avassaladora a história da humanidade, também afetou os integrantes da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, mesmo com os artistas trabalhando de suas respectivas casas e sendo cumpridos todos os protocolos sanitários. Alexandre Kanji, spalla da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, vivenciou o luto da perda de seus pais durante a pandemia, vítimas da Covid-19.

Willian Barros, violinista da OSMG, também foi marcado pela Covid-19. No dia 3 de março de 2021, o músico chegou a ter 70% do pulmão comprometido e precisou ser entubado assim que chegou ao hospital, onde ficou internado por cerca de 90 dias. Apesar de todo o drama, Willian Barros venceu o vírus e, como declarou no documentário, ainda vive um processo de recuperação.

“Quando saí do hospital, eu não conseguia andar, pois fiquei muito tempo deitado. Cheguei até a comentar com a minha esposa que eu não conseguiria voltar a tocar. Realmente, foi uma sensação muito estranha. Estou na Orquestra Sinfônica há quase 30 anos e, de repente, o violino parecia apenas um pedaço de pau ou um objeto estranho que eu nunca tinha segurado antes. Por isso, tive que reaprender, por exemplo, as distâncias entre os meus dedos. Graças à Deus estou tendo uma evolução enorme”, comenta Willian Barros, que foi aplaudido de pé pela plateia do teatro durante sua participação no concerto de retomada da Orquestra.

Orquestra Sinfônica de Minas Gerais
Considerada uma das mais ativas do país, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais cumpre o papel de difusora da música erudita, diversificando sua atuação em óperas, balés, concertos e apresentações ao ar livre, na capital e no interior de Minas Gerais. Criada em 1976, foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de Minas Gerais em 2013. Participa da política de difusão da música sinfônica promovida pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, a partir da realização dos projetos Concertos no Parque, Concertos Comentados, Sinfônica ao Meio-dia, Sinfônica em Concerto, além de integrar as temporadas de óperas realizadas pela FCS. Mantém permanente aprimoramento da sua performance executando repertório que abrange todos os períodos da música sinfônica, além de grandes sucessos da música popular. Seu atual regente titular é Silvio Viegas.

Ministério do Turismo, Governo de Minas Gerais e Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado, apresentam o documentário “Sinfonia da Presença”, que tem correalização da APPA – Arte e Cultura, patrocínio master da Cemig, ArcellorMittal, Instituto Unimed-BH, AngloGold Ashanti e Usiminas, por meio das Leis Estadual e Federal de Incentivo à Cultura, além do apoio cultural do Instituto Hermes Pardini.

A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo.

Fonte: https://www.secult.mg.gov.br/