Turismo & Lazer

Brumadinho (MG) além do Inhotim: levantamento inédito sinaliza quase 40 atrativos turísticos no município

Região tem alto potencial para receber visitantes e, assim, diversificar sua economia

A sede de Brumadinho se formou em torno da Estação Ferroviária, construída em 1917  — Foto: Divulgação
A sede de Brumadinho se formou em torno da Estação Ferroviária, construída em 1917 — Foto: Divulgação

Conhecida turisticamente pelo Instituto Inhotim, maior museu de arte contemporânea a céu aberto do mundo, Brumadinho (MG) tem muito mais a oferecer para quem decide conhecê-la. A riqueza está em toda parte: na gastronomia, na natureza, na história e nas pessoas.

São cerca de 40 atrativos turísticos, conforme levantamento inédito realizado pelo Programa de Fomento do Turismo Sustentável em Brumadinho. O programa, desenvolvido pela Vale em parceria com o Instituto Rede Terra, atua a partir da premissa de que fomentar o potencial turístico de Brumadinho e região é um caminho potente para diversificar a sua economia, gerar emprego e renda e diminuir a dependência da mineração.

Com cinco projetos estruturantes – que abarcam o fortalecimento da governança turística, o incremento do turismo rural e de base comunitária, a diversificação da oferta turística local, a ampliação de mecanismos de financiamento na área e a reestruturação do calendário de eventos turísticos – o programa vai trabalhar diretamente com os empreendedores da região durante os dois próximos anos. O objetivo é que Brumadinho se consolide como um destino com ampla oferta de atrações, que vão bem além da visita ao museu de arte.

Mapa turístico reúne e sistematiza atrações

As informações recém-levantadas deram origem ao primeiro mapa turístico da região, disponível em versão impressa e virtualmente neste link. O documento lista também 47 pousadas e hotéis e 44 bares e restaurantes para melhorar a experiência do turista.

Ao reunir e sistematizar os principais atrativos das três microrregiões de Brumadinho, o mapa recém-lançado oferece ao visitante uma visão completa das potencialidades do município, incentiva seu deslocamento interno e favorece sua estadia por mais tempo.

O material foi elaborado de forma colaborativa e contou com a participação de representantes de 16 conselhos e associações municipais que compõem a Comissão de Organização do programa.

“Ninguém melhor que os próprios moradores e empresários da região para indicar o que há de melhor em Brumadinho. Eles têm uma relação diferente com esses lugares, pautada muitas vezes pela memória afetiva. O mapa é uma forma de compartilhar esse olhar e todas as riquezas do município com os turistas”, conta Daniele Teixeira, responsável técnica pelo projeto na Vale.

Comunidades quilombolas proporcionam experiências única

A diversidade de Brumadinho se espalha por seus 639 km² de território. Vivências no município possibilitam conhecer a cultura e tradições populares da região, interagir com ateliês de cerâmica de artistas renomados, visitar comunidades quilombolas com forte identidade, ter experiências gastronômicas únicas com comidas típicas e contemporâneas, e degustar bebidas artesanais que são um mergulho na tradição e inovação presentes no município.

No centro da cidade, a Estação Ferroviária, que data de 1917, conta um pouco da história local. Em torno da construção, formou-se um povoado que, em 1938, foi elevado a sede do município. Tombada pela prefeitura, é hoje um dos cartões postais da cidade.

A riqueza histórica de Brumadinho também vem de suas comunidades tradicionais. A poucos quilômetros do centro, ficam os quilombos Marinhos, Rodrigues, Sapé e Ribeirão. Com cerca de 300 anos, eles resistem em suas vivências coletivas, na religiosidade, na música, na dança e em suas organizações sociais comunitárias.

O primeiro a ser formado foi Marinhos, com seu artesanato expresso em bonecas e bolsas. Em Sapé, a tradição é o bordado; em Rodrigues, os grupos de dança e música; e em Ribeirão, doces, bolos e bordados.

Um patrimônio das comunidades quilombolas de Brumadinho são as irmandades e as Guardas de Congado e Moçambique – peças centrais nos seus tradicionais festejos religiosos, musicais e culturais.

Negro por Negro, grupo de música e dança das Comunidades Quilombolas de Brumadinho, com referência em ritmos percussivos  — Foto: Divulgação
Negro por Negro, grupo de música e dança das Comunidades Quilombolas de Brumadinho, com referência em ritmos percussivos — Foto: Divulgação

Turismo de natureza é outra grande atração da região

Para quem gosta de turismo de natureza, Brumadinho é um prato cheio. Conhecida por atrair amantes de esportes radicais como voo livre, trekking e ciclismo, a região abriga importantes áreas preservadas, a exemplo do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, com seus 4 mil hectares de natureza exuberante e uma rica biodiversidade constituída por uma série de espécies da fauna, como o lobo-guará, onça parda, cachorro-do-mato, veado campeiro e o carcará; e da flora, como a canela-de-ema, várias espécies de orquídeas, bromélias e cactáceas. O Parque guarda ainda seis mananciais, trilhas e mirantes.

Outra opção interessante é o Monumento Natural Serra da Calçada, que ganhou esse nome por preservar em alguns trechos calçamento original do século XVIII. Entre as ruínas remanescentes na região, estão a fábrica de São Caetano da Moeda Velha e o complexo minerário Forte de Brumadinho, ambos tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) em 2008. Com cerca de 8 km de extensão, ele é perfeito para diversos tipos de atividades.

O professor Felipe Nunes conta que fez sua primeira trilha na Serra da Calçada ainda na adolescência e que hoje frequenta o lugar com sua família.

“Lá é maravilhoso e bem preservado. Além disso, é versátil, posso fazer uma infinidade de coisas, como caminhadas curtas com meu filho de quatro anos, caminhadas longas com ou sem cachoeiras, trilhas de mountain bike leves ou pesadas”, conta.

A Serra da Calçada estende-se por cerca de 8 quilômetros entre os municípios de Brumadinho e Nova Lima  — Foto: Divulgação
O Topo do mundo é a principal base para salto de parapente na região de Belo — Foto: Divulgação

Um pouco mais adiante, a Serra da Moeda ostenta uma das paisagens mais majestosas e exuberantes do estado. Um de seus pontos mais conhecidos é o Topo do Mundo. A rampa natural com 500 metros de desnível é a principal base para salto de parapente na região de Belo Horizonte, conta Hugo Matias Resende de Almeida, que pratica voo livre há dez anos.

“O visual é fantástico. É possível voar a 2 mil metros acima da rampa, sobre lugares maravilhosos como a Lagoa dos Ingleses. Em algumas épocas do ano é possível fazer voos de até duas horas, até o pôr do sol”, explica.

O Topo do mundo é a principal base para salto de parapente na região de Belo  — Foto: Divulgação
O Topo do mundo é a principal base para salto de parapente na região de Belo — Foto: Divulgação

Casa Branca é um povoado situado no entorno do Parque Estadual do Rola Moça. Graças ao seu relevo montanhoso e agradável clima, é ideal para a realização de esportes de aventura, caminhadas ecológicas e passeios de bicicleta.

No Verde Folhas Espaço de Aventuras, o visitante encontra boas acomodações, diversão, contato com a natureza e muita adrenalina. Inserido em uma mata de galeria com acesso a cachoeiras, o espaço oferece atividades como arvorismo, escalada, tirolesa e trapeloco.

O Verde Folhas Espaço de Aventuras está inserido em uma mata de galeria com acesso a cachoeiras  — Foto: Divulgação
O Verde Folhas Espaço de Aventuras está inserido em uma mata de galeria com acesso a cachoeiras — Foto: Divulgação

Sossego e boa gastronomia

A região da Encosta da Serra da Moeda, por sua vez, é o destino perfeito para quem busca sossego e tranquilidade, mas não abre mão de boas experiências gastronômicas. Nos pequenos lugarejos, praças e igrejas centenárias se misturam a cervejarias artesanais, bistrôs e restaurantes das mais diversas especialidades.

Na pacata Piedade do Paraopeba, de apenas 3,5 mil habitantes, a Matriz de Nossa Senhora de Piedade encanta os visitantes. Datada de 1713, é uma das igrejas mais antigas de Minas Gerais, considerada o maior símbolo histórico-cultural e religioso do município. Exemplo da arquitetura colonial setecentista mineira, a construção remonta à origem da ocupação do distrito, no final do século XVII.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, no distrito de Piedade de Paraopeba, é uma das mais antigas de Minas Gerais  — Foto: Divulgação
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, no distrito de Piedade de Paraopeba, é uma das mais antigas de Minas Gerais — Foto: Divulgação

Para comer e beber, opções inusitadas agradam paladares exigentes. É o caso da Tonini Charcuteria Artesanal, com seus originais pratos à base de embutidos servidos em um charmoso container; ou da Cachaçaria Itinerante, que apresenta aos convidados uma imersão no universo da cachaça envolvendo histórias, degustação, drinks e pratos da gastronomia molecular. Também vale conhecer os pratos árabes do Ateliê do Abrahão e a comida rural e mineira do Rancho do Peixe.

Tonini Charcuteria Artesanal serve pratos originais à base de embutidos. Na foto, capeletti com recheio de charcutarias, velouté de cogumelos e pancetta laqueada em cachaça de alecrim  — Foto: Divulgação
Tonini Charcuteria Artesanal serve pratos originais à base de embutidos. Na foto, capeletti com recheio de charcutarias, velouté de cogumelos e pancetta laqueada em cachaça de alecrim — Foto: Divulgação

A região também é conhecida como um reduto das artes. Com uma tradição ceramista influenciada pelo trabalho da japonesa Toshiko Ishii, que viveu na região a partir dos anos 1970, o município abriga hoje uma grande variedade de ateliês. É o caso do Ateliê Eny Amorim, localizado em um lindo mirante da Serra da Moeda e conhecido por suas peças exclusivas criadas a partir de técnicas como o Raku e a Queima de Buraco; do Xakra88, peculiar ateliê comandado pelo ceramista alemão Benedikt Wiertz; e do Saracura Três Potes, dos premiados artistas José Alberto Bahia e Jéssica Martins, que transformam cascas e sementes da flora brasileira em cerâmica.

Cerâmicas do Ateliê Saracura Três Potes são feitas a partir de cascas e sementes da flora brasileira  — Foto: Divulgação
Cerâmicas do Ateliê Saracura Três Potes são feitas a partir de cascas e sementes da flora brasileira — Foto: Divulgação

Fonte: https://g1.globo.com/