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Turismo & Lazer

OS APAIXONANTES CENÁRIOS DO TURISMO MINEIRO

Dia 08 de maio é comemorado o “Dia Nacional do Turismo”, importante setor da economia brasileira, responsável por gerar milhares de empregos em todo o país. Mesmo com impactos da pandemia de Covid-19, não podemos deixar de enaltecer a beleza das “Minas Gerais”, que como diz a música “Quem te conhece não esquece jamais”!

Seus atrativos naturais, culturais e históricos impressionam, e deixam qualquer turista apaixonado. São destinos para passeios românticos, se aventurar, se conectar a cultura e natureza. Seus Congados, suas Folias de Reis, são riqueza e patrimônio do estado, seu queijo, sua arte na cerâmica, têxtil, madeira, seu jeito fazem história lá fora.

No turismo de aventura, temos o Pico da Bandeira 3º mais alto do país com seus 2.892 m de altitude, no ecoturismo Carrancas a “Cidades das Cachoeiras”, com atrativos rendem belos cliques. O turismo religioso no Santuário Nossa Senhora da Piedade, onde se inicia o Caminho Religioso da Estrada Real – CRER. Nossa história, contada pelos museus, igrejas, e ruas de Ouro Preto, São João del Rei, Tiradentes e Mariana.

Temos um extenso Circuito de Grutas, o maior Museu ao ar livre da América Latina de “Inhotim”, nosso “Mar de Minas” na região de Capitólio com as águas verde esmeralda e Monte Verde a “Suíça Brasileira” perfeita para lua de mel. A capital mineira além de “Capital mundial dos Botecos” é onde se encontra o grande Circuito Liberdade que é composto por museus, centros de cultura e outros.

Tanta diversidade no turismo e somos únicos ao mesmo tempo. Hoje é dia de Celebrar o turismo mineiro e seus encantos, apoiá-lo, pois o setor será um grande aliado na retomada econômica do país. Somos uma infinidade de experiências e hospitalidade, Minas te espera em breve!

Carrancas, Cidade das Cachoeiras.
Fonte: https://www.passeios.org/cidades/carrancas/

Turismo & Lazer

6 cidades mineiras incríveis para você conhecer!

Descubra cachoeiras, frio de montanha, grutas e os lugares encantadores do nosso estado!

Apesar dos tempos difíceis para os amantes de viagens, podemos aproveitar esse momento também para planejar o nosso próximo destino por Minas. Separamos algumas cidades para ajudar você a fazer o seu próximo roteiro, confira 6 cidades incríveis que você deve conhecer em Minas.

Tiradentes

A Charmosa Tiradentes é uma cidade histórica que preserva seu casario colonial, sendo uma ótima opção para descanso, viagem pela história de Minas com várias igrejas e museus. Símbolo da Inconfidência Mineira, a cidade reúne o melhor das tradições de Minas, com gastronomia rica, festival de cinema, cultura e conhecidos mundialmente. 

Brumadinho

Distante de Belo Horizonte apenas 60 quilômetros, tem ganhado o coração dos viajantes brasileiros e do mundo nos últimos anos. Sem dúvida a atração de maior destaque é Inhotim, o espaço combina um dos acervos mais importantes do Brasil de arte contemporânea, além de um fantástico jardim botânico, além do melhor da arte aliada as belezas naturais.

Capitólio
Passeio de Lancha – Lago de Furnas
Fonte: https://alugueescarpas.com.br/parceiros/aluguel-de-lancha/al113

Conhecida nacionalmente como o Mar de Minas, na região do Lago de Furnas, a cidade coleciona atrativos turísticos que promovem um contato direto com a natureza, com vários Cânions, Cachoeiras, mirantes, trilhas, combinando os paredões rochosos com aguas esverdeadas.

São Thomé das Letras

A 1.440 metros de altitude, numa região repleta de rochas, esconde-se a cidadezinha de São Thomé das Letras, conhecida pelo misticismo e pelas lendas. A Casa Pirâmide é melhor lugar para ver o pôr do sol, há quem diga que vê por lá duendes. São Thomé também possui mais de 30 lindas cachoeiras ao seu redor.

Monte Verde
Centro de Monte Verde
Fonte: https://vidasemparedes.com.br/monte-verde-mg-o-que-fazer/

Conhecida como “Suíça Brasileira” Monte Verde, distrito de Camanducaia, situa-se já na divisa com São Paulo. É uma cidade aconchegante e romântica para se conhecer no inverno, com muitos restaurantes, atrativos naturais e uma temperatura, que faz do destino um dos mais concorridos do Brasil entre abril e setembro.

Cordisburgo 
Gruta do Maquiné
Fonte: https://viagemeturismo.abril.com.br/atracao/do-maquine/

Conhecida por ser o berço do grande escritor João Guimarães Rosa, o mais aclamado cidadão natural de Cordisburgo. Há cenários citados em suas obras, bem como o museu-casa onde o escritor nasceu, são fascinantes para os amantes de literatura. Mas além disso existe a Gruta do Maquiné, uma gruta surpreendente, com sete salões abertos a visitação, com incríveis formações geológicas.

Qual seria a sua primeira opção?

Lembre-se: “Oriente sua vida pelos ponteiros de uma bússola, não de um relógio”.

Até a próxima!!!!

Turismo & Lazer

Destinos com séculos de histórias atraem turistas na Zona da Mata e Campo das Vertentes

Sendo um dos estados brasileiros com maior número de patrimônios históricos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Minas Gerais é um dos lugares mais procurados por turistas que buscam visitar obras que atravessaram séculos. Confira abaixo alguns destinos:

São José das Três Ilhas

O pequeno distrito de São José das Três Ilhas, com cerca de 200 habitantes, em Belmiro Braga, guarda uma das construções religiosas mais peculiares e diferentes de todo o estado: a igreja católica que leva o nome do santo, construída toda em pedra em 1878.

G1 conversou com padre Wesley Carvalho, pároco responsável pela Igreja, que informou que são celebradas missas no local no primeiro e terceiro domingo do mês, sempre às 11h. Entretanto, a igreja fica disponível para visitação mesmo sem celebrações.

O padre explicou que, por meio de uma parceria com a Prefeitura de Belmiro Braga, um guia turístico fica disponível no local das 8h às 16h, de segunda a sábado, também para mostrar o centro histórico e a rua onde a Igreja de São José é localizada, formando um conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG).

O local, ligado ao período de expansão da cultura cafeeira, foi fundado pelo Barão Antônio Bernardino de Barros. O projeto arquitetônico foi de Quintiliano Nery Ribeiro e a obra foi conduzida pelo mestre-pedreiro português Manoel Joaquim Rodrigues.

Ainda segundo Wesley, turistas de diversas partes do país visitam ao local, mesmo durante dias de semana. “A igreja é de fato diferente, é a mais bonita de toda a região. É muito trabalhada, rica em detalhes e imagens. Há quadros que datam de 1869. Adentrar São José das Três Ilhas parece que nós voltamos direto para a época do ciclo do café.”, explicou o pároco.

Uma das histórias por trás da construção da Igreja pode ser entendida pela queda das fazendas de café no fim do século XIX e a abolição da escravatura. A história local conta que o projeto original de Quintiliano previa torres mais altas, mas precisou ser adaptado em virtude do custo das obras, demonstrando que a riqueza e abundância dos senhores do café já mostravam sinais de decadência, apesar da necessidade de manter a imagem de luxo e esplendor.

Segundo o padre, a situação não seguiu conforme estava previsto em planta, em decorrência da Campanha Abolicionista e o fim da mão de obra escrava.

Além da igreja, o distrito guarda uma atmosfera do passado que cativa os visitantes. Na rua principal, há opções de pousadas, hospedarias e restaurantes.

Fazenda Santa Clara

Em Santa Rita do Jacutinga, as portas da Fazenda Santa Clara, uma das propriedades mais importantes da produção do café nos séculos XIX e XX estão sempre abertas para visitação.

O local, construído pela família Fortes de Bustamante, ostentou na arquitetura da sede: são 365 janelas, uma para cada dia do ano, 52 quartos, um para cada semana, e 12 salões, um para cada mês. O guia turístico e um dos familiares que administra a fazenda, Victor Emmanuel de Paula Nogueira, contou ao G1 sobre as atrações do local.

“A Fazenda Santa Clara é um pilar da nossa historia, guarda marcas do tempo nas paredes. São histórias que não são contadas na escola ou às vezes nos livros.”, explicou Victor, que recebe muitos grupos de estudantes em visitas escolares.

Os turistas precisam agendar a visita (sozinho ou em grupo) pelo telefone (32) 99104-1236. O valor é de R$20 para adultos e R$10 para crianças de até 10 anos. Durante a visita, o guia conta a história do local, da região e mostra diversos cômodos.

A fazenda mantém um acervo da época da escravidão no Brasil, com a visita à senzala, sala de tortura, registros e outros objetos que retratam este período da história do país. A propriedade também serviu de cenário para novelas da TV Globo, como Terra Nostra e a minissérie Abolição.

Para hospedagem, existem pousadas e hospedarias em Santa Rita do Jacutinga, há 18 km da Fazenda Santa Clara, que oferecem também passeios de ecoturismo na região.

São João del Rei

Uma das mais importantes cidades históricas do país, São João del Rei, no Campo das Vertentes, conta com inúmeras atrações, que passam por igrejas, museus, monumentos, casarões e além de um dos passeios mais procurados pelos turistas: a viagem de trem Maria Fumaça.

A viagem de Maria Fumaça tem 12 km de percurso feitos em cerca de 35 minutos pela Serra de São José, margeando o Rio das Mortes até Tiradentes. O passeio custa cerca de R$60 um trecho e R$70 ida e volta, com possibilidade de meia para crianças até 12 anos, estudantes e idosos. O passeio só está disponível três dias por semana – sextas, sábados e domingos.

As famosas igrejas, como a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, fica aberta de segunda a domingo e é a única na cidade que tem altares com talhas douradas. Já a Igreja de Nossa Senhora do Carmo é a que apresenta características de várias fases do período barroco.

A opção de restaurantes e bares é variada. De acordo com a Secretaria de Turismo da cidade, há 47 opções de hospedagem entre hotéis e pousadas.

Outras opções para os turistas são os museus: há o Ferroviário, o de Arte Sacra, o de Arte Regional, Museu do Estanho, a Casa de Bárbara Heliodora, o Museu Regional e o Memorial Tancredo Neves. As informações sobre horários de visitação e atrações estão disponíveis no site da prefeitura.

Piacatuba

Um dos mais antigos distritos da região da Zona da Mata, Piacatuba pertence a Leopoldina e guarda um conjunto de casarões preservados do final do século XIX.

O lugarejo também fica muito próximo a Cataguases e possui diversas opções de restaurantes e pousadas. Apesar de ser procurada por viajantes que buscam um clima tranquilo nas férias, Piacatuba fica lotada durante o período de julho e agosto, quando ocorre o Festival da Viola.

De acordo com informações da Secretaria de Turismo, um dos símbolos de Piacatuba é a Cruz Queimada, que guarda lenda de disputas de terras entre fazendeiros e escravos em séculos passados.

Além da apreciação da arquitetura e do clima antigo do local, há passeios de ecoturismo pelas cachoeiras e matas da região, como Cachoeira Poeira D’água, que também atrai visitantes.

Informações G1

Turismo & Lazer

FÉRIAS – Programação de Janeiro do Museu dos Brinquedos

Vai ficar em BH durante as férias? Então fica ligado na programação especial que o Museu dos Brinquedos preparou para animar toda a família. Vai ser possível embarcar em uma viagem imaginária para lugares incríveis, como a casa dos avós, acampamento, praia e até um mochilão pela Europa.

Durante todo o mês de janeiro, o museu vai estimular a imaginação do público através de brincadeiras, oficinas, experiências, aventuras e muita diversão! As atividades vão rolar sempre das 10h às 17h. As entradas custam R$ 12 (meia) e R$ 24 (inteira).CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Então junta a turminha e bora embarcar nessa aventura inesquecível. Fique por dentro da programação completa.

1ª semana – 7 a 10 de janeiro

Semana na Casa dos Avós

Atividades: brincar com barro, banho de mangueira e balde, boneco de massinha de trigo, escutar histórias nas almofadas, ler livros na grama, brincar de casinha, fazer bichinhos com as nuvens, desenhar no quadro negro, ensaiar um teatrinho, descer de carrinho de rolimã na calçada, dar volta no quarteirão, enviar postal de saudades para papai e a mamãe e andar de trem pela exposição de brinquedos.

Confira mais informações no site oficial do Museu dos Brinquedos.

2ª semana – 13 a 17 de janeiro

Semana no Acampamento

Atividades: construir cabaninhas e um arco e flecha da paz, criar artes com plantas e com tintas de terra, tomar banho de “cachoeira”, fazer comidinha na “fogueira”, lual de histórias e músicas, dançar para espantar a chuva, brincar de ser bichinho da floresta, fazer animais com reciclados, brincar de esconde-esconde e se aventurar em uma trilha pela exposição de brinquedos.

Confira mais informações no site oficial do Museu dos Brinquedos.

3ª semana – 20 a 24 de janeiro

Semana Viajando de Mochilão

Atividades: criar uma máquina fotográfica, fotos e álbum, enviar postal de saudades para um amigo, construir brinquedos de diferentes culturas, ouvir histórias de vários cantos do mundo, brincar com fantasias e roupas dos países, fazer comidinhas típicas de mentirinha, brincar de cantar e dançar como diferentes povos e se aventurar em um avião imaginário pela exposição de brinquedos de vários lugares do mundo.

Confira mais informações no site oficial do Museu dos Brinquedos.

4ª semana – 27 a 31 de janeiro

Semana na Praia

Atividades: tomar banho de “mar e sol”, fazer castelo de areia, jogar frescobol com bolinha de papel, fazer bichinhos do mar com reciclados, sair de canoa para “pescar”, ouvir histórias de Iemanjá e descansar em um luau de músicas, enviar postal de saudades para a madrinha, desenhar com areia e brincar de ser sereia, peixe, jacaré e tubarão no “fundo do mar”, mergulhando em uma aventura pela exposição de brinquedos.

Confira mais informações no site oficial do Museu dos Brinquedos.

*O conteúdo é de responsabilidade do anunciante

Pontos de venda

Bilheteria do Museu dos Brinquedos.

Fonte: https://www.soubh.com.br/

Direito

Lei de crimes hediondos demonstra que o simples endurecimento penal não reduz criminalidade

Em fevereiro de 2019 o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, apresentou um pacote, intitulado de “Pacote Anticrime”, de medidas que alteram 14 Leis Penais, tudo, em tese, com o condão de combater crimes que, em regra, possuem íntima relação com o crime organizado.

Desde sua apresentação, o Pacote de Lei Anticrimes tem sofrido duras críticas de especialistas em Direito Constitucional e Penal, notadamente, por, em tese, afetar diretamente direitos e garantias fundamentais. Forçoso, pois, reconhecer que a polêmica supramencionada esbarrará na eventual natureza de cláusula pétrea ou não do objeto de alteração.

O projeto apresentado se assemelha espistemologicamente com a Lei 8.072/90, esta que dispõe sobre os crimes hediondos e determina outras providências.

No que pese a aparente semelhança entre os objetivos gerais do pacote de Lei Anticrimes e a Lei de Crimes Hediondos – promessa de diminuição da criminalidade com o endurecimento das pena – vale constar que, ao contrário da Pacote do Ministro da Justiça e Segurança Pública, a Lei de Crimes Hediondos obedeceu mandado constitucional expresso de criminalização constante ao artigo 5º, inciso XLIII, da Constituição Federal.

O presente tem o propósito de empreender análise sobre a proposta de que impor aos condenados, reincidentes ou com indícios de “conduta criminal habitual, reiterada ou profissional” o regime fechado de cumprimento de pena não acarreta necessariamente diminuição da criminalidade e, ao contrário, poderá, com o aumento significativo da população carcerária, culminar em mais violência.

Percebe-se que, muito embora o objetivo seja desejado de forma universal, a concepção simplista de enrijecer como salvação do cenário carcerário nacional caótico, constitui discurso populista, eleitoreiro e irresponsavelmente contrário a empirismo do Direito Penal.

Segundo Díez Ripollés (2007b, p. 80), o problema não está no fato da experiência e as percepções cotidianas do povo condicionem a criação e aplicação do Direito, tal fato é absolutamente permitido em um Estado democrático de direito, mas sim o fato de que essas experiências e percepções são atendidas pelo legislador, na maioria das vezes, sem intermediários especializados, ou seja, “sin la interposición de núcleos expertos de reflexón que valoren las complejas consecuencias que toda decisión penal conlleva.”

No dia 25 de julho de 1990, a lei 8.072, que regulamentou o artigo 5º, inciso XLIII, da Constituição Federal, obedeceu a mandado supremo de criminalização e, em decorrência da violência rotineira na maioria das oitenta grandes capitais nacionais, legislou para maior punição de crimes tidos como de perigo em abstrato acentuado.

Muito embora a aparente finalidade, diferente do pacote de Lei Anticrimes, a Lei de Crimes Hediondos tratou de ser inteiramente objetiva e, na prática, acarretou maior rigor no trato penal de alguns crimes, sem, contudo, necessariamente, estigmatizar o apontado infrator.

Tipo penal em voga – a extorsão mediante sequestro, em razão das várias restrições de liberdade consubstanciadas à época, inclusive de pessoas famosas, como Abílio Diniz e Rubens Medina, irmão do então deputado Roberto Medina – foi incluída entre os crimes de gravidade em abstrato presumida na Lei 8.072/90.

Destaque-se, por oportuno, que a lei não criou novos tipos penais. Apesar de se tratar de uma lei penal, processual penal e que também tecer expressões acerca da fase executiva da pena, o que se fez, a bem da verdade, foi pinçar tipos penais do código penal e leis especiais e os “etiquetá-los” como crimes hediondos, ou seja, de perigo em abstrato presumido.

Neste sentido, recentemente, em 2017, no próprio artigo 1º da Lei 8.072/90, houve novo “etiquetamento” como hediondo do crime de Porte de Arma de uso proibido. Percepções objetivas e absolutas, a exemplo do regime integralmente fechado, da impossibilidade de progressão de regime, de maior amplitude da prisão temporária, do não cabimento de fiança, anistia, graça, indulto e, ou mesmo, liberdade provisória, não aparenta compatibilidade com os princípios elementares do Direito Penal.

Ao contrário da própria essência (ultima ratio), o Direito Penal foi imbuído de um movimento chamado “direito penal máximo”. Trata-se do movimento que tem por finalidade fazer com que o direito penal tenha uma intervenção máxima na vida do cidadão e da coletividade. Para tal movimento, o Direito Penal serviria para controlar e regular qualquer situação e para proteger qualquer bem jurídico.

Sob outro enfoque, ainda que exista a necessidade da ingerência, em alguns casos (lesões mais graves a bens jurídicos mais importantes), da intolerância estatal, a Lei de crimes Hediondos taxou delitos em razão de sua presumida gravidade em abstrato, ainda que a boa hermenêutica do Direito Penal Constitucional e Convencional. O legislador tinha e tem ciência que o rigor penal, per si, não é suficiente para coibir condutas sociais. Pergunta-se: os Crimes intitulados como hediondos, a exemplo do estupro (artigo 213 do Código Penal brasileiro), deixaram de ocorrer? Indene de dúvidas que não.

Para gerar uma “sensação” de segurança o legislador criou a Lei em nítida concretização de um Direito Penal Simbólico, demonstrando uma resposta meramente política e populista a problemas sociais graves que, para real combate, exigiriam um trato polivalente de substância, e não tão somente de política criminal e carcerária.

Já se demonstrou, empiricamente, que o enrijecimento penal, por si só, não resolve a ocorrência de crimes, sejam eles quais forem. O advento da Lei 8.072/90 significou a obediência do legislador ao mandado constitucional de criminalização, mas, não necessariamente, fez presumir a atenção do congresso legal aos reais problemas incentivadores da criminalidade nacional, quais sejam: educação, saúde, saneamento básico, propriedade, segurança (falta deles). Percebe-se que, a partir da Lei supramencionada, houve, derradeiramente, aumento dos crimes em todo o território nacional e, consequentemente, da população carcerária e das reverberações no erário público.

Com a Lei de Crimes Hediondos, o Estado efetivou a neutralização do condenado, retirando-o bruscamente do convívio social e impondo o cumprindo pena de prisão como verdadeiro arcabouço de vingança, o que ignora, por completo, a finalidade ressocializante da pena.

A realidade política e criminal nacional clama por mudanças, sendo certo que a imensa população carcerária aponta a um “punitivismo seletista”. Não se vê, estreme de dúvidas, ponderações públicas de entes políticos para efetivamente combater a criminalidade a partir de medidas inclusivas.

Veja-se que a implantação da Lei dos Crimes Hediondos (8.072/90) não diminuiu a criminalidade e, eivada sua principal finalidade, demonstrou, como precedente perigoso, que o discurso populista de punição às cegas é inteiramente contrário às reais propostas de combate à criminalidade através de políticas públicas reais em obediência ao mínimo ético irredutível e à igualdade substancial.

Precisamos de mudanças, mas a responsabilidade afeta ao Estado Constitucional Democrático de Direito impõe a responsabilidade de se legislar para o progresso, e não para fomentação de curral eleitoral.

  • Referências

Abramovay, Pedro Vieira. O grande encarceramento como produto da ideologia (neo) liberal. In: Abramovay, Pedro Vieira; Malaguti, Vera (org.). Depois do grande encarceramento. Rio de Janeiro: Revan, 2010.

CAETANO, Wesley. Lei de crimes hediondos: características fundamentais e críticas aos critérios de identificação. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 24, n. 5982, 17 nov. 2019. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/77769. Acesso em: 22 nov. 2019.

COELHO. Gabriela. OAB critica pacote “anticrime” e cobra debate em parecer enviado à Câmara. Manifesta inconstitucionalidade.Consultor Jurídico. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2019-mai-20/parecer-oab-critica-pacote-anticrime-cobra-amplo-debate. Acesso em 22 nov. 2019.

DORNELLES, João Ricardo W. Conflito e segurança: entre pombos e falcões. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008.

RIPOLLÉS, José Luis Díez. De la sociedad del riesgo a la seguridad ciudadana: un debate desenfocado. In: CALLEGARI, André Luís (Org.). Política criminal, Estado e democracia. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007a. p. 81-128.

El derecho penal simbólico y los efectos de la pena. Disponível em . Acesso em: 22 nov. 2019.

La política criminal en la encrucijada. Buenos Aires: B de F, 2007b.

La racionalidad de las leyes penales: práctica y teoria. Madrid: Trotta, 2003.

Gastronomia

Refrigerante de Jabuticaba faz sucesso na primavera da Cervejaria Ouropretana

Artesanal, leve, com pouco açúcar e muito saboroso, refrigerante de jabuticaba é sazonal e muito aguardado

A temporada de jabuticabas está aberta em Ouro Preto e região. A fruta, tipicamente brasileira, tem sua temporada entre os meses de outubro e dezembro, após o início das chuvas de primavera. Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto em que fica a fábrica da Cervejaria Ouropretana, é famosa pela produção de jabuticaba.

No entorno da fábrica há vários “pés” de jabuticaba, que proporcionam muita alegria para os responsáveis pela produção das cervejas. E, também, geram bastante criatividade. Tradicionalmente nos meses finais do ano, a Cervejaria Ouropretana produz o refrigerante artesanal de jabuticaba, gaseificado no local e disponibilizado na Loja da Fábrica da Cervejaria Ouropretana (rua Benedito Valadares, 250 – Centro • Ouro Preto/MG), em um bico de chopp exclusivamente dedicado a ele. Leve, refrescante e com pouquíssimo açúcar, ele é mais um dos sucessos da Ouropretana.

O cervejeiro Leonardo Tropia conta que a produção do refrigerante de jabuticaba teve início nos primeiros anos da produção da cerveja. O “refri” agradou e foi, então, disponibilizado na Loja da Fábrica, onde teve sucesso garantido. Há clientes que aguardam ansiosamente a chegada do tempo de jabuticabas. Atualmente, estão disponibilizados 120 litros do refrigerante mais amado de Ouro Preto.

As jabuticabas também estão em outro projeto da Cervejaria Ouropretana. Em breve uma nova produção utilizando as jabuticabas será lançada.

Cervejaria Ouropretana

Cervejaria Ouropretana nasceu em 2011, na cidade de Ouro Preto/MG, com o objetivo de propiciar experiências gastronômicas que possibilitem ao consumidor vivenciar o momento de ascensão da cerveja no Brasil. Os produtos artesanais da Cervejaria Ouropretana são resultado de um comprometimento com a qualidade da cerveja, independente de tempo e de custos com matéria-prima.

Cervejaria Ouropretana produz oito estilos de cervejas em sua linha fixa, em garrafa e em chopp: Pilsen, Pale Ale, Trigo, Amburana Brown Porter, Ginger IPA, Café Lager, IPA Maracujá e Cafetelier Imperial Stout. As receitas sazonais são produzidas sem adição de produtos químicos e têm edição limitada.

Serviço: Refrigerante de Jabuticaba da Cervejaria Ouropretana

Disponível na Loja da Fábrica da Cervejaria Ouropretana (rua Benedito Valadares, 250 – Centro • Ouro Preto/MG)


Assessoria de Imprensa: Converso Comunicação – Aline Monteiro: (31) 99347-2319

Outros

Temos o prazer de entregar a você a edição 15!

“A verdadeira coragem é ir atrás de seus sonhos mesmo quando todos dizem que eles são impossíveis.”
Cora Coralina

O lançamento de cada número da revista é sempre algo a ser saudado com entusiasmo. E, desta vez, decidimos ousar e fazer uma edição diferente — com duas capas.

Vale ressaltar que, com circulação em 16 cidades mineiras, sempre trazemos novas parcerias. Trata-se de contribuições positivas para a construção de novos conhecimentos e, também, para a divulgação do resultado de um esforço que, muitas vezes, fica restrito a poucos.

Por isso, nesta 15ª edição, mais parceiros são os protagonistas. A British and American School, que está na capa, já se faz presente no mercado há quase 23 anos. Tem um leque de cursos que abrange todas as faixas etárias, tratando seu aluno como um verdadeiro melhor amigo. Também na capa, a CJR Contabilidade traz tudo sobre os serviços prestados pelo contador Carlos e seus colaboradores, de forma eficiente e com qualidade.

E as novidades não param por aí. A revista está repleta de informações valiosas e boas práticas, como a moda sustentável, mostrando que é possível renovar o visual sem se entregar ao consumismo desenfreado.

Também conversamos com a blogueira e influencer Lili Veloso, que assina o Correio Fashion, sempre atenta às questões humanitárias, sociais e ambientais, buscando encorajar e empoderar suas seguidoras.

Achou que estávamos nos esquecendo do turismo mineiro? Nunca! Você também vai encontrar várias dicas de passeios e hospedagens em Monte Verde, Carrancas e São Lourenço.

Entre tantos outros temas importantes como saúde, esporte e tecnologia, você, leitor, certamente terá ótimos momentos de leitura e vai se surpreender com tudo o que preparamos com tanto carinho e dedicação. Não é à toa que, agora, até o Mercado Central de Belo Horizonte é um dos nossos pontos de distribuição de exemplares!

Desejo a todos uma ótima leitura!

Clarisse Alves
Editora Viva Minas
(32)9.8864-5127 / (31)9.9968-3073
clarisse@vivaminas.com.br

Para ler a 15ª edição online clique https://vivaminas.com.br/15a-edicao/

Cultura

Abertas inscrições para oficinas do Inverno Cultural 2019 da UFSJ

As inscrições para oficinas do Inverno Cultural da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) estão abertas. São 47 oficinas e 988 vagas distribuídas nas áreas de Arte-educação, Artes Cênicas, Artes Visuais, Literatura, Música e Mutirão Cultural, 55% delas promovidas por artistas locais.

O interessado pode consultar o guia de oficinas e fazer a inscrição, que é gratuita, no site do evento. Primeiro, deve se se cadastrar e depois escolher a oficina desejada. Os pais ou responsáveis devem fazer o cadastro com seus dados pessoais para depois incluir a ficha de inscrição do filho como dependente na oficina.

Para as oficinas do Mutirão Cultural, 50% das vagas serão para o público em geral, com inscrições pelo sistema. A outra metade será para moradores do Senhor dos Montes e entorno, que poderão fazer inscrições presenciais no Fortim dos Emboabas, de 15 a 19 de julho, entre 9h e 17h.

As inscrições de cada oficina estarão abertas enquanto houver vaga disponível – e o número é limitado. Uma vez esgotadas, os interessados poderão solicitar vagas de desistência no primeiro dia de cada oficina, indo diretamente ao local da atividade.

Confira a seguir a relação por área:

  • Arte-educação: Teatro de sombras para criança; Miniteatros; Mãos ao alto! O jogo vai começar!; Dança e improvisação: con-tato entre mundos; Cantos, contos e brincadeiras musicais; Meias perdidas? Brinquedos artesanais; Iniciação ao circo; Prática de meditação e kindfulness (bondade plena); História e documentário: construindo narrativas;
  • Artes cênicas: Da ideia ao papel – elaboração de projetos; Teatro documentário e urgências sociais; O som na cena contemporânea: introdução à criação; Fluxo aéreo; Bala perdida: processos criativos pesquisa dramatúrgica; Residência coreográfica “Cópia”; Espaço sentido; Quem tem medo de preto?;
  • Artes visuais: Xilogravuras: projeto “Identidades”; Poética da ilustração: presença do invisível; Graffiti e muralismo: o CURA – Circuito de arte urbana de Belo Horizonte; Quero ser Youtuber; Vivenciando a cultura popular: oratórios e relicários reciclados; Roteiro para séries; Oficina de tinta de terra; Fotografia urbana: processos criativos; Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça – oficina de introdução à produção audiovisual; Mosaico cerâmico com a comunidade Senhor dos Montes; APAE aberta: oficina de cerâmica;
  • Literatura: Oficina de videopoemas; Ateliê de literatura dramática: dramaturgias; Ensaios de liberdade: literatura dramática para jovens; Poesia digital: criação de poemas com ferramentas digitais; Oficina escrita poética;
  • Música: Masterclass: Grupo Brasileirinhos (Choro);
  • Mutirão Cultural: Farmácias vivas, segurança e soberania alimentar – da etnobotânica ao cultivo e uso de plantas medicinais; Acarajé raiz; Bateria nota mil: o coração da escola; Oficina de RAP: ritmo e poesia da quebrada; Oralidades urbanas; Customização de lixo em arte; Cúpulas geodésicas em bambu; Oficina de camiseta autoral – faça você mesmo; Assumindo nossas raízes; Resgatando a marcenaria artesanal; No fio da meada; Oficina de biocosmética intuitiva; Por dentro da magrela: manual de primeiros-socorros para o ciclista em apuros. 

Sobre o Inverno Cultural

A 31ª edição em 2019 levanta questionamentos sobre o papel e lugar da arte como ponte para processos de compartilhamento de sensações, ideias e visões de mundo.

“Em um encontro de saberes, experiências e práticas, teria a arte condições de auxiliar na ruptura do isolamento entre os sujeitos? A interação entre os sujeitos e circulação de suas expressões, pelo viés da arte, teria o potencial de romper as zonas de invisibilidade dos e entre os sujeitos nas cidades, assim como estabelecer novos lugares de fala?”, destacou a instituição.

O Inverno Cultural é o maior programa de extensão da UFSJ. Durante o evento, são promovidas dezenas de shows e atividades artísticas e culturais em São João del Rei e em outras cidades de Minas Gerais.

Fonte: barrosoemdia.com.br

Cultura

Congonhas receberá a Exposição “Meus Animais – A Magia da Transformação”

Materiais nocivos se descartados na natureza ganham vida e beleza pelas mãos de um artista congonhense

Será inaugurada no próximo domingo, dia 16 de junho, a Exposição “Meus Animais – A Magia da Transformação”, assinada pelo artista congonhense, Hernando Rocha Vitor.  Belas esculturas móveis de animais silvestres surgem do reaproveitamento de material reciclável, ao que o artista denomina “reciclarte”. Na entrevista a seguir, Hernando dá um grande exemplo de como é possível criar algo novo, sem provocar danos à natureza. A atração concluirá as comemorações pelo Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho). Este ano, diversas atividades compuseram a Segunda Mostra de Sustentabilidade, que apresentou temas relacionados à qualidade do ar e destinação adequada de resíduos.

Como surgiu a ideia de recriar bichos?

Sempre quis ter esses animais, mas por vários motivos não tenho nenhum. Primeiro porque acho que os animais silvestres, quando tentamos domesticar, ficam muito perdidos, porque não são domesticáveis, ao contrário de cão e gato. Por gostar demais deles, pensei em uma forma de substituir os vivos pelas esculturas. Por volta de 2010, abri o Festival de Inverno com uma exposição de insetos desenhados em tamanho real em 3D. Em seguida, criei uma exposição de aves e depois partir para outros animais silvestres. A partir daí pessoas começaram a me chamar para me apresentar em alguns lugares. Atualmente já criei dez esculturas móveis, porque algumas delas podem ser movimentadas e possibilita posições diferentes.

Por que utilizar material reciclável na criação das esculturas?

O que é resto pode ser transformado em algo interessante. Muitas vezes, quando é utilizada a reciclagem, percebe-se o que foi utilizado. No meu caso, gosto que não fiquem vestígios dos materiais utilizados, como massa, pena, pintura, tecido, plástico, cerâmica plástica imitando a pele, biscuit, tecido de guarda-chuva, sacola plástica, arame, etc.

Qual é seu processo de criação?

Estudei cada animal pelo comportamento, tamanho, etc e fui produzindo cada um deles. Como comecei com as aves, fui ao Mercado Central de Belo Horizonte, comecei a formar um banco de penas com tipos, tamanhos e cores variadas, para reproduzir o bicho através das penas.  Ao mesmo tempo, comecei a estudar processo de pintura das penas para adaptação a cada ave. Consegui de pato, peru, faisão, pombos. Em alguns casos, tinha de recorrer à adaptação mesmo, utilizando, entre outros materiais, mouse, fones de ouvido e fios. No processo de pintura, a gente já vai vendo o bichinho surgir.

Que curiosidades aconteceram durante a confecção desses bichos?

No caso de uma espécie raríssima, a Anacã, um papagaio da Amazônia, tive a triste sorte de encontrar pessoas que criavam indivíduos desta espécie e que morriam. Depois, fiz uma tartaruga com um vidro de alvejante e fui imaginando no recipiente a forma de cortar e transformá-lo nos cascos dela, que se chama Baldo e é minha garota-propaganda, já tendo participado da Semana do Meio Ambiente na Fundação CSN em 2018. A gatinha sem pelo Sphynx, é bem intrigante: uns adoram, outros a acham um espanto. A serpente seria pequena e albina, mas vi uma mangueira de instalação elétrica velha e imaginei a pose exata e passei um arame por dentro, depois foi preencher com massa, estudei muito até chegar no resultado interessante. O esquilo negro raro que aguardou um ano por um tecido que aproximasse do pelo dele. Estou estudando a anatomia, comportamento e tudo do mico estrela para que consiga montá-lo a tempo da exposição, mas está difícil encontrar o tecido de pelúcia específico.  Então percebi que estava recriando animais exóticos.

De tanto recriar animais, é de se imaginar que você tentar ver o mundo da mesma forma que esses bichos vivos o fazem na natureza, não é?

A gente aprende muito com os bichos, gosto muito de ver o Animal Planet [cana de TV que exibe documentários]. O comportamento dos animais irracionais serve de exemplo para os racionais. Fico pensando se algum dia a humanidade vai se completar de verdade. A tecnologia têm a proposta de trazer a evolução. Porém estamos presos em questões de comportamento, que parecem não evoluir. Já o animal irracional demonstra uma noção das coisas que nós não temos. Esses documentários de TV fazem sucesso porque parecem nos complementar de alguma forma. Por isso que quero cada vez mais estar perto dos animais.

A exposição estará aberta ao público até 30 de junho, de segunda à sexta, de 8 às 18hs, e finais de semana e feriados de 8 às 14h, no Prédio Espaço JK, que abriga a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura.

Fotos:  Mauro Fernandes Barros

Fonte: http://www.foconanoticia.com.br

Direito

Alteração significativa polemiza estatuto do desarmamento

A finalidade em cotejo é demonstrar, através de um estudo sistemático, os efeitos do Decreto 9.785, de 7 de Maio de 2019, frente a matéria Penal, devendo ser tratado com total seriedade e de forma que haja total compreensão dos fatos que, por ventura, foram alvo de alteração.

O supracitado Decreto tem por força regulamentar a lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, a qual dispõe sobre a aquisição, o registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição.

Compulsando o objeto é possível constatar que houve uma ampliação no rol de armamento de uso permitido, possibilitando assim uma mudança de penas de inúmeros Réus condenados em sentenças transitadas em julgada. A situação também se verifica em processos criminais não findos em que mo Agente ainda responde por crime de porte ou posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.

No que se refere ao Direito Processual Penal, por força no disposto logo no artigo 2º, não há muito o que se falar. Ora, a lei processual aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo a atos realizados sob vigência de lei anterior.

Percebe-se, pois, que não haverá retroação de atos anteriores, permanecendo válidos por imperativo do princípio da aplicação imediata das normas processuais. Sob outro enfoque, o Direito Penal deve ser analisado sobre três aspectos, a saber: formal, material e sociológico.

Desta feita, o conjunto de normas que detém como missão alçar comportamentos do homem a uma qualidade de infrações penais impõe sanções a todos os eventuais praticantes. Nada mais é a ciência criminal do que um instrumento de controle da forma social de comportamentos humanos tidos como errados para, por elementar, manter a coordenação e convívio harmonioso do homem em sociedade.

Vale ressalto que a eficácia da lei penal está diretamente ligada ao estudo do tempo vigente quando do eventual cometimento de uma infração penal. Sendo assim, por força do princípio da legalidade, expresso no artigo 5º, XXXIX, da Constituição Federal e no 1º artigo do Código Penal, para que uma conduta seja considerado como criminosa, é necessário a existência de uma lei anterior ao fato cometido para que então ocorra a produção adequada de seus efeitos na concretude, dizendo que não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem previa cominação legal.

No mesmo sentido, a Carta Cidadã e a codificação Penal, mais especificamente no artigo 5º, XL, e 2º, § único respectivamente, consignou que “a lei não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”, ou seja, vislumbra-se uma excepcionalidade trazida pela Constituição para alcançar fatos anteriores à vigência de lei que possibilite o beneficio do Réu pelo cometimento de alguma conduta considerada criminosa.

Entre o período de ocorrência de determinado fato criminoso e o devido cumprimento da pena em concreto, pode ocorrer o surgimento de diversas leis, inclusive mais benéficas.

No caso das referidas leis mais benéfica, seus efeitos deverão atingir de imediato os Réus, até mesmo os casos em que já houverem sido transitados em julgado. Trata-se de Novatio Legis in mellius. No que pese a finalidade do Decreto de Nº 9.875/19 em alterar a calibragem permitida de armas de fogo de uso permitido, trata-se, literalmente, de Novatio Legis in mellius e, por rigor jurídico, poderá e deverá beneficiar Réus e eventuais processados que, a partir da publicação do decreto, deixarão de responder pelo porte ou pela posse de arma de fogo de uso restrito e passarão a responder pelo porte ou pela posse de arma de fogo de uso permitido.

A conclusão merecida recai para a alteração de todos os julgados de processos fundados no posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (artigo 16 da Lei 10.826/03) delitos estes que, por gravidade em abstrato, são equiparados a crimes hediondos.

Preenchido os requisitos, será possível agraciar criminosos anteriormente condenados com fulcro no artigo 16 com regimes de pena mais benéficos, livramento condicional ou mesmo extinção da punibilidade pele efetivo cumprimento de pena. “O tiro saiu pela culatra”?

Autor: Rodrigo da Silva Taroco.
Soldado Músico da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais.

Graduando em Direito no Centro de Estudos Superiores Aprendiz.

Dr. Hugo Viol Faria

  • Professor Orientador
  • Graduado em Direito pela Faculdade Metodista Granbery – FMG.
  • Pós-graduando em Ciências Criminais pelo Complexo de Ensino Renato Saraiva-Estácio.
  • Advogado. Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Subseção Barbacena/MG. Professor de Direitos Humanos, Direito Penal e Prática Penal.
  • Ex-Assessor de Juiz na Vara Criminal da Comarca de Cataguases/MG.
  • Ex-Coordenador de Gestão de Contratos e Convênios da Secretaria Municipal de Saúde e Programas Sociais do Município de Barbacena/MG