Sociedade

Autismo não é doença, é apenas uma diferença!

Quantos autistas vocês conhecem? Impactante quando escutamos: nenhum!

Mas será que não conhecem ou não querem conhecer? Estima-se que 1 a cada 88 crianças possua traços de autismo, com maior prevalência entre meninos. Não existe uma fórmula igual a uma receita para seguir, cada indivíduo é único, e o grau de comprometimento também é bastante diversificado. Em comum um fato: quanto mais cedo inicia-se a intervenção, melhor para o indivíduo, estimulação diversa e incentivo das potencialidades.

Não éramos criados em famílias inclusivas, a realidade da inclusão foi inserida frente à vivência, com família, amigos e colegas de trabalho. Hoje as crianças já sabem como ajudar o coleguinha em crise sensorial, sabem que caçoar é bullying, que é uma diferença como tantas outras. A maior barreira vem dos adultos, que discriminam em diferentes formas e ambientes o indivíduo.

Seja ignorando a existência da Lei nº14.019/2020, que dispensa o uso de máscara por pessoas com comprometimento (a maioria não suporta), seja humilhando ao questionar o motivo do atendimento preferencial, utilizando a frase mesquinha “ué, mas não tem cara”, sendo que existe legislação para tal atendimento, conforme Lei Federal 12.764 de 2012, alterada pela Lei 13.977 de 2020, regulamentada no Estado de Minas Gerais pela Lei Estadual Lei. 23.414 de 2019, seja desconfiando da necessidade de acompanhamento nas terapias pelos responsáveis, seja desacreditando da capacidade, seja privando de tratamentos que visem dar melhores condições…

Poderíamos falar de todas as terapias e seus benefícios, da necessidade da educação inclusiva e adaptações, de ambientes de lazer seguros mas, nessa data, é imperioso ressaltar o conhecimento. Finalizo com minha consideração enquanto mãe de uma criança não verbal dentro do TEA, que não é preciso uma única palavra para dizer tudo, os que não falam, se comunicam, se fazem entender de maneiras e, muitas vezes, mais claras que as pessoas tidas como “típicas”…

Não se feche com preconceitos.

“Decifra-me, mas não me conclua, eu posso te surpreender” (Clarice Lispector)

Texto: Polyana Costa – Coordenadora da ONG Idda, Membro da comissão de mães de autistas de Mariana