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Conheça Minas Gerais – Raul Soares

Desde 2007, Raul Soares integra o Circuito Turístico Montanhas e Fé, que abriga um conjunto de municípios, da região da Zona da Mata, com afinidades culturais, sociais e econômicas.

Com quase cem anos de história – desde a sua emancipação, em 1924 –, Raul Soares carrega, na herança cultural da cidade, as linhas de força da formação de Minas Gerais: a sombra dos povos originários – os índios conhecidos, localmente, como boachás –, a resistência corajosa e ainda viva dos povos quilombolas, as aventuras e desventuras dos bandeirantes, o esforço dos colonos e imigrantes para edificar, às margens dos rios Matipó e Santana – afluentes do Rio Doce –, o povoado de São Sebastião de Entre Rios, ainda no século XIX, e para construir, já no século XX, a estrada de ferro que ligava Caratinga à cidade de Três Rios (Minas Gerais ao Rio de Janeiro), contribuindo, de maneira determinante, para o desenvolvimento da região, do estado e do país.

Raul Soares -- Estações Ferroviárias do Estado de Minas Gerais

Os primeiros habitantes desta terra foram os índios Boachás, que povoavam as ricas montanhas do córrego que hoje herdou esse nome. Os primeiros posseiros foram Domingos de Lana e Cassimiro de Lana, que aqui chegaram em 20 de janeiro de 1837, vindos de Mariana (MG). Depois que expulsaram os índios de suas terras, tomaram posse das ricas montanhas do Córrego do Boachá deixando aqui seus colonos para manter a posse das mesmas. Em 1841, venderam essas terras a Francisco Alves do Vale, que ali se fixou com sua família. Os Filhos deste, José, Jacó, Francisco e Manoel Alves do Vale, depois da morte do pai, doaram parte de suas terras ao patrimônio da capela de São Sebastião (Minas Gerais em 1925). A primitiva capela foi fundada pelo padre Francisco Antônio de Carvalho, que era vigário de São Pedro dos Ferros e passou a residir junto à capela que criara. Por escritura de 29 de Outubro de 1873, João Pinto de Oliveira aumentou o patrimônio, doando cinco alqueires de terras. O povoado que ali se formou, chamou-se São Sebastião do Entre Rios, pelo fato de localizar-se entre os rios Matipó e Santana. O povoado foi crescendo lentamente e, em 1902, a Câmara Municipal de Ponte Nova, criou o distrito de Rio Casca, e só em 1923 que tornou-se município recebendo o nome de Vila Matipó. Em 1924, passou a município e recebeu o nome de Raul Soares, em homenagem ao então Presidente do Estado de Minas Gerais, o advogado, escritor, jurista, político e professor Dr. Raul Soares de Moura, empossado em 7 de setembro de 1922 e falecido antes do término de seu mandato, em 4 de agosto de 1924, devido a problemas cardíacos.

Rico em atrações naturais e culturais, quem visita Raul Soares não pode deixar de conhecer a incrível vista do Pico do Boachá, lugar ideal para a prática de voo livre, o Lago do Emboque, área utilizada por banhistas e por praticantes de esportes náuticos e aquáticos, e as pequenas cachoeiras espalhadas pela zona rural do município. A cidade ainda possui outras opções que merecem uma visita, como clubes de lazer e um dos maiores parques aquáticos e centros de entretenimento de Minas Gerais.

O patrimônio histórico se faz presente, de maneira mais acentuada, no centro da cidade, nas praças Dr. Durval Grossi (Praça do Coreto), Pe. José Domingues (Praça da Fonte Luminosa) e na Praça da Cultura (ou Praça da Estação), com seus monumentos que dão forma concreta à memória do povo e carregam traços da história raul-soarense, assim como nos vitrais sacros do Santuário São Sebastião.

Raul Soares - MG | Vivago

Raul Soares possui uma rede hoteleira capaz de atender os mais diversos perfis de turistas, composta por hotéis urbanos, hotéis fazenda, sítios e pousadas. Antes de descobrir as belezas dessas terras ou depois de um longo passeio, nada melhor do que aproveitar as iguarias que a gastronomia tem a oferecer. Através de uma gama considerável de bares, lanchonetes, restaurantes, padarias, sorveterias, mercados e supermercados, o visitante terá a chance de degustar produtos regionais e locais, típicos da culinária mineira, sem perder o acesso a uma alimentação mais convencional.

Santuário de São Sebastião

Santuário de São Sebastião

Inaugurado em 1953 e restaurado em 2004, o Santuário de São Sebastião, referência do Turismo Religioso em Raul Soares, está localizado na área central da cidade e acolhe dois dos bens tombados do município, os vitrais sacros e a tradicional Imagem do Senhor Morto. Fazendo parte do IPAC (Inventário de Proteção do Acervo Cultural), a edificação, com grande peso histórico e cultural para o povo, remonta, como um grande memorial, à capela de São Sebastião de Entre Rios, construída em fins do século XIX, parte indissociável da identidade local.

Pico do Boachá

Pico do Boachá

O Pico do Boachá foi descoberto por voadores do Clube de Caratinga. Tem 1.008 m de altitude, 720 metros de desnível, paredões de pedra que facilitam a formação de térmicas, bons recordes de voos, ventos fracos e áreas extensas e seguras para decolagem e pouso. Os voadores que frequentam o local afirmam ser uma das melhores rampas para voo livre do Brasil, embora não conte ainda com infraestrutura adequada. Já sediou etapas de campeonatos estaduais de parapente e asa delta, além de vários torneios locais. Está localizado em propriedade particular, mas os voos são permitidos sob a responsabilidade dos próprios pilotos.

Lago do Emboque

Lago do Emboque

Localizada entre os distritos de Bicuíba e Granada (Abre Campo), está situada a uma distância de 9 km da cidade de Raul Soares. Sua área total é de 675 ha, sendo 300 ha de área inundada e 375 ha para reflorestamento. A flora ainda está sendo reconstruída com o plantio de novas árvores e a fauna é composta principalmente por macacos, lontras e capivaras. O povoamento nativo da represa é constituído por piaus-vermelhos, lambaris, bagres, traíras, timburés, mandis e acarás. Posteriormente, em decorrência de vários fatores, foram surgindo outras espécies tais como carpas, tilápias, pintados, tambaquis, piavuçus e os temidos bagres africanos. A represa foi construída no Rio Matipó para a implantação da Usina Hidrelétrica do Emboque. O local é liberado para pesca nas suas margens, mas o acesso com barcos apenas é permitido através da Associação dos Pescadores e Amigos do Vale do Rio Matipó – APAVAMA, que mantém um pequeno clube com instalações rústicas, num local onde é possível ainda a prática de esportes náuticos e banhos. O nome Represa Cachoeira do Emboque se deve a uma queda d’água de cerca de 30 metros de altura que foi extinta para dar lugar à barragem da hidrelétrica. O local ainda está sendo descoberto pelos visitantes, por isso o maior fluxo ainda é de moradores de Raul Soares e distritos próximos. O acesso à Usina depende da autorização da empresa responsável.

Fonte: https://www.facebook.com/saaeraulsoares ; https://www.minasgerais.com.br/