Cultura

Luna Lunera realiza temporada do espetáculo Urgente em BH

Companhia se apresenta entres os dias 02 e 18 de novembro no Teatro Marília com a peça que aborda temáticas como tempo, convivência e seus tensionamentos.”

Manter o diálogo vivo mesmo diante das diferenças parece ter se tornado uma tarefa hercúlea em tempos de intolerância. As estruturas da sociabilidade estão rachadas. O silêncio que embrutece é o mesmo que nos permite observar de forma esgotada o passar cada vez mais veloz dos dias. Diante da impotência, só resta a busca pela falsa sensação de estabilidade. O cotidiano se transforma em um amontoado de obrigações quase mecânicas, sonhos morrem nas gavetas e a vida é adiada para um futuro que nunca chega. Em um mundo ainda regido pela obsessão pelo novo, o envelhecimento das pessoas e dos objetos é visto como ameaça da ampulheta impiedosa. Com 1h45 de duração, “Urgente” é uma ação micropolítica de interrupção dessa rotina sufocante. Uma suspensão do tempo para criar com o público um tempo (ou um passado) em comum.

A Companhia Luna Lunera faz curta temporada do espetáculo no Teatro Marília entre os dias 02 e 18 de novembro. Os ingressos custam R$30 inteira e R$15 meia-entrada e podem ser comprados pela plataforma Sympla ( https://bit.ly/2AqqfZM ) , no posto do Sinparc da Avenida Afonso Pena (nº 1055), e na portaria do Teatro Marília duas horas antes de cada apresentação.

A direção da peça de Miwa Yanagizawa e Maria Sílvia Siqueira Campos, do Areas Coletivo de Arte, e a trilha sonora é assinada pela banda Constantina. Em um cenário composto por quatro nichos de um metro quadrado cada, onde habitam cinco personagens e suas complexidades, um enredo ficcional não linear se revela aos poucos e se relaciona com retrospectivas de vida dos atores, de dois minutos cada. Cotidianos ordinários num espaço condensado. Relações inflamadas. O que se pode – ainda – desejar? E a vida se dando num lugar rachado.

Estamos sendo inundados por todos os lados de imagens, sons, informações. Teríamos ainda a capacidade e o tempo necessário para a concentração e a reflexão? Segundo o pesquisador Paul Virilio, o homem, mesmo que absorvido pela instantaneidade, tem também a necessidade de contexto, de memória, de cultura – que demandam duração e relação. E talvez por isso vivenciamos esta atual e dolorosa busca por sentido.

Para Heidegger, um dos grandes pensadores do século passado, nós não somos, e sim estamos. Somos aqui-e-agora e, a cada instante, temos uma série de possibilidades de mudança. Para fugirmos desta responsabilidade, nós nos atarefamos, exatamente para não tomarmos consciência da nossa própria condição, para não encararmos a angustiante realidade do presente.

Ao mesmo tempo que fazemos coisas demais, que nos ocupam demais, parece que muitas vezes vivemos esperando o momento certo em que enfim viveremos de fato. Vivemos esperando o final de semana, as férias, a aposentadoria. Nos programando para viver plenamente quando conseguirmos aquela promoção, quando comprarmos o apartamento, quando chegarem os filhos ou quando os filhos crescerem. Como a famosa frase do filósofo Blaise Pascal, “nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos”. Sem perceber que o que deixamos passar não é apenas tempo, mas nossa própria vida.

Cia. Luna Lunera | 17 anos

Fundada em 2001, a Cia. investe em diversificados caminhos de criação através da pesquisa continuada e do diálogo com outros criadores contemporâneos do teatro, da dança, da música e das artes visuais. Tem como prática abrir seus processos criativos para o público, criando um espaço de diálogo e compartilhamento – chamado Observatório de Criação. Em seus trabalhos, busca conjugar investigações corporais, jogo cênico, uso da música como parte integrante das propostas dramatúrgicas e inserção autoral nos processos artísticos. Construiu, em dezessete anos de trajetória, sete espetáculos, com ampla repercussão nacional: “Perdoa-me por me traíres” (2001); “Nesta Data Querida” (2003); “Não desperdice sua única vida ou…” (2005); “Aqueles Dois” (2007); “Cortiços” (2008); “Prazer” (2012) e “Urgente” (2016).

FICHA ARTÍSTICA

Direção: Miwa Yanagizawa e Maria Sílvia Siqueira Campos

Assistente de direção: Liliane Rovaris

Texto: Areas Coletivo de Arte e Cia. Luna Lunera

Interlocução dramatúrgica: Carlos de Brito e Mello e Liliane Rovaris

Atores criadores: Cláudio Dias, Isabela Paes, Marcelo Souza e Sila, Odilon Esteves, Zé Walter Albinati

Elenco: Anderson Luri, Cláudio Dias, Fabiano Persi, Isabela Paes, Letícia Castilho, Zé Walter Albinati

Ambientação sonora: Constantina

Cenário: Yumi Sakate e Areas Coletivo de Arte

Cenotécnicos: Henrique Fonseca e Alexandre Silva

Figurino: Yumi Sakate

Criação de Luz: Felipe Cosse e Juliano Coelho

Assessoria de imprensa: Mateus Meireles

Assessoria administrativa: Felipe Montesano

Produção Executiva: Nathan Coutinho

Coordenação: Isabela Paes

Serviço:

Cia. Luna Lunera – temporada do espetáculo Urgente no Teatro Marília

Data: 02 a 18/11 – sábado a domingo às 20h

Ingressos: https://bit.ly/2AqqfZM

Valor: R$30 inteira e R$15 meia-entrada

Endereço: Teatro Marília – Avenida Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia – BH.

Informações: (31) 3444-7983 – cialunalunera@cialunalunera.com.br; prodluna@gmail.com